O Reinado da Lua – Escultores Populares do Nordeste é relançado em Sampa

Referência para estudiosos, pesquisadores e interessados em arte de tradição popular desde sua publicação, há 30 anos, O Reinado da Lua surprende pelo ineditismo de sua abordagem: a escultura popular nordestina segundo a perspectiva de seus autores.

Pena que não estou em Sampa porque não perderia a oportunidade de presenciar o bate papo da re-edição do livro “O Reinado da Lua – Escultores Populares do Nordeste” de Silvia Rodrigues Coimbra, Flávia Martins e Maria Letícia Duarte que acontece nesta tarde na Livraria da Vila (rua Fradique Coutinho, 915, Vila Madalena, São Paulo, SP).

Tive a honra de ver o belísismo livro há algumas semanas e é de encantar e alegrar ver o trabalho, feito há 30 anos, revisitado agora e relançado em evento promovido pela querida @tebenas. Resultado de pesquisa in loco para reconhecer e registrar a realidade (singular) de artistas populares, O Reinado da Lua traz o que Silvia, Maria Letícia e Flávia viram em suas viagens entre 1975 e 1980 pelos estados da Bahia, Sergipe, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba, Piauí, Maranhão, Ceará e Alagoas.

Sobre a obra, nada melhor do que ler uma resenha da 1ª edição da obra,  feita por ninguém menos que Carlos Drummond de Andrade, à época publicado no Jornal do Brasil (1980):

“Um momento, e passo à lua. Ou a O Reinado da Lua, excelente pesquisa de Sílvia Rodrigues Coimbra, Flávia Martins e Maria Letícia Duarte, junto aos escultores populares do Nordeste. Um deles, Nhô Caboclo, tem esta frase à la Guimarães Rosa:”Disso você não entende não, isso é coisa do Reinado da Lua”. A Lua reina sobre os artistas que nasceram artistas, não precisaram academiar. A Lua os inspira e fataliza para a criação. Um deles se chama Louco, outro Maluco Filho, um terceiro é Doidão. Mas todos operam sob a luz que vem da Lua ou que brota do interior deles mesmos, e é Nhô Caboclo quem declama: “Eu não tenho o poder de possuir o dom, sou perverso, mas tenho corgo, que é a pessoa fechar os olhos e, o que vier no sentido, fazer”. E faz com engenho e força, emergindo das raízes mais fundas do homem não letrado que estuda as leis e graças da natureza.
… Como não amar de amor enlevado esses homens supostamente rústicos, que têm tamanha capacidade de interpretar a vida, exercendo a imaginação e as mãos? Rústicos somos muitas vezes nós, os sofisticados habitantes das capitais, que não sabemos manejar a ferramenta dos dedos e só nos distinguimos na abstração. Os do Reino da Lua, estes, sim, merecem respeito e alegre homenagem.”

A nova edição, realizada pela Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco, tem lançamento em São Paulo hoje e no Rio no dia 18/12/2010.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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