O menino e o burrinho na Mooca

Está aqui nos palcos do meu bairro a peça O Menino e o Burrinho, em cartaz no Teatro Arthur Azevedo. Falo com entusiasmo como se fosse um projeto meu, porque adoro Ou Isto Ou Aquilo da Cecília Meirelles e fiz uma amizade virtual com as meninas do Cincoincena e acabei me sentindo meio da família. (huahuahua)

Para mim tudo começou com a peça de teatro que vimos no Centro Cultural São Paulo nas férias de verão do ano passado. Giorgio ainda era meio pequeno, nem sei se entendeu tudo, mas Enzo relembrou o Chico Bolacha (que ele adorava quando tinha um aninho) e nós adoramos. Na saída paramos para bater um papo com as atrizes e combinamos uma entrevista, que acabou sendo feita online e eu publiquei aqui.

Neste final de semana planejo ir novamente com os meninos para curtir a viagem deste menino que sai em busca de um burrinho que ele nunca viu, mas tem certeza de que será seu amigo. Partindo desse eixo narrativo, baseado no poema “O Menino Azul”, as poesias vão ganhando espaço nas falas dos personagens, de modo natural e encantador.

Obs: Faço questão de destacar a trilha sonora com músicas de Heitor Villa-Lobos, Bela Bartók e Pierre Attaingant.

Serviço:

  • “O MENINO E O BURRINHO”
  • Com Iris Yazbek e Lívia Lisbôa. Direção: Bia Borin. Produção: Núcleo Base Produções Artísticas. Realização: CincoInCena da Cooperativa Paulista de Teatro.
  • Recomendada para crianças de 4 a 10 anos.
  • 50 minutos.
  • De 07 de junho a 27 de julho. Sábados e domingos às 16horas. Teatro Arthur Azevedo: Av. Paes de Barros, 955 – Mooca.
  • Ingressos: R$ 10,00 (Inteira)
  • R$ 5,00 (Estudantes, Aposentados e Classe Artística).
  • Visite o blog da peça

P.S. Abaixo a história de como tudo começou para eles:

Tudo começou com as poesias do livro Ou isto ou aquilo, de Cecília Meireles. No início de 2007 surgia o espetáculo “O MENINO E O BURRINHO”, numa temporada de sucesso no Centro Cultural São Paulo, que atraiu um público de mais de 2000 pessoas. A segunda temporada foi a convite do Teatro Aliança Francesa, nas férias de julho da garotada. As aulas voltaram, e a peça também não parou: as atrizes do grupo Cincoincena foram para escolas, instituições, clubes e até cidades próximas de São Paulo. Um ano depois, a poesia de Cecília Meireles chega ao palco do Teatro Arthur de Azevedo, na Mooca, no dia 07 de junho.

O espetáculo, do grupo CincoInCena da Cooperativa Paulista de Teatro, surgiu da vontade de falar sobre escolhas. “Quando lembramos do livro Ou isto ou aquilo, de Cecília Meireles, entendemos que queríamos contar uma fábula de coragem”, explica a diretora Bia Borin. “Cecília começou a escrever quando menina e não parou mais. É uma de nossas maiores poetisas e tinha uma preocupação profunda com as crianças”.

Escolher é sempre difícil, é um dos grandes conflitos da humanidade. Não importa se o desafio é comprar apenas uma bola de sorvete (e agora: de que sabor?), se a escolha é entre ficar parado ou sair correndo; ser astronauta ou pescador. Em cada etapa da vida, novas portas surgem – e deixamos para trás antigos caminhos.

Trabalhar com poesias, dar-lhes forma no palco foi também um desafio para o grupo. Os personagens dos versos ganham voz na interpretação das atrizes Lívia Lisbôa e Iris Yazbek – seja uma menina que quer ser bailarina, seja um bicho da fazenda de Chico Bolacha, seja a chuva que encharca a rua trazendo a enchente. Música e ritmo produzido com os objetos e os adereços somam-se aos jogos sonoros das palavras dos poemas de Cecília. Luz e sombra dão contorno aos personagens e histórias. Alguns compositores ilustres embarcaram nesta viagem, criando cenas, dando vida aos personagens, jogando com o ritmo da narrativa. São os músicos Heitor Villa-Lobos, Bela Bartók e Pierre Attaingant, que fazem parte da trilha sonora.

Então, vemos que a poesia tem vários níveis de significação e por isso é tão rica, tão gostosa de ler, de ouvir, dizer, cantar e brincar de teatro. Porque fala de coisa séria de um jeito simples e, como quem não quer nada, nos inicia no grande mistério insolúvel que é tentar entender o mundo, o amor, o medo, o tempo, a solidão e a amizade, a dor e a descoberta da vida.

Texto e direção se unem, portanto, para criar um mundo mais cheio de cor, de imaginação, de fantasia, onde é possível olhar a realidade de uma forma diferente; com olhos de criança (porque qualquer homem carrega dentro de si a criança que foi – e que é); com olhos de poeta.

Como uma criança que entra em contato com o teatro pela primeira vez, um andarilho chama a atenção da platéia, tenta conquistar sua simpatia e tornar único este encontro inusitado.

Surpreendido pela memória de um menino estranho, que lhe parece familiar, aos poucos o andarilho vê surgir, através das sombras, o personagem da sua história. Narra, então, as aventuras de um menino que procura um burrinho, esbarrando em medos antigos, conversas do passado, velhas perguntas e amores eternos.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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