O exercício pode “secar” o leite?

Não sou mais uma mãe que aleita filhos desde 2004, mas ainda me considero muito ligada nos assuntos – não o suficiente para char legal quando me oferecem por Twitter promoções para ter absorventes de seios para excesso de leite, mas animada para estimular outras famílias a adotarem o aleitamento materno por um tempo mais prolongado.

Na sexta-feira aconteceu a Blogagem Coletiva Para o bebê, o melhor leite é o da mãe, uma proposta da blogosfera materna que objetivava disseminar a informação de que o leite materno é o melhor para o bebê.

O leite artificial deve ser utilizado apenas quando não há possibilidade real de amamentação, quando a mãe encontra alguma dificuldade fisiológica para amamentar ou em casos específicos. Dar o leite artificial ou o leite de vaca no lugar do leite materno quando a mãe tem condições de amamentar não traz benefício algum. A ideia desta POSTAGEM COLETIVA é UNIR todas as pessoas que são pró-amamentação, quer amamentem ou não, e ajudar a difundir a importância do aleitamento materno. Quem tem blog, faz um post. Quem não tem, posta em seus sites pessoais o lembrete de que o leite materno é o melhor alimento para o bebê (a imagem linda desse convite é de Silvia Falqueto).

Como já escrevi inúmeros textos sobre o assunto, resolvi listá-los ao final do post e publicar um um artigo que recebi e tratava dos exercícios físicos e a lactante, reforçando que para a mãe se sentir bem e feliz aleitando é importante que ela também esteja bem de saúde. De acordo com Gizele Monteiro (do Mais Vida), o retorno ao exercício no pós-parto sempre deve ser gradativo, mas não só por uma preocupação com a amamentação.

Durante o período gestacional, muitas alterações corporais ocorreram e o retorno ao exercício deve sempre ser orientado por um profissional que entenda essas mudanças do organismo feminino, diferenciando assim o programa e o atendimento.

Um profissional que entende o que acontece com a mulher saberá dosar o exercício numa intensidade adequada para que essa questão não seja respondida de forma positiva. A produção de leite consome muita energia. Uma mãe em fase de amamentação produz entre 800 e 1200 ml de leite por dia e, para cada litro de leite que produz, há um gasto de 900 calorias em média.

Portanto se o “exercício for intenso ou num volume elevado” e a mulher tiver uma ingestão alimentar inadequada poderá prejudicar a amamentação, pelo alto gasto energético que ocorre nesse período. Além do exercício e da ingestão alimentar inadequada, uma hidratação inadequada também poderá comprometer o aleitamento materno.

E a história de que o leite pode mudar de gosto por conta do excesso de exercício?

Tem fundamento. Pesquisas relacionadas à amamentação e exercício observam um aumento de ácido lático no leite materno. Esse aumento relaciona-se com a intensidade do exercício, isto é, quanto mais intenso mais ácido lático no leite. A grande discussão era que esse ácido lático poderia modificar o sabor do leite e dessa forma o bebê passaria a não aceitá-lo, sendo então que de forma indireta o exercício estaria interferindo na aceitação do bebê ao leite após o exercício pela mudança no sabor deste.

Alguns autores observaram essa resposta, havendo uma diferença na aceitação do leite em mães que realizaram “exercício máximo”, sendo o mesmo associado ao aumento da concentração de ácido lático. Os estudos com intensidades adequadas “não mostraram efeitos negativos” sobre a amamentação.

Citando Cary & Quinn (2001), a especialista traz dados que corroboram que o exercício e amamentação são atividades compatíveis, informando que dentre os vários estudos analisados não há comprovação de efeito prejudicial do exercício durante a lactação não afetando a composição, o volume do leite, o crescimento, o desenvolvimento infantil, ou a saúde materna.

O exercício também teria um efeito muito importante na melhora da aptidão cardiovascular nas lactantes e na sensação de bem-estar quando comparara lactantes ativas com mulheres sedentárias.

O importante é que o “personal trainer” saiba organizar a sessão de treino para que as intensidades não sejam ultrapassadas, não só pelo aspecto da amamentação, mas também pelo exercício intenso ou em grande volume poder comprometer o sistema músculo-esquelético nesse período.

E vale lembrar: como as mamas ficam maiores e mais pesadas durante a gravidez e no período pós-parto (na fase de amamentação), é importante cuidar delas no caso de atividades de impacto (como corrida), certificando-se de que estejam bem firmes. Como no caso dos sutiãs de aleitamento, é importante usar tops reforçados.

P.S. E para quem de interessar pelo tema, neste link estão os textos já publicados no @avidaquer sobre Aleitamento Materno.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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