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As pessoas maximizam o valor do ensino formal (o acadêmico que dá diploma) e minimizam o ensino informal e livre, em especial aquele que se dá no seio da família. Noto em muitos papos que o grande investimento se dá por este lado, muito mais do que o íntimo e pessoal.

Pois está em tempo de rever muitos destes conceitos. Dados científicos comprovam que o carinho dos pais, recebido na primeira infância (período entre 0 e 5 anos), é o grande responsável por reações cerebrais – às vezes só manifestadas na vida adulta. Quem afirma é a neurocientista Suzana Herculano-Houzel, uma das principais estudiosas da “mente das crianças”.

Saber que além da genética, as experiências vivenciadas nos primeiros três anos de vida são determinantes – até mais do que os genes – para moldar o funcionamento cerebral diante de situações estressantes, desafiadoras e frustrantes pode ser um estímulo perfeito para quem quer fazer mais pelas crianças. O que me anima é ler que sempre há tempo para recomeçar e reavaliar a forma como nos relacionamos com as crianças, sejam nossas ou apenas próximas a nós.

“Apesar de ser muito mais marcante na infância, o carinho sempre influencia. Nunca é tarde para começar.”
Suzana H. Houzel

Pesquisas científicas comparam o carinho físico, o toque e o contato como um moldador cerebral que torna a criança mais hábil e com o sistema de proteção orgânico mais forte.

Li alguns excertos de uma palestra da neurocientista que explicavam esta relação com o aprendizado. “Todo e qualquer processo de aprendizado, sendo criança ou adulto, exige a repetição, por meio da tentativa e do erro. Mas nos primeiros anos de vida, o cérebro compreende mais rápido como reagir, sem precisar de tantas tentativas assim. Para criar um comportamento e uma reação padrão diante de algum estímulo – que pode ser um barulho, um estresse, uma sensação de medo, de solidão ou de felicidade – não é preciso repetir tantas vezes.”

E o ambiente pode ser a escola também, desde que seja encorajador e animador para todos, mesmo os que parecem menos aptos ao convívio e aprendizado. Li uma matéria que contava de uma professora que ensina brincando, ou seja, dando atenção diferenciada. E obtém resultados excelentes, claro. Precisamos de mais professores assim! E de pais que acompanham a curiosidade e criatividade infantil e adolescente também! Como ela faz? Professora há 15 anos, Ana Presciliana Santos observa atentamente cada aluno e assim consegue perceber as dificuldades deles, e sabe como motivar a criançada. Ela não está numa escola de elite, cara e para poucos.

Ana trabalha há cinco anos em uma escola municipal de uma região pobre de Juiz de Fora, em Minas Gerais. A maneira como a professora ensina mudou completamente há três anos, quando descobriu a neurociência, a ciência que estuda o cérebro. Desde então, 100% dos alunos que passaram pela sala da tia Ana saíram alfabetizados. “Cada dia você ativa uma área do cérebro, com desenho, com arte, com gráfico, com tudo, e eles ficam mais felizes, aprendem mais, se concentram mais.”

E tem comprovação científica:

“Não pense que a criança está perdendo tempo porque ela está usando um videogame ou ela está brincando com o violão. Se, na sequência, você mudar para matemática, aquilo que era muito chato, abstrato, incompreensível, passa, quem sabe, a ser interessante, porque o cérebro dela está preparado para focar atenção. Ela está feliz porque fez uma coisa interessante”, afirma Roberto Lent, neurocientista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

E como isso acontece?

Quero crer que tem a ver com nossa capacidade de reagir positivamente ao carinho que, garantem os cientistas, também molda o cérebro. Várias pesquisas científicas que indicam o carinho físico, o toque e o contato como um moldador cerebral que torna a criança mais hábil e com o sistema de proteção orgânico mais forte. Isso acontece por causa da ocitocina, um hormônio altamente influente na formação cerebral, que é produzido durante a amamentação e liberado também no abraço, no beijo, na massagem, sendo responsável por fazer com que o cérebro produza a capacidade de vínculo e acalma todas as partes cerebrais acionadas em situações estressantes. Enfim, é uma ótima prevenção da ansiedade e outros transtornos de comportamento que, às vezes, só se manifestam na vida adulta.

Receber ou não carinho modifica para sempre como o cérebro vai reagir diante do estresse e da frustração. Mas apesar de ser muito mais marcante na infância, o carinho sempre influencia e por isso especialistas dizem que nunca é tarde para começar.

Que tal começar hoje?

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P.S. Aqui em casa: eu deixei de trabalhar fora (era correspondente freelancer de revistas internacionais, trabalhando 90% de casa) até meus filhos entrarem no Fundamental, aleitei por alguns anos, fiz shantala, pesquisei por anos tudo que podia sobre estes vínculos invisíveis. Hoje vejo como foi bem! E fico feliz por poder aprender a cada dia com eles e para eles, incluindo já nossa bebê, que nasce no mês que vem. 😉

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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