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Cresci ouvindo histórias de grandes aventuras do meu avô, Sadanori, que, nascido no Japão em 1899, chegou ao Brasil com14 anos e conheceu muito as picadas de São Paulo, Mato Grosso e Paraná.

Em muitas delas uma constante: o cuidado com a comunidade que posso representar na atitude de sempre guardar para enviar ao Instituto Butantan os exemplares de cobras que precisava matar no interior.

  

Relembrei muitas dessas histórias porque neste domingo o Instituto Butantan terá uma programação especial para celebrar o aniversário do seu primeiro diretor, Vital Brazil Mineiro da Campanha, nascido em 28 de abril de 1865.

Espero que se estude nas escolas os feitos desse brasileiro.

O primeiro grande passo para a afirmação internacional do Instituto Butantan, um dos maiores centros de pesquisa biomédica do mundo, foi dado por Vital Brazil, ao contrariar a suposição, defendida na Europa, de que haveria um único antídoto para tratar todo tipo de acidente envolvendo serpentes. Ao comprovar a especificidade dos venenos de cada espécie, que demandaria soros distintos, Vital Brazil conquistou um lugar fundamental para a ciência brasileira nessa área.

  Mas 

No estado de São Paulo, o Instituto passou rapidamente a ser reconhecido como referência no combate ao ofidismo, graças também à visão de Vital Brazil: ao estruturar um sistema de divulgação, parceria com as principais vias férreas do estado e permutas com fazendeiros, foi possível reduzir o número de mortes por acidentes com serpentes e aproximar o público dessa importante questão de saúde pública. 

E ao conhecer o museu, eu entendi porque meu avô era tão influenciado! 

  

Além de promover conferências e publicações sobre o tema, o Instituto fornecia caixas, rótulos e ferramentas para a captura de serpentes; as caixas podiam ser despachadas gratuitamente nas estradas de ferro conveniadas e o remetente recebia em troca o soro antiofídico. Assim, era possível estudar a biologia das serpentes e coletar o veneno para a produção de soro. Em 1911, já eram 560 os fazendeiros do estado em contato com o Butantan, que enviavam cerca de 2 mil serpentes anualmente, o que na época se traduzia na produção de 2 mil ampolas de soro.

Se você estiver em São Paulo hoje, vá celebrar com a família no Butatan. O espaço é ótimo e as crianças se divertem.

  

Neste domingo, às 11h, a programação conta com uma caminhada histórica pelo parque, percorrendo os prédios centenários da instituição. A atividade, guiada por educadores do instituto e será oferecida para pessoas de todas as idades, abordando detalhes da atuação de Vital Brazil no Butantan.

Às 12h30, o público poderá conferir a inauguração da exposição temporária “Conservando serpentes: conheça os novos filhotes do Museu Biológico”. As novas ninhadas nasceram há alguns meses no Museu Biológico do Instituto e contam com filhotes da Bothrops insularis, ou jararaca-ilhoa, espécie ameaçada de extinção.

  

O Instituto Butantan fica na avenida Vital Brasil, 1.500, zona oeste de São Paulo. A entrada para os três museus é única e custa R$ 6. Estudantes pagam R$ 2,50. Crianças até sete anos, idosos a partir de 60 anos e portadores de necessidades especiais não pagam. Os museus funcionam das 9h às 16h30. Mais informações: www.butantan.gov.br.

  

Em Niteroi, no Rio de Janeiro, está outra parte do legado desse cientista. O Instituto Vital Brazil atende o setor público com a produção de soros e medicamentos de uso humano, além de realizar estudos e pesquisas no campo farmacêutico, biológico, econômico e social. Criado em 3 de junho de 1919, pelo próprio Vital Brazil, fica no bairro homônimo, e tem uma filialem Cachoeiras de Macacu, a Fazenda Vital Brazil, inaugurada em 28 de abril de 2010, onde são criados os cavalos que fazem parte do processo de produção de soro. 


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