O papel da internet na mobilização social

“A história da brecha digital em termos de acesso é velha, falsa hoje em dia e rabugenta. Parte de uma predisposição ideológica de certos intelectuais interessados em minimizar a importância da internet. Há 2 bilhões de internautas no planeta, bilhões de usuários de celulares. Os pobres também têm telefones móveis e existem ainda outras formas de acessar a internet. A verdadeira diferença se dá na banda e na qualidade de conexão, não no acesso em si, que está se difundindo com rapidez maior que qualquer outra tecnologia na história.”
 Manuel Castells

Como não vislumbrar um pouco do Brasil nas palavras que o catedrático, sociólogo e diretor do Instituto Interdisciplinar sobre Internet na Universitat Oberta de Catalunya usou ao dissertar sobre as “rebeliões” que agitaram o que chamamos por aqui de Primavera Árabe?

Enquanto outros movimentos sociais (a Primavera de Praga, a resistência às ditaduras sul-americanas e outros tantos, alguns nos quais o próprio Castells esteve envolvido nos idos de 1960-70) foram mais elitistas, nos movimentos sociais que vemos florescer com a internet há uma “democracia” mais real, um acesso de fato irrestrito e universal no qual não cabe a “escolha” do interlocutor porque nos novos meios de comunicação (que chamo aqui frequentemente de “novas mídias”) estão aí disponíveis para todos e cada um de nós pode usar seus espaços em redes sociais como “mídia pessoal” nos quais podem defender suas ideias e criticar os erros que identifica no cotidiano.

Acredito que  este é o grande diferencial com o qual nós todos, os envolvidos em mobilização na web, nos apoiamos e que faz nossas ações serem tão inusitadas, imprevisíveis e por isso mesmo bem sucedidas à sua maneira: a internet nos permite vislumbrar e mostrar com fidelidade um momento da realidade.

Se este momento será duradouro ou se ele poderá mudar o status quo, isso importa menos do que a certeza de que ele criará raízes sólidas e unirá pessoas interessadas nos mesmos temas, criando e fortalecendo uma rede de novos mobilizadores e formadores de opinião.

Tema recorrente aqui no @avidaquer, O papel da internet na mobilização social será  debatido num encontro que acontece amanhã na ESPM, em São Paulo. O debate interativo Peixe Urbano Social Mob tem inscrições gratuitas e vagas limitadas, mas é democrático o suficiente para oferecer streaming.

😉

Estarei entre os debatedores, conversando sob moderação de Pedro Kranz (“PK”) Costa, Social Relationship Manager do Peixe Urbano, com Alexandre Inagaki (@inagaki), Bia Granja (@biagranja), Bob Wollheim (@BobWollheim), Gil Giardelli (@gilgiardelli), Liliane Ferrari (@lilianeferrari), Marco Gomes (@marcogomes), Martha Gabriel (@marthagabriel). Se for seguir por Twitter, vou tuitar do meu perfil pessoal, @samegui.

E para quem se interessa pelo tema, o Peixe Urbano Social Mob será transmitido ao vivo pela página no Facebook e será possível enviar perguntas em tempo real usando a hashtag  #peixeurbanosocialmob. Vale tentar vagas presenciais no e-mail para imprensa@peixeurbano.com.

P.S. Se você se interessou por ler mais sobre Castells, vale (muito) conferir a entrevista inteira dele aqui: Castells, sobre Internet e Rebelião: “É só o começo”.

Você pode gostar também de ler:
The following two tabs change content below.
Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

Comentários no Facebook