O rombo das “filhas solteiras”

“As 32 mil “filhas solteiras” de servidores são 34% das pensionistas e custam ao Estado R$ 447 milhões por ano. Para não perder benefício, muitas se casam de fato, mas não de direito”

A notícia que destaco acima estava na timeline de uma amiga nesta manhã nas redes sociais. Na mesma hora lembrei de duas destas “filhas solteiras” que eram próximas da familia de minha avó e que acompanhei por força da proximidade por cerca de duas décadas. Neste tempo, além do prejuízo material à Nação, vi as suas próprias habilidades e talentos serem embotados por esta segurança que o Estado previa no tempo em que a mulher não tinha condições de ser autônoma.

Quando foi decretada, a lei  3.373 de 12/03/1958, que assegurava  que “A filha solteira, maior de 21 (vinte e um) anos, só perderá a pensão temporária quando ocupante de cargo público permanente”, tinha sentido para parte da população feminina.

Mas vivemos uma realidade tão diferente, como podemos não reagir a isso?

As duas “filhas solteiras pensionistas” que conheci viveram uniões estáveis (sem se casar no civil) e tiveram filhos. Uma fez faculdade, começou a trabalhar e desanimou. A outra nem fez faculdade. Ambas eram moças muito inteligentes, bonitas e sociáveis, teriam construído vidas produtivas e plenamente felizes se não fosse esta “muleta” a lembrar da sua “incapacidade” de viver por conta própria.

Como disse uma conhecida no Facebook para mim, “uma coisa é proteger, por exemplo, uma criança até que se tenha idade de ganhar o próprio dinheiro, isso é uma palhaçada“.

Fico a me perguntar, sinceramente, se é justo que deixemos de usar um montante como este (447 milhões por ano) em benefícios previdenciários para pessoas que teriam plenas condições de trabalho e de subsistência, baseados na antiga e ultrapassada ideia de que a “mulher sem um homem” (pai, marido, irmão) não conseguiria sobreviver e por isso precisaria da ajuda vitalícia do Estado.

Não será hora de revermos este conceito e de reagirmos a isso com força e voz ativa?

O que vocês acham?

P.S. Enquanto isso, leio em outra publicação um artigo de Ruth de Aquino que dá conta de que “Presidente e ministros reduzirão em 30% seus salários, “para dar o exemplo”. Apertarão seus próprios cintos, cortarão na própria carne. Isso acontecerá longe daqui, na França”. Fica aqui a dica de uma das soluções para os desvios diretos ou indiretos de recursos públicos: “Deveríamos, como os franceses, enfrentar os desvios e abusos que desmoralizam nossos governantes” –  e, vale lembrar, desmoralizam nossa sociedade toda!

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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