O que está acontecendo de fato é a mais impressionante troca de bens culturais que já houve no mundo

“O que está acontecendo de fato é a mais impressionante troca de bens culturais que já houve no mundo, (só que) à revelia do mundo legal. Definir esse fato praticamente consumado com simples pirataria é uma simplificação”, afirma [Cristóvão Tezza, em entrevista ao Estadão].
E continua: “Há perda dos detentores dos direitos autorais, sem dúvida, mas é preciso lembrar que a esmagadora maioria dos consumidores via rede não compraria o filme ou o disco, não teria acesso a ele, ou por falta de dinheiro, ou, na maior parte dos casos, simplesmente porque não chegaria a ele”.

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Contrariando apocalípticos como Andrew Keen, para o escritor brasileiro mais premiado de 2008 a web 2.0 não é pirataria, é democratização cultural. A entrevista foi concedida por e-mail para Bruno Galo, do caderno Link, é a segunda de uma série que o Link está publicando sobre os desafios dos livros na era digital e girou em torno do tema. E novamente a lucidez de Tezza (que acompanho com carinho de fã porque foi meu professor na UFPR) me deixou contente, como podem ler no trecho que publico abaixo:

“Baixar um livro é infinitamente mais fácil que baixar um filme e mesmo uma música, mas a leitura digital de um texto longo no monitor é desconfortável – é isso, até aqui, que vem salvando os escritores. Com a chegada dos livros digitais, isso pode mudar. Até porque, parece que não há formato de arquivo, por mais exclusivo que seja, que não acabe convertido em outro de uso corrente”, observa.

“Bem, sendo realista, praticamente todos os escritores de ficção e de poesia sempre foram obrigados a ter outra fonte de renda, porque nessa área ninguém vive de direitos autorais no Brasil, mas mesmo assim uma popularização do download de livros seria catastrófica para quem escreve, supondo-se de fato que o livro digital suplantaria significativamente o livro de papel. Tudo vai depender desta relação entre o livro virtual e o livro de papel. Sinceramente, não sei. E acho que ninguém sabe dizer, hoje, o que vai acontecer nessa área”, opina.

“Sim, acho que (o livro de papel e o eletrônico) vão conviver perfeitamente. Não imagino que o livro eletrônico vá suprimir o velho e bom livro de papel, cuja praticidade é imbatível”, defende.

 

E você, se for bom leitor como eu, me conte: você deixou de comprar livros porque pode baixar as obras em pdf ou está super encantando com a chegada do kindle? Eu não consegui fazer esta transição! Ainda adoro ler, anotar e marcar os trechos no papel!

P.S. Andrew Keen é autor de autor de O culto ao amador – como blogs, MySpace, Youtube e a pirataria digital estão destruindo nossa economia, cultura e valores, publicado pela  Jorge Zahar Editor. Fiz resenha do livro aqui.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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