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Uma coisa extremamente paulista, que eu só descobri quando mudei para cá e comecei a me perguntar “o que aconteceu em 23 de maio“, “o que é MMDC” ou “que data transformou 9 de julho num feriado”, é a Revolução Constitucionalista de 1932.

O dia 9 de julho, que marca o início da Revolução de 1932, é a data cívica mais importante do estado de São Paulo e feriado estadual. Os paulistas consideram a Revolução de 1932 como sendo o maior movimento cívico de sua história.

Como comentei na época do #vemprarua, foi um fenômeno bonito de cidadania que aconteceu muitos anos antes das famosas #diretasjá e outros movimentos populares que sonhavam restaurar os valores da democracia.

E as datas?

Como se vê na imagem histórica, houve grandes comícios e passeatas, sendo a reação popular marcada na data de 23 de maio de 1932 com o rompimento oficial dos pauslitas ao Governo Provisório.

23 de Maio

Um dos eventos marcantes é a morte de 4 estudantes secundaristas que deu origem a um movimento de oposição que ficou conhecido como MMDC – aqui na Mooca este caso é lembrado com detalhes e uma das principais escolas públicas do bairro tem a sigla como nome.

Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo aprovariam o mutirão de ex-alunos do M.M.D.C

A Revolução Constitucionalista de 1932, Revolução de 1932 ou Guerra Paulista, foi o movimento armado ocorrido no Estado de São Paulo, entre os meses de julho e outubro de 1932, que tinha por objetivo a derrubada do Governo Provisório de Getúlio Vargas e a promulgação de uma nova constituição para o Brasil.
Foi a primeira grande revolta contra o governo de Getúlio Vargas e o último grande conflito armado ocorrido no Brasil.
No total, foram 87 dias de combates, (de 9 de julho a 4 de outubro de 1932 – sendo o último dois dias depois da rendição paulista), com um saldo oficial de 934 mortos, embora estimativas, não oficiais, reportem até 2200 mortos, sendo que numerosas cidades do interior do estado de São Paulo sofreram danos devido aos combates.

9 de julho é feriado – e também aniversário da Revolução Constitucionalista de 1932

Esse preâmbulo (sou a rainha deles, eu sei!) é para contar que neste 9 de julho descobri que a revolução teve um poeta oficial.

🙂

Guilherme de Almeida, combatente na Revolução Constitucionalista de 1932 e exilado em Portugal, após o final da luta, homenageado com a Medalha da Constituição, instituída pela Assembleia Legislativa de São Paulo.

O poeta da Revolução de 32” era um homem da sua época, claro. São dele obras hoje em dia controversas como Hino dos Bandeirantes – oficializado como letra do Hino do Estado de São Paulo – e da letra do hino da Força Pública (atual Polícia Militar do Estado de São Paulo).

Mas, enfim, foi numa casa de Guilherme de Almeida que muitos pensadores e transformadores brasileiros se encontraram quando ele voltou para São Paulo, depois da Segunda Guerra Mundial. O sobrado na rua Macapá, no Pacaembu, chamado carinhosamente por ele como a “Casa da Colina”, acolheu saraus com Paulo Bomfim, Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade, Anita Malfatti, Victor Brecheret, Noemia Mourão, René Thiollier, Saulo Ramos, Roberto Simonsen, Carlos Pinto Alves.

casa-guilherme-almeida

A casa, em 1979, tornou-se o Museu Casa Guilherme de Almeida, imóvel “tombado como museu biográfico e literário” pelo Conpresp, em maio de 2009.

O museu conta com importante acervo de obras de arte: quadros de Di Cavalcanti, Lasar Segall e Anita Malfatti, as primeiras edições dos livros do poeta, entre seis mil volumes no total, além de mobiliário, peças pessoais e relíquias da Revolução de 1932.

Neste mês, que marca o nascimento e morte do escritor e poeta, a Casa e a Fundação Japão (sim!) terão atividades especiais no Guilherme de Almeida em Cena, no dia 22 de julho de 2017, sábado, a partir das 14h30.

O evento aborda duas áreas de atuação do artista: seu envolvimento com a cena teatral paulistana e suas traduções de peças renomadas como a Antígone, de Sófocles e A Importância de ser Prudente, de Oscar Wilde; e sua ligação com a cultura japonesa, representada pela produção de haicais e por sua importante contribuição para a fundação da Aliança Cultural Brasil-Japão, criada em 1956.

A partir dessa relação, a programação, em parceria com a Fundação Japão, terá uma palestra com Renata Cazarini de Freitas sobre a contribuição de Guilherme de Almeida para o teatro brasileiro e exibição de filmes “Uma página de loucura“, com trilha sonora ao vivo por Gabriel Levy e “Portal do inferno“, com exibição em película 16 mm – ambos do diretor japonês Teinosuki Kinugasa.

Os dois filmes, inéditos nas cinematecas brasileiras, são muito fortes, tratando de temas adultos e com uma linguagem da sua época:

Uma página de loucura:

O filme conta a história de um marinheiro que se emprega como faxineiro em um manicômio para libertar sua esposa, que fora internada após uma tentativa de suicídio depois de ter afogado seu filho. Sem o uso de intertítulos e através de um sequência impressionante de imagens, é apresentada uma visão do mundo pelos olhos dos doentes mentais. Dado como perdido por mais de 40 anos, o filme foi recuperado pelo diretor em 1971, por uma cópia encontrada escondida em um vaso no galpão de seu jardim.

Portal do Inferno:

Em 1159, durante uma tentativa de golpe contra a realeza, arma-se um plano para que a família real possa fugir. Uma senhora da corte aproveita a situação e se faz passar de esposa de um Lorde para sair da cidade. Ela conta com a ajuda de um samurai, que a escolta com segurança. Mais tarde, o samurai pede ao Lorde como recompensa a mão desta mulher em casamento. Mas ele descobre que ela já é casada. O samurai não irá desistir e chegará a desafiar o marido de sua amada para que a deixe, o que irá gerar trágicas consequências.

O encontro aborda duas áreas de atuação do artista: seu envolvimento com a cena teatral paulistana e suas traduções de peças renomadas como a Antígone, de Sófocles e A Importância de ser Prudente, de Oscar Wilde; e sua ligação com a cultura japonesa, representada pela produção de haicais e por sua importante contribuição para a fundação da Aliança Cultural Brasil-Japão, criada em 1956.

 

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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