destaque / relacionamentos

Um pouco de Álvaro de Campos não porque estou triste ou cansada, mas porque quero tudo, sobretudo a beleza, que às vezes só a poesia traz.

❤️

  

    O que há em mim é sobretudo cansaço —  

    Não disto nem daquilo,  

    Nem sequer de tudo ou de nada:  

    Cansaço assim mesmo, ele mesmo,  

    Cansaço. 

    A sutileza das sensações inúteis,  

    As paixões violentas por coisa nenhuma,  

    Os amores intensos por o suposto em alguém,   

    Essas coisas todas —  

    Essas e o que falta nelas eternamente —;  

    Tudo isso faz um cansaço,  

    Este cansaço,  

    Cansaço. 
    Há sem dúvida quem ame o infinito,  

    Há sem dúvida quem deseje o impossível,  

    Há sem dúvida quem não queira nada —  

    Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:  

    Porque eu amo infinitamente o finito,  

    Porque eu desejo impossivelmente o possível,  

    Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,   

    Ou até se não puder ser… 
    

E o resultado?  

    Para eles a vida vivida ou sonhada,   

    Para eles o sonho sonhado ou vivido,  

    Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto…   

    Para mim só um grande, um profundo,  

    E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,   

    Um supremíssimo cansaço,   

    Íssimno, íssimo, íssimo,  

    Cansaço…

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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