cidadania / sustentabilidade

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Passei a manhã descobrindo as oportunidades e resultados dos projetos sociais no Morro Dona Marta. O morador da comunidade Edimar Marcelino, hoje instrutor de cursos de iniciação profissional de pintura nos mutirões do Tudo de Cor pelo Brasil, foi nosso cicerone, contando parte da história do espaço, que se mescla à de seus pais, que migraram da Paraíba e de Minas Gerais para o Rio de Janeiro há cerca de quatro décadas.

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Edimar nasceu e mora na comunidade, a primeira pacificada no Rio, que tem três UPPs. Santa Marta é uma favela localizada no Morro Dona Marta, entre os bairros de Santa Teresa e Botafogo, na cidade do Rio de Janeiro. Ficamos na dúvida e Edimar nos explicou: o morro chama Dona Marta, a favela Santa Marta porque, dizem, no início do século XX uma devota de Santa Marta levou uma imagem da mesma para o alto do morro. Aliás, foi lá no alto (vejam as fotos, é mesmo bem alto, com uma vista incrível da Cidade Maravilhosa) que a comunidade começou, criando alternativa para quem ia trabalhar nos bairros próximos.

Este encontro surgiu de questionamentos meus no mutirão de pintura no Centro Histórico de João Pessoa, na Paraíba, no qual fui voluntária durante uma press trip e complementa minha visita à RioMais20. O que eu desejava ao visitar o morro, que foi pioneiro em projetos de melhoria das condições das comunidades cariocas, consegui na conversa com Edimar: ver, sem vigias ou maquiagens, como as favelas se mantém depois que saem dos noticiários. Partindo da ideia de ver como estavam os prédios recuperados pelo mutirão da Coral (o Tudo de Cor), caminhei por vários pontos do “bondinho” que liga as partes alta e baixa da comunidade. Seguindo a linha do Plano Inclinado pudemos ver como as moradias estão sendo construídas, mantidas e habitadas, parando para conversar com pessoas e ver pontos turísticos, como a Laje Michael Jackson.

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A comunidade é famosa por ter sido palco do clipe They Don’t Care About Us de Michael Jackson, em 1996. Na ocasião, a equipe de filmagem do videoclipe teve que pedir autorização para o chefe local do tráfico de drogas, Márcio Amaro de Oliveira, que mais tarde ajudou a escrever o livro Abusado – o Dono do Morro Dona Marta, de Caco Barcellos, onde conta um pouco da história da Santa Marta.

E deste livro saiu minha curiosidade com o morro. Com Caco e o Abusado eu aprendi a ver a relação próxima, de intimidade e codependência, que liga os moradores do morro e do asfalto. Vi também que a comunidade era unida, mas tinha duas forças sempre limitadas por uma opressão histórica: a da escravidão que os levou para lá, a da servidão que os manteve distantes do progresso, da pobreza que lhes tirava oportunidades e do tráfico que lhes tratava com mão de ferro e cuidados coronelísticos.

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Hoje, com a pacificação mínima que as UPPs trouxeram, as facilidades como o Plano Inclinado que os liga gratuitamente ao mundo fora do morro, com projetos sociais de capacitação como o Tudo De Cor e a regularização das moradias com iniciativas como a da Light, todos passam a ser iguais em suas oportunidades mínimas de cidadania. Mas, como sempre estiveram sob o cabresto de algo ou alguém, estes cidadãos contam com quem acredita na sua força para caminhar por suas próprias pernas, sem apadrinhamentos nem esmolas, com a dignidade e o respeito que faltou aos seus pais e avós quando ali chegaram, criando a comunidade.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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