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Lá se vão 3 anos, mas ainda me dói ver as portas fechadas no Museu Paulista, mais conhecido como Museu do Ipiranga. Segundo informações oficiais, o museu deverá reabrir as portas só em 2022, ano do bicentenário da Independência. O prédio, que é tombado pelas três esferas do patrimônio histórico, foi construído no século XIX e passa por uma operação de diagnóstico preventivo em sua estrutura. 

O edifício tem 123 metros de comprimento e 16 metros de profundidade com uma profusão de elementos decorativos e ornamentais. O estilo arquitetônico, eclético, foi baseado no de um palácio renascentista, muito rico em ornamentos e decorações. A técnica empregada foi basicamente a da alvenaria de tijolos cerâmicos, uma novidade para a época (a cidade ainda estava acostumada a construir com taipa de pilão). 


E o que se perde neste tempo? 

O acervo do museu é incrível. 

São mais de 150 mil peças no acervo do museu, entre mobiliário, armas, vestuário, indumentárias, moedas, selos e pinturas da metade do século XIX até a metade do século XX, obras relevantes para a história do país e de valor delas incalculável.

A origem disso tudo tem um benemérito: a coleção particular reunida pelo coronel Joaquim Sertório, que em 1890, foi adquirida pelo Conselheiro Francisco de Paula Mayrink, que a doou, juntamente com objetos da coleção Pessanha, ao Governo do Estado. Em 1891, o presidente do Estado, Américo Brasiliense de Almeida Melo, deu a Albert Löfgren a incumbência de organizar esse acervo, designando-o diretor do recém-criado Museu do Estado. As coleções, ao longo dos mais de cem anos do museu, sofreram uma série de modificações com o desmembramento de parte de seus acervos e incorporações.
Atualmente, esses itens todos, precisam de cuidados para resistirem ao tempo.

A diretoria do museu explica que a longa obra é necessária por causa dos mais de “120 anos de movimentação no prédio. Nenhum edifício é estático. Essa acomodação implicou algumas fissuras, que estão sendo observadas. Teremos um museu modernizado, com a questão da mobilidade, que é muito importante, resolvida de uma vez só.”

Então tá, a gente espera, né? 

Realmente tem muita coisa precisando de reparos.


Enquanto isso, vale relembrar a história:


A obra é do arquiteto e engenheiro italiano Tommaso Gaudenzio Bezzi, contratado em 1884 para concretizar o sonho do monumento no local onde aconteceu o evento histórico da Independência do Brasil. 

Diz a história que as obras foram concluídas em 15 de novembro de 1890, no primeiro aniversário da República. Cinco anos mais tarde, foi criado o Museu de Ciências Naturais, que se transformou no Museu Paulista. Em 1909, o paisagista belga Arsênio Puttemans executou os jardins ao redor do edifício, um projeto substituído, provavelmente na década de 1920, pelo paisagismo do alemão Reinaldo Dierberger, que é o que se mantém até os dias atuais.


Nas visitas que fiz ao museu (e eu tinha o prazer de levar amigos e parentes de fora da cidade para conhecer) sempre me surpreendeu o imenso quadro Independência ou Morte, mais conhecido como “O Grito do Ipiranga” (óleo sobre tela de Pedro Américo – 1888).

É dessas coisas que fazem a gente repensar aquelas histórias que transformam a independência em um espetáculo “vira-latas”. No geral, visitar museus como esse e como o Museu Imperial (em Petrópolis), nos faz ter orgulho do nosso país.


E nesta linha, uma sugestão: até 2022 dá tempo de ler (e reler) a trilogia de Laurentino Gomes, que conta de um jeito novo, interessante e menos coercitivo os episódios históricos do Império. Comece com “1808 – Como uma rainha louca, um príncipe medroso e uma corte corrupta enganaram Napoleão e mudaram a História de Portugal e do Brasil“,  livro que narra a chegada da corte portuguesa ao Brasil. Leia também 1822 e 1889. Eu os tenho como referências valiosas.

😉


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