O Direito do Olhar e a visão da mulher encarcerada

Imaginem uma visão poética vinda de meninas e mulheres privadas de liberdade. Este projeto, chamado “O Direito do Olhar”, surgiu em 2005 e acaba de virar livro, lançado hoje, reunindo o que começou com um concurso cultural envolvendo fotografia, literatura e desenho, realizado em todos os estabelecimentos prisionais femininos de SP e também na Fundação Casa e Hospital Psiquiátrico.

Partindo da ideia de que, através da arte, é possível “sensibilizar aqueles que não conhecem a dura realidade dos que se encontram privados de liberdade, demonstrando a beleza que neste ambiente ainda pode e deve ser gerada”, mulheres e meninas privadas de liberdade foram convidadas a participar (as inscrições foram abertas de modo universal em todos os estabelecimentos prisionais envolvidos) a partir de agosto de 2005.

Imaginem estas mulheres encarceradas escolhendo uma forma de expressão na pintura, fotografia (com máquinas descartáveis) e literatura (poesia e contos). O resultado foi animador: 680 inscritas, sendo 120 participantes em cada categoria, num total de 360 mulheres que participaram de oficinas de orientação de Desenho (com orientação do Projeto Aprendiz), Fotografia (Associação Novolhar), Literatura (Nova União de Arte (NUA) e jornalista e escritor Luis Mendes).

Com prefácio de Gilberto Gil, pósfácio de Marcio Thomaz Bastos, além de “pitacos” de Ricardo Ohtake, Drauzio Varella (dentre outros apoiadores engajados na proposta), o livro é parte do projeto que tem também um documentário realizado pela Associação Novolhar.

(Meus agradecimentos à Tânia Matos que compartilhou comigo a notícia e o convite para o lançamento do livro)

P.S. A Novolhar realiza há 11 anos um trabalho na Bela Vista que foca na inclusão social de crianças, jovens, família e comunidade e mantém uma produtora social ques jovens em situação de marginalização. Segundo contam em seu site, a partir da história om história, limitações, desejos e anseios dos jovens, o “Banco de Talentos conta com um educador responsável pelo acompanhamento [destes jovens] junto à equipe, identificando problemas e descobrindo soluções”.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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