cidadania

Li na edição de hoje do Valor Econômico um artigo de Alexandre de Freitas Barbosa (doutor em Economia Aplicada pela Unicamp e professor de História Econômica do IEB/USP) no qual ele comentava a semelhança de dois pareceres sobre nosso país. O mais recente seria uma extensa matéria sobre o Brasil publicado na revista The Economist (creio que este:Latin America’s big success story ). O segundo, pasmem, era uma crônica escrita pelo português Eça de Queiroz por volta de 1880 e publicada no livro Cartas da Inglaterra (obra de domínio público que pode ser baixada aqui).

O que surpreendeu o autor foi a semelhança da fórmula usada pela revista e o artigo do Times citado por Eça e publicado há 130 anos. Será que para o “mundo” continuamos sendo o país que precisa escolher “entre deixar sua riqueza estéril ou multiplicá-la pelo trabalho, desde que sob supervisão dos mais experientes”?

No texto inglês conta-se a história econômica do nosso país sob um filtro que eu chamaria de ardiloso, lembrando a lenda urbana de que nos EUA livros didáticos ensinariam às crianças que a Amazônia é território mundial (ou deles), contando que vivemos completa estagnação econômica no século XX e fomos salvos em 1994. Mas, garante a revista inglesa, o Brasil pode fazer parte do futuro próximo das cinco maiores economias do planeta, ja que se tornou autossuficiente em petróleo, adquiriu “investment grade”, se tornou credor do FMI e tem recebido uma nova onda de investimentos externos.

As questões sociais são vistas com uma miopia ainda maior – e nem prefiro comentar. Mas o fato é que ensaios assim, que emitem uma opinião tão obtusa e tendenciosa sobre nossa realidade,  já não são mais, como diz Dr. Alexandre Barbosa, “ideias escritas por eles sobre nós”. Ao se repetir, elas “reverberam a cantinela local dos nossos falsos consumistas, dos que comungam da mesma visão de mundo”.

Faço coro com o professor quando diz: “não devemos deixar que o espelho deformado do Brasil afete os desteinos do Brasil real, que fala um idioma que já passou de português, possui uma imensa dívida social, tem sede de soberania e apenas desperta – depois de uma longa insônia – para o sonho do desenvolvimento”.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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