O brinquedo mais simples, aquele que qualquer menino é capaz de fazer funcionar chama-se avô #PaisAos40

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Neste final de semana fui ao cinema num shopping que sempre frequentamos. Estar com carrinho de bebê (ainda mais pink, como o de Manu!) chama atenção e nos garante sorrisos e pausas para agradecer a gentilezas e elogios. E a gente, claro, também olha, sorri e acompanha os outros bebês que aparecem no caminho.

Deste acompanhar notei que as crianças pequenas podem ser divididas em “sozinhas com celular/tablet” ou “sendo mimadas pelos avós”. Os pais (me incluo em parte nisso) muitas vezes são pessoas cansadas, com vontade de “terminar logo o que precisam fazer” e atendem de uma forma um pouco mecânica à curiosidade e às necessidades os pecorruchos. Mas os avós, estes, quando estão com os pequenos da família, me parecem sempre pessoas dispostas e disponíveis para amar e agradar.

A culpa não é nossa.

Na verdade é um fenômeno da natureza que a gente deveria poder viver para que tudo dê certo. Funciona assim:

Os avós recebem os netos na sua melhor idade, na fase em que já sabem que passa rápido, que logo eles vão querer os amigos, os games, as namoradas, as viagens. Eles se tornam avós sabendo que é possível fazer concessões com horários e alimentos, dando um jeitinho para que excessos sejam apenas carinho e que nada prejudique o desenvolvimento saudável. Ao ganhar netos para mimar, eles estão com as reservas cheias, pois pouparam muito amor e tempo para dar para as pequenas continuidades dos seus próprios filhos amados.

Quanto aos pais, ganhamos os bebês na fase mais agitada das nossas vidas. Estamos sempre correndo, lutando, cansados, com pressa para que tudo tenha um resultado bem sucedido: misturamos os anseios naturais da vida social e profissional com o engatinhar, o comer bem, a fala clara e a escrita precoce. Queremos que nossos filhos sejam tudo aquilo que vimos por aí e queremos agora! E para isso, garanto, a gente se esforça prá caramba, fazemos tudo, estimulamos com atividades, lemos livros e vemos filmes até decorar tudo, cozinhamos papinhas perfeitas, planejamos as festas de aniversário mais incríveis e compramos os melhores brinquedos.

Daí um dia aparece o avô com um apito, uma caixinha de papelão vazia ou só fazendo careta e mostrando a língua e, em milésimos de segundo, nos tornamos obsoletos.

Sabem por quê?

“O brinquedo mais simples, aquele que qualquer menino é capaz de fazer funcionar chama-se avô.”
Sam Stevenson

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P.S. E um viva para os filhos “rapinha do tacho”, que nascem tardiamente, quando os pais já estão com coração mole de avós e a energia de quem ainda pode ter filhos próprios. Nossa Manu é assim!

P.P.S. A frase que deu origem ao post eu vi no tumblr da linda família “Três Gerações“, um blog escrito por mãe e avó.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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