entretenimento

“Quando foi exibida pela primeira vez (1988/1989) a novela “Vale Tudo” conseguiu um feito: parar o país para discutir quem havia matado a personagem Odete Roitman (Beatriz Segall). A façanha só havia acontecido em 1978, em “O Astro”, com o mistério sobre a morte de Salomão Hayalla.”
@VejaSP

#OAstro - porque gosto de estréia, mas adoro conferir regravações :-)

Vivo um fenômeno frequente com novelas: me empolgo no começo e tenho dificuldade de me tornar habitué depois. Fico com aquela sensação de que estou “escravizada” pela novela quando começo a pirar em torno da ideia de “parar tudo” ou voltar para casa correndo ou algo assim só para não perder o capítulo. E como agora tem capítulos parciais (e até integrais, para assinantes) das novelas na internet, se eu realmente fiquei com vontade de ver e não pude, vou no portal e vejo mais tarde.

Mas tenho aqui com meus botões outra hipótese para minha dificuldade em me fixar em novelas: a qualidade do produto. Não estou discutindo a parte técnica das novelas – esta evoluiu muito, sem discussão, e como nossas produções sempre foram excelentes, hoje são como muita gente gosta de dizer, “de primeiro mundo”. Reclamo um pouco da assertividade da narrativa, das histórias, da geolocalização e das duas únicas classes sociais (ricos-milionários-babacas que ficarão amigos de pobres-limpinhos-gente-boa) que são constantes nas produções e nos cansam muito.

Quando as pessoas “fogem” das novelas e se rendem aos “enlatados de USA” (não mais de nove às seis, mas sim no torrent mais próximo) estão sinalizando algo. Primeiro que não vivem mais “em função” do horário da TV (eu mesma veria muito mais TV se pudesse escolher os horários para exibição e tenho fé que este dia chegará breve). Segundo que as novelas não estão mais sendo tão instigantes, deixando-os flutuando.

Antes do fenômeno de Vale-Tudo no Canal Viva – segundo li, 22 anos depois “a trama de Gilberto Braga, Aguinaldo Silva e Leonor Bassères conhece o sucesso novamente”, com sucesso suficiente para deixar o canal pago Viva, que exibe a novela de madrugada, em primeiro lugar entre as emissoras fechadas – eu pensava que tinha alguma relação com a forma como vivíamos no tempo de novelas bem sucedidas como Roque Santeiro, quando nosso cotidiano permitia estas pausas para ver novela em família e quando a TV não tinha que competir com outros gadgets vivos em tempo real (hoje se vê TV com o computador ligado, o smartphone no Twitter, o game na mão, o mp3 funcionando junto, etc e tal). Mas, confesso, tenho revisto meu conceito.

Creio que este movimento sinaliza que é mais do que tempo de, com auxílio da tecnologia, voltar a fazer novelas que contem boas histórias, bem amarradas, plausíveis, que sejam uma realidade fantástica (sim, porque a gente não quer ver o cotidiano expresso na novela quando sentamos no sofá para descansar dele), mas com a dose de emoção e entretenimento que não fere nossa capacidade crítica, não nos faz sentir que estamos emburrecendo por ver TV.

Conferindo no Guia Ilustrado de Novelas e Séries como foi a cena da nudez na primeira versão de O Astro  - qual você prefere?

O capítulo de ontem de O Astro, estreia da nova versão (enxuta, que terá “apenas” 60 capítulos) da novela que passou entre 1977-78), mostrou que é possível voltar a fazer TV como antigamente sem soar antigo. Sem precisar apelar para efeitos especiais cinematográficos, mas contando com os melhores recursos atuais para fazer seus astros e estrelas brilharem (mesmo em HD, estavam todos bem), com o figurino kitsch característico da parte rica da trama, a novela das onze convenceu e agradou – pelo menos aos meus “amigos virtuais”, que tuitavam sem parar, do figurino de Carolina Ferraz e o megahair de Guilhermina Guinle ao charme de Rodrigo Lombardi e a beleza Tiago Fragoso – todos visivelmente “presos” ao que o capítulo contava, sem trocar de canal, que é o que toda TV sonha. E no fundo, não precisar trocar de canal, não é exatamente o que nós, telespectadores, queremos também?

Você pode gostar também de ler:
“Misteriosa mulher é encontrada na Times Square, sem quaisquer lembranças de quem ela é e
Digite Blindspot em uma busca do Google e eis o que você vai encontrar de
O carnaval passou e a grana está justa e o cansaço bateu depois os excessos?
Série de TV super popular na minha infância, MacGyver é uma piadinha que mostra sua
Exatamente na semana em que comecei a usar um Windows Phone (o Nokia Lumia) chegou
The following two tabs change content below.
Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

Comentários no Facebook

SEO Powered by Platinum SEO from Techblissonline Estatísticas