sustentabilidade

“Pode-se argumentar que o movimento ambiental americano, e em outras partes do mundo, começou com a reciclagem. Para os ambientalistas da velha guarda, ela é parte tão integral do movimento que as duas coisas não podem ser separadas. E naqueles dias, nos anos 1980, a causa era nobre e pura: Por que jogar fora produtos que poderiam ficar novos de novo? Por que não transformar lixo em matéria-prima?”
José Eduardo Mendonça no Planeta Sustentável 

Um artigo recente trazia à tona um lado muito “esquecido” nos debates sobre sustentabilidade que escuto e leio no Brasil: a reciclagem ajuda o meio ambiente? Quer dizer, será que todo o processo que envolve a reciclagem não sobrecarrega ainda mais o sistema produtivo?

Claro que, à primeira vista, é uma boa ideia tanto reciclar lixo quanto desenhar e embalar produtos para reciclagem, mas ela também fornece a fabricantes de itens descartáveis um modo de essencialmente promover o consumo abusivo como se fosse ambientalismo. A cada novo relatório ou levantamento de dados contando dos números expressivos da reciclagem nós devemos pensar também no enorme aumento de consumo que elas significam.

Os consumidores expiam qualquer culpa que possam ter consumindo quantidades maciças de produtos desnecessários e descartáveis jogando estes itens em suas lixeiras para a reciclagem.

Não será uma via de duas mãos? Ao apoiar a reciclagem e ajudar a estabelecer infraestrutura para tanto, assegura-se um fornecimento contínuo de novos materiais. Por outro lado, ajuda o consumidor a justificar o consumo de mais material descartável, usando como consolo o fato de que ele será reciclado.

Vale ler o texto completo e pensar na reciclagem como algo muito maior do que entregar materiais em bom estado para o catador que passa na sua rua ou colocar na lixeira certa no condomínio ou escritório. O autor nos convida a pensar no “negócio de commodities que flutua com a oferta e a demanda, no  mercado global, com materiais coletados nos Estados Unidos sendo enviados para onde quer que a demanda seja mais alta (com frequência, para a China)“.

Será realmente sustentável fazer o lixo viajar para onde tem valor maior?

E vale lembrar que nem tudo que é “reciclável” acaba realmente reciclado.

Mesmo quando se lida com materiais mais facilmente reaproveitáveis, como plástico PET ou HDPE (comumente usado em garrafas) ou vidro e papelão, primeiro se tem de fazer com que consumidores os descartem de forma apropriada, depois se precisa de um sistema de coleta (quantas cidades no Brasil, por exemplo, têm um?). Depois, os recicladores precisam de um comprador que jusfique reaproveitar qualquer coisa.

Antes de discutir se o seu lixo deve ou não ser reciclado e quando formos cobrar das autoridades de nosso município (estado ou país) uma postura formal sobre o processo que envolve o lixo, que tal pensarmos também no destino efetivo dele? E que tal pesquisarmos juntos uma forma mais sustentável de fato para que estes materiais possam ser reaproveitados sem gerar mais custo, mais viagens, mais transporte, mais consumo de bens e serviços neste processo?

Conte para mim, você sabe como é o processo aí na sua região?

P.S. Eu apoio a redução de embalagens que, creio, junto com uma atitude de consumo consciente (que só compra o que é efetivamente necessário, preferencialmente dentro do conceito “compre localmente, pense globalmente”), pode ser o grande diferencial para que nossa sociedade seja minimamente sustentável.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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