O colostro que nos confere superpoderes

[Este post foi escrito para ir ao ar na Segunda de Saúde, mas acabou ficando no rascunho. Posto hoje, mesmo que com certo atraso.]

O leite chegou com força no nosso terceiro dia de maternidade e Manu adorou.

O colostro, que limpa e prepara o aparelho digestivo do recém-nascido, já tinha feito seu trabalho e sido substituído pelo leite abundante. Como dizem, se deixar o bebê “chamar” o leite, tudo flui naturalmente.

Manu se esforçou muito nos primeiros dias de vida “chamando” o leite, marcando uma das primeiras (de muitas) conquistas dela.
🙂

Sabem que este leitinho especial não é privilegio humano?

Colostro é uma forma de leite de baixo volume secretado pela maioria dos mamíferos nos primeiros dias de amamentação pós-parto.

Sua composição tem vários ingredientes valiosos para o desenvolvimento e proteção do filhote, como água, leucócitos, proteínas, carboidratos, se transformando gradativamente em leite maduro nos primeiros quinze dias pós-parto.

O colostro tem uma importante função na imunidade passiva de algumas espécies de animais. Nele existem uma grande quantidade de imunoglobulinas, que em determinadas espécies não conseguem passar pela placenta, ficando a cargo total do colostro tranferir da mãe para o filho. Além da quantidade de imunoglobulinas, o colostro se difere do leite pela quantidade de sólidos totais, proteínas e demais fatores. Com o tempo, essas diferenças vão diminuindo e essa secreção vai se transformando em leite.

Nos bebês humanos, o colostro é a única substância capaz de eliminar todos os resíduos de mecônio do trato gastrointestinal do bebê, ajudando o intestino a amadurecer e funcionar de maneira eficiente, além de prevenir o aparecimento de alergias, infecções e diarréia, pelo adequado controle e equilíbrio das bactérias que se desenvolvem no seu intestino. No dia do parto o colostro se apresenta ainda mais rico, daí as primeiras horas de vida serem chamadas por especialistas de “golden hours”.

Além disso, como o colostro é rico em células imunologicamente ativas, anticorpos e proteínas protetoras, funciona como uma primeira vacina, protegendo o bebê contra várias infecções.

Colostro ajuda a regular o próprio sistema imunológico em desenvolvimento porque:

– É rico em vitamina A que ajuda a proteger os olhos e a reduzir as infecções.

– Ao estimular os movimentos intestinais para que o mecônio seja rapidamente eliminado, ajuda na prevenção da icterícia.

– Vem em volumes pequenos, de acordo com a capacidade gástrica de um recém-nascido.

Que mulher não se sente com super poderes sabendo que pode oferecer tudo isso?

P.S. Apesar de advogar pelo aleitamento na primeira hora, participando ativamente de campanhas internacionais sobre o tema, não consegui aleitar meus três filhos na sala de parto. Os meninos mamaram assim que foram para o quarto (com 2 a 3 horas de vida) e Manu mamou na UTI neonatal, onde ficou nas primeiras 18 horas sob observação por conta da sua respiração oscilante. Felizmente contei com total apoio da equipe do São Luiz e eu e meu marido tivemos liberdade irrestrita para ficar com ela na UTI durante todo o tempo, boa parte dele aleitando.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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