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Tudo começa assim: numa barbearia do Harlem homens de várias faixas etárias discutem sobre os maiores nomes do basquete, com menções ao filme “Scarface” e “um Dia de Cão”, excelentes thrillers urbanos ambientados no Harlem.

Lá no fundo Luke Cage varre o chão do salão – sim, é o namorado de Jessica Jones.

A terceira série do Universo Marvel dos quadrinhos  a ganhar vida no Netflix – já foram duas temporadas de “Demolidor” e uma temporada de Jessica Jones – é diferente de tudo o que já foi produzido até aqui.

E deve ser por isso que me agradou mais.

Estou degustando Luke Cage. 

Na série, Mike Colter interpreta Luke, um homem com superforça e pele impenetrável que luta contra o crime. Mahershala Ali, Alfre Woodard, Simone Missick, Theo Rossi, e Frank Whaley também fazem parte do elenco. 
Mas o grande astro é o Harlem, bairro de Manhattan conhecido por ser um grande centro cultural e comercial dos afroamericanos. 

Apesar de o nome ser geralmente atribuído a toda a região alta de Manhattan, o Harlem é tradicionalmente limitado pela Rua 155 (155th Street) a norte e o Rio Harlem a leste. O limite ocidental de Harlem é o Rio Hudson, que serve adicionalmente como limite da cidade, do condado (county) e do estado de Nova York.


Sim, é como as quadras que delimitam Hell’s Kitchen do Demolidor, não por acaso outro personagem da Marvel e um dos Defensores.

O nome Harlem vem de “Nieuw Haarlem” (Nova Haarlem), o assentamento holandês que fazia referência à cidade de Haarlem, nos Países Baixos, terra dos primeiros imigrantes da região que chegaram com a Companhia das Índias Ocidentais. Também é o nome de um velho dono de bares, primeiro patrão de Billie Holiday.

Ah, agora você entendeu aquele night club e das musicas incríveis de cada episódio! Pois é! 

A série é, como eu disse, para degustar.

Quando a série começa, Luke (Mike Coulter, de The Following e The Good Awife) se divide em dois empregos. Além da barbearia comandada por Pops (Frankie Faison, de Banshee), Luke também lava pratos na boate de Cornell “Boca de Algodão” Stokes (Mahersala Ali, de Jogos Vorazes: A Esperança e House of Cards), um gângster local que utiliza parte do seu dinheiro sujo para financiar a campanha de reeleição da prima Mariah (Alfre Woodard, de Capitão América: Guerra Civil) à câmara de vereadores de Nova York. Uma das formas dele ganhar dinheiro envolve o tráfico de armas e é justamente quando uma dessas negociações dá errado e um dos protegidos de Pops é assassinado que Luke acaba sendo arrastado, totalmente a contragosto, para o submundo de corrupção e violência do Harlem. Aos poucos, a população local toma consciência de quem ele é e do que pode fazer e Cage pode dizer adeus à sua vida no anonimato.

E aqui precisamos novamente de uma pausa, para evitar SPOILERS e para explicar o sentido de Mariah, Cornell, Pops e Luke naquele Harlem dos quadrinhos. 

Luke Cage foi um dos primeiros super-heróis afroamericanos a estrelar uma revista em quadrinhos (o primeiro foi Lobo da Dell Comics) e surgiu na Marvel visualmente inspirado nos filmes blackploitation dos anos 1970. 

Saiba mais aqui:



Crescer sendo negro lá…

Na Grande Depressão, muitos negros ficaram desempregados e acabaram fixando residência no Harlem, tornando a região extremamente povoada, sem estrutura, nada de trabalho, com péssimas escolas e nenhum policiamento.

Deste contexto, nasceram inúmeras manifestações e o local se consolidou como referência na luta do movimento negro pelos direitos civis nos Estados Unidos. Mas abandonado pelo poder público, foi se transformando num núcleo de medo e insegurança com gangues, criminalidade e tráfico de drogas andando de mãos dadas.

Aliás, até a década de 1980, não só o Harlem, mas toda Nova York estava tomada pelo crack e pela criminalidade, o que exigiu uma ação pública efetiva para transformar toda a cidade. Lembra da política de Tolerância Zero?

A partir do anos 1990, o Harlem ganhou obras de saneamento básico, calçamento (imagine, nem isso tinha!) e diversos incentivos fiscais para quem quisesse investir ali. Os empregos voltaram, a retomada cultural foi imediata e, hoje, é referência na dinâmica social e histórica dos afro-americanos, conferindo uma identidade muito própria à região.


Está num próximo roteiro meu? Com certeza!

São dezenas de lojas e mercados voltados para a cultura negra, igrejas gospel tradicionalíssimas, assim como inúmeras casas de jazz que perpetuam um dos ritmos mais famosos dos Estados Unidos. A Columbia University, considerada a instituição mais antiga de Nova York, está lá. A marca afroamericana se revigorou até na comida, dando origem à soul food, oferecida em diversos restaurantes.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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