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Empatia é uma das virtudes que deveríamos estimular desde cedo e para sempre. Deveria ser disciplina escolar, junto com Ética e Projeto de Vida.

Se fosse assim, nosso coeficiente de felicidade seria muito maior – e os deslizes e pequenas corrupções muito menores!

  

empatia

substantivo feminino

1.faculdade de compreender emocionalmente um objeto (um quadro, p.ex.).

2. capacidade de projetar a personalidade de alguém num objeto, de forma que este pareça como que impregnado dela.

Por que arte? Essa visão foi a que trouxe o conceito ao mundo no começo do século XX. Quem a definiu assim foi o filósofo alemão Theodor Lipps. Gosto mais de uma definição que li depois e é creditada a um “parente” (risos) meu, um pensador de sobrenome Hoffmann:

A empatia é resposta afetiva vicária a outras pessoas, ou seja, uma resposta afetiva apropriada à situação de outra pessoa, e não à própria situação.

  
Seja como for, é algo que deveríamos exercitar na prática. 
Pesquisas indicam que a empatia tem uma resposta humana universal, comprovada fisiologicamente. Dessa forma pode ser tomada como causa do comportamento altruísta, uma vez que predispõe o indivíduo a tomar atitudes altruístas.

Empatia também pode ser relacionada a uma daquelas habilidades de “inteligência emocional”, expressão que foi moda no começo dos anos 2000 e que ainda tem valor para mudar um pouco a visão que temos do mundo ao nosso redor.

  
Segundo especialistas, a inteligência emocional ligada à empatia é: (1) cognitiva – relacionada com a capacidade de compreender a perspectiva psicológica das outras pessoas; e (2) afetiva – relacionada com a habilidade de experimentar reações emocionais por meio da observação da experiência alheia.

E é essa, a da experiência de “andar no lugar no outro, que se baseia a vivência proporcionada pelo primeiro Museu da Empatia que funcionou em Londres em setembro e é na verdade uma exposição itinerante.

  
Segundo li, numa das exposições do museu os visitantes encontram um espaço onde poderão se colocar no lugar de outras pessoas e ver o mundo através dos olhos delas. O objetivo é desenvolver a empatia e criar uma revolução global através das relações humanas. 

O visitante diz o tamanho do sapato ou pede uma sugestao de história para as organizadores. A pessoa então precisa vestir os calçados dessa pessoa, disponíveis em uma estante (em uma alusão à expressão inglesa in your shoes que literalmente significa “nos seus sapatos” mas cujo significado real é estar no lugar de alguém) e andar por uma milha neles (pouco mais de um quilômetro e meio). E enquanto caminha nos pés de outra pessoa, o visitante escutará um áudio em um pequeno ipod suffle com a história dela, como se fosse uma conversa com alguém que não está lá e vai descrever o mundo segundo a própria visão.

“Uma pesquisa científica revelou que 98% das pessoas tem a habilidade de criar empatia mas são poucas as que conseguem alcançar o potencial completo.”

Philippe Ladvocat esteve lá e contou da sua experiência num artigo no qual completou:

“Considerando que a incapacidade das pessoas de enxergar o ponto de vista alheio e de considerar as experiências e sentimentos dos outros é a raiz do preconceito, conflitos sociais e desigualdade, os criadores do projeto consideram que empatia é o antídoto perfeito.”

  
Baseado nas ideias do pensador cultural Roman Krznaric, o museu quer transformar a forma como as pessoas olham para mundo e para si mesmas, através de vídeos que também serão disponibilizados em uma versão digital online do lugar. O espaço virtual vai também incluir críticas de filmes e livros que ajudam as pessoas a enxergar outras experiências e abrir a mente para a empatia, de crianças que crescem no Teerão até alguém que nasceu cego ou um soldado lutando em uma guerra.

Quer ir além?

Tem dois livros de Roman Krznaric já publicados no Brasil pela Zahar: O poder da empatia e Sobre a Arte de Viver
  
Historiador da cultura e membro docente fundador da The School of Life de Londres, ele lecionou sociologia e política na Universidade Cambridge e na City University. É conselheiro de inúmeras organizações, entre as quais a Oxfam e as Nações Unidas. Autor de Como encontrar o trabalho de sua vida e How Changes Happens, foi descrito pelo Observer com um dos mais importantes pensadores britânicos dedicados ao estudo dos estilos de vida.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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