O que fazer ou Como reagir?

Hoje estava conversando com minha amiga Lina, do Japão, depois de muito tempo e estávamos refletindo juntas como esta saída do ninho muda o foco da gente. Quando morei no Japão sentia que ao mesmo tempo em que estava limitada me faltavam limites, me faltava uma linha pela qual seguir e a linha é uma forma de limitação que nos dá segurança.
A importância desta limitação é um dos preceitos da Supernanny, que eu entrevistei nesta semana e que tem me levado a pensar na forma como quero educar os meninos de agora em diante. Porque com o Enzo entrando na segunda infância muda meu foco, não preciso mais ensinar o que fazer, mas sim como reagir. Hoje enquanto esperava a perua escolar estava lendo a Época. É a hora que me sobra me sobra para esta leitura de revista semanal de informação, mas uma hora que tem sido útil. Vida de mãe parece ser uma perseguição pelo que é útil. A matéria que li falava de bullying, o ijimê do Japão, ou seja, aquela perseguição e agressão pelo diferente na fase da pré-adolescência. Veio-me à mente novamente o como reagir. Como reagir ao mundo que tenta sempre nos pasteurizar? Fui uma adolescente muito preocupada em ser igual (no ginásio) e em ser diferente (no segundo grau). Na faculdade não precisei fazer nada porque era diferente mesmo, no meio de toda aquela turma de comunicação eu era normal demais. Parecia uma aluna de pedagogia perdida lá.
Bem, agora que sou uma balzaquiana, eu prefiro adotar uma postura neutra, deixo cada um pensar o que quiser de mim (que sou uma dona de casa burra, ou uma intelectual, ou uma fútil) e já não me importo mais, porque já concluí há tempos que as pessoas vão pensar o que quiserem mesmo, independente do que a gente verdadeiramente é. Mas será que devo passar esta minha conclusão para meus filhos ou deixa-los experimentar? Creio que seja este meu atual impasse como mãe.Bem, minha mãe nunca foi muito autoritária, só não nos queria ateus e burros, sempre provocando conversas sobre coisas mais profundas, mas ela é advogada e filha de jornalista, nem dá para contar. Sabe-se lá sobre o que conversava com o pai dela, que eu não conheci, apesar de ter sido a herdeira da sua profissão.
Sair do Brasil significou muita coisa para mim. Sair do ninho me fez ver que podemos vencer ou ser vencidos por tudo, independente do lugar. Se aqui a gente fica culpando o Brasil, a economia, o povo, enfim, coisas exteriores a nós pelo nosso não-desenvolvimento, quando estamos fora não temos as mesmas desculpas: ou recomeçamos a ladainha de reclamar ou assumimos nossa capacidade ou incapacidade. E descobrimos que o verdadeiro Bully, o cara valentão que nos agride, usa nossa força interior para fazê-lo.Será que eu conto isto para o Enzo ou deixo ele aprender sozinho?

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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