Que coisa louca: é verdade que o amor é cego! Quem diria?

“No recém-lançado “Sobre Neurônios, Cérebros e Pessoas” (Atheneu), o médico e neurocientista carioca Roberto Lent, 62, fala sobre descobertas da neurociência em uma língua que todo mundo entende. Nesta entrevista à Folha, ele explica como a desativação de certas partes do cérebro comprovam que o amor é cego e o ser apaixonado, louco.”
Iara Biderman

Ontem à noitinha vi esta nota na página da Folha de S. Paulo do Facebook: Neurocientista explica por que o amor é cego. Na hora tuitei brincando:

Que coisa louca: é verdade que o amor é cego! Quem diria?

E lendo a matéria com calma, gostei de várias coisas. A principal é a ideia de que Somos programados para amar. Bonito, não? Lent reforça a ideia que os românticos defendem há séculos: “Animais são programados para reproduzir, mas não podemos dizer que se amam. No nosso caso, há um ingrediente a mais, que é a experiência subjetiva“.

Aquelas sensações do amor – do arrepio ao orgasmo, do que nos faz corar, suar, ofegar, o coração bate mais rápido até se exibir para a pessoa amada – temos reações que poderiam ser confundidas até com o medo, admite o neurocientista. Segundo ele, estudos usando ressonância magnética funcional (aquela que mostra imagens do cérebro em atividade) é possível fazer um mapa de regiões que são ativadas em situações relacionadas ao amor e considerando as principais regiões ativadas (ínsula e núcleo acumbente, que não me perguntem o que são, mas vocês podem ver aqui) e notar que há ativação dessas regiões e desativação de outras áreas no lobo frontal do cérebro.

Em termos leigos, o que isso significa?

As regiões frontais são associadas ao raciocínio, à busca das ações mais adequadas. Desativar essas regiões significa perder o controle. Na paixão, a pessoa deixa de levar em conta certas contingências sociais e faz coisas meio malucas. A expressão “o amor é cego” reflete a percepção dessa desativação do lobo frontal descoberta pela ciência.

Segundo o pesquisador português Antônio Damásio, cada emoção tem uma combinação do que ele chama de marcadores somáticos, diz Lent.

“Quando você tem de novo a exata combinação, produz o mesmo sentimento. No caso do amor, fica marcada em seu cérebro uma combinação de circuitos e reações que é ativada quando você encontra a pessoa amada, vê uma foto dela ou apenas pensa nela.”

Em suas palavras, a função do amor é aproximar pessoas, inclusive aproximações improváveis: como o amor é cego, você pode amar pessoas que normalmente são rejeitadas por outros. Sempre haverá um certo alguém para outro alguém. E nesta ideia de que seria desfavorável para as espécies se só se aproximassem entre si pessoas loiras de olhos azuis, eu ri e me achei porque afinal, sou uma mistura étnica, tanto quanto meus filhos!

E aí, você concorda com o pesquisador? Será que o amor é realmente cego ou na verdade ele é muito mais “inteligente” e vê mais longe do que os olhos na perpetuação da nossa espécie?

P.S. E tinha como não lembrar do filme O Amor é Cego, no qual o personagem de Jack Black é hipnotizado e passa a ver a beleza interior das pessoas no lugar de sua aparência externa? Divertido e um convite à reflexão.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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