Nerve, até onde você iria?


Minha dica de hoje é um filme de ação que vi com meus filhos adolescentes. Eu admito que, quando vi Nerve (2016) no catálogo da Netflix, não pensei em “perder tempo”. E se fosse outro iBoy?Mas li que os diretores Henry Joost e Ariel Schulman fizeram em 2010 um documentário chamado Catfish, no qual investigavam a construção de uma identidade virtual falsa e que seria esse o centro moral de Nerve.

E, enfim, resolvi dar uma chance, pois a trama se baseia numa realidade com a qual todos nos deparamos: na internet as pessoas se escondem por trás de um perfil falso, numa segurança ilusória de que jamais serão descobertas, e que por isso são capazes de falar (ou até cometer) até atrocidades que não teriam coragem de fazer olho no olho, ao vivo.

Não posso dizer que o filme é excelente, mas vimos até o fim, teve momentos de emoção e rendeu conversas interessantes depois. A fotografia é boa, o ritmo também e o estilo agrada quem vive online, como nós.

Gostei de uma crítica da época do lançamento do  longa que deixava 5 perguntas para respondermos depois de ver o filme:

1. Será que eu deveria continuar jogando Pokémon Go? (ou qualquer outro jogo no mesmo estilo que revelam mais sobre você do que você gostaria de revelar a um estranho? Afinal, conhecer os hábitos de uma pessoa torna muito mais fácil manipulá-la.

2. Alguém poderia estar acessando minha câmera do celular sem minha permissão? Sempre é tempo de rever as permissões do uso automático das suas câmeras (e fotos). A propósito, meu iMac tem um adesivo sobre a câmera, na dúvida eu imitei  o Mark Zuckerberg, e prefiro não usar a Siri.

3. Se o jogo existisse de verdade, qual lado eu escolheria? Esse dilema moral é o ponto central de reflexão do filme e por isso abro aspas para o texto de Juliana Varella:

No “Nerve”, o usuário pode escolher entre ser um “observador” ou um “jogador”. O primeiro paga para assistir ao jogo, comentar ao vivo e sugerir desafios. Também é ele que fica de olho nos jogadores e ajuda a captar as imagens que são transmitidas para todos os usuários, formando um reality show coletivo. O segundo ganha para cumprir quaisquer desafios que lhe sejam lançados pelos observadores, mas é obrigado a filmar toda a ação com o próprio celular (mesmo que esteja ocupado se pendurando num guindaste com uma mão, por exemplo). Por mais que você saiba que ambos são comportamentos extremos e levemente obcecados, é quase certo que você terá escolhido um lado que mais combina com você ao final da sessão.

4. Se as pessoas de fato começassem a arriscar a vida por um jogo virtual, será que a polícia, a mídia e as autoridades também fechariam os olhos? Na vida real, será que também escolheríamos ignorar propositalmente a situação?

5. Até onde eu iria por uns likes a mais?
Quem nunca publicou um texto, vídeo ou foto e depois ficou checando minuto a minuto para saber se o post foi um sucesso?  E, mais sério, quem faz isso sempre?

É pra pensar!  😉
O filme é baseado num romance homônimo de Jeanne Ryan. Tem uma resenha bem honesta do livro no Livros em série.

No elenco estão Emma Roberts, Juliette Lewis e Dave Franco.


Reconheceu-o? É irmão mais novo do ator James Franco, conhecido por interpretar Cole Aaronson na 9ª temporada de Scrubs e por Jack Wilder no filme Truque de Mestre (2013). Acho a família diferente e ao ler sobre eles, achei na matriarca uma “explicação”: Betsy é poeta, autora e editora, e conheceu o marido Doug Franco quando eram estudantes da Stanford University. Sua avó materna, Mitzi Levine Verne, fundou a Verne Art Gallery, uma galeria de arte de destaque em Cleveland. Ah, a ascendência é dos três irmãos (James, Tom e Dave) Franco é simpática também: o pai tem descendência portuguesa e sueca e a mãe é Judia, descendente de imigrantes russos.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.