O que nós podemos fazer para proteger a infância e juventude? #semtrabalhoinfantil

A vida imita a arte ou a arte retrata a vida?

Nesta semana retomamos a chamada para as ações que buscam tirar da invisibilidade o tema do trabalho infantil e adolescente na fanpage do Promenino, no movimento no qual estivemos envolvidos em 2012 com  Fundação Telefônica BrasilUNICEF e International Labour Organization (ILO).

O caminho para mostrar o que consideramos as cinco piores formas de trabalho infantil foi relacionar as histórias pessoais com a teledramaturgia.

Pois é, novela de TV, isso mesmo.

Começou com Malhação porque na trama, os personagens Kika, Zé e Torve são envolvidos com o tráfico por conta da má influência de Sal.

O que você faria para evitar que eles e outros jovens se envolvessem com as drogas?

Convidei jovens que eu conheço por conta da relação com suas famílias para opinarem e também lembrei do meu tempo na escola, quando este assunto, das drogas que se “infiltram” no grupo por um irmão mais velho do colega (ou algo assim) me fez lembrar de alguns colegas do meu tempo de Cefet. Uma coisa puxa a outra e o grupo – pode ser ligado à música ou até algum esporte – pode ser o grande motivador para entrar ou para sair desta cilada.

Eu acho que ajudei alguns amigos a saírem das drogas porque continuei sendo amiga, acreditando na capacidade de superação deles e me mantendo na linha, mostrando que era possível ser adolescente e viver longe disso.

Em Malhação os adolescentes estudam em escola particular e têm família. Mas e quando a coisa foge deste padrão “Família Doriana”?

Tenho mania de ver novelas das sete, estou acompanhando a história de Amora, Bento e Fabinho, crianças abandonadas pelos pais que tiveram apoio de uma família acolhedora e depois tiveram destinos diferentes, mas continuaram com marcas do abandono e, no caso de Amora, da exploração que, de outra forma, foi repetida pela mãe adotiva.

O Pró-Menino perguntou ontem:

Se o problema do trabalho durante a infância é da sua conta, o que você faria para ajudar meninas como Amora, que até os 9 anos mendigava no farol?

Eu fui voluntária de um movimento que atendia meninos e meninas de rua em Curitiba na época da faculdade e aprendi muito convivendo com estas crianças. A maioria fugiu de casa porque não teve laços afetivos bem construídos com os pais, muitos são criados por pais solteiros ou sofrem abusos físicos (de agressão ou pior, sexuais) de outros adultos com quem convivem (tios, novos namorados dos pais, avós ou até irmãos mais velhos) e a dificuldade para ajudar estes menores é imensa.

Depois de algum tempo na rua, com regras criadas por eles, num modelo diferente do padrão de família, mas que de alguma forma os protege do mundo, eles têm dificuldades para voltar a conviver com hierarquia, regras, planos de longo prazo e, acima de tudo, de se ligar a novas pessoas e abandonar o grupo.
Mas a tarefa, quando bem sucedida, é compensadora!

O que eu faria – e fiz quando era mais jovem – é olhar para eles como seres humanos que são, trata-los como pessoas, sem desviar o olhar, sem deixar de compreendê-los na situação em que estão. Sozinha não consigo fazer muito, mas apoiando bons projetos sociais de reintegração deles, com apoio pedagógico e um projeto de vida novo, assim sei que posso fazer muito.

É exatamente isso que Ester, personagem de Grazi Massafera em “Flor do Caribe”, faz: ela criou uma ONG para proteger as meninas carentes de Vila dos Ventos (um povoado fictício no nordeste brasileiro) do turismo sexual e da violência. Este é uma das piores situações às quais as crianças estão expostas quando são forçadas ao trabalho infantil e adolescente e é uma das preocupações que os envolvidos com o sistema de garantia dos direitos da infância tem agora, com a proximidade dos grandes eventos esportivos no Brasil – Copa das Confederações, Copa do Mundo, Olimpíadas, tudo isso movimentará o setor do turismo e sabemos que com ele muitas funções assumidas por crianças podem ganhar fôlego, como o tráfico de drogas, a exploração sexual, o trabalho doméstico e o trabalho em situação de risco social (o da rua, nos farois, por exemplo).

Se você se inspirou com essa atitude, dê sua opinião: o que nós podemos fazer para proteger a infância e juventude?

E você, o que faria?

Clique em http://bit.ly/propostasjovens e vamos pensar juntos em soluções para tornar estas situações cada dia menos comuns!

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.