mãe


Um texto me emocionou: Isabel Cristina, filha única e mãe de uma garotinha de 2 anos, fala sobre A solidão do filho único . Ela diz em certo trecho:

Atualmente, esta é a realidade de muitas famílias, que por vários motivos preferem ou podem ter um único filho (maternidade tardia, condições financeiras, etc.). E não estamos preparados para criar filhos únicos. O principal receio dos pais de filhos únicos é criar filhos tiranos e egoístas. Mas este é o menor dos problemas, que com uma boa dose de limites, muito diálogo e boa vontade dos pais pode ser superado. O maior problema do filho único é a solidão.
Já notaram como no mundo de hoje é comum a solidão? As famílias estão menores, as pessoas não interagem umas com as outras como antigamente, até uma visita ao vizinho é rara. A violência nos prende em casa. Se já é bastante solitário para o mundo adulto, imagine para uma criança criada em meio a adultos. O maior desafio para os pais de filhos únicos é desenvolver em seus filhos o espírito da socialização, a capacidade de buscar o outro, ou mesmo a capacidade de conviver bem sozinho.

Sou de uma familia grande e sempre falo que queria dar aos meus filhos esta experiência de ter irmãos, porque os meus foram – e são – muito importantes para mim. E eu vejo os filhos únicos, mesmo que não tenham ninguém para provocar, pegar e estragar  os brinquedos, dividir carinho e presentes, pessoas tristes, solitárias, ansiosas por momentos de troca com outros iguais. As crianças se sentem bem entre os que são da sua idade, que lhes entendem, numa confraria. Os adultos não conseguem fazer as mesmas brincadeiras, os mesmos desafios, mesmo jogando super trunfo, assistindo tudo do Backyardigans, sendo companheirões.

 

Quando eu engravidei do Giorgio – sem planejar e com o Enzo ainda mamando no peito – a mãe de uma amiga minha citou um ditado que ela conhecia da Espanha (onde nasceram os 8 filhos): vai ser bom, pois “um é nenhum” . E foi ótimo terem quase a mesma idade e serem do mesmo sexo. Mas vejo relatos como os da Evellyn e de sua irmã, da Andréa e da Fabiana, tantos anos de diferença, e vejo que não importa, o que conta é o  vínculo afetivo. Claro, este vínculo pode ser de primos – minha sogra tem uma prima que é uma irmã e mais ligada a ela do que o irmão – mas precisa existir.

Um colega de escola do Gio que adora vir aqui brincar é filho único e a mãe foi filha única, criada sendo mimada e muito amada pelos pais e a avó. Ela conta que, em poucos anos, os três morreram – “Eles me abandonaram”, diz – e se viu completamente só no mundo. Já pensaram que isso pode acontecer com o filho da gente?


The following two tabs change content below.
Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

Comentários no Facebook

SEO Powered by Platinum SEO from Techblissonline Estatísticas