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Desde que vi as imagens do filme Jackie, estou de olho e pensando se vale a pena ver. Eis que Lívia Lisbôa trouxe a recomendação do filme, que já está disponível na Netflix, e me convenceu a aproveitar o feriado para ver.

Feriado Netflix: Jackie

Meus motivos para perder o interesse são pelo “cansaço” com a história, os mexericos e a comoção que envolve essa família que representa parte da “nobreza” americana. Curiosamente são os mesmos motivos que me fizeram ver JFK (filme de 1991), séries sobre o período e mais recenentemente a ler Nêmesis – Onassis, Jackie O e o Triângulo Amoroso Que Derrubou os Kennedy, obra do jornalista Peter Evans, publicado no Brasil pela Intrínseca.

(Fotomontagem: reprodução de com imagens de Bill Ray/the Life Picture Collection/getty Images, Cbs Photo Archive/getty Images, Arquivo/agência O Globo, National Archive/newsmakers, Getty Images, Thinkstock e Divulgação)

(Fotomontagem: reprodução de com imagens de Bill Ray/the Life Picture Collection/getty Images, Cbs Photo Archive/getty Images, Arquivo/agência O Globo, National Archive/newsmakers, Getty Images, Thinkstock e Divulgação)

 

Tenho uma certa queda por história da vida privada e gosto de saber detalhes do que veio antes de mim no século XX. Já li com prazer biografias de brasileiros deste período, como O anjo pornográfico (a história de Nelson Rodrigues) e Carmen – uma biografia (sobre Carmen Miranda, a brasileira mais famosa do século XX) de Ruy Castro e  Chatô – o rei do Brasil e Olga (sobre Olga Benário) de Fernando Morais, e fiz uma imersão na vida privada dos ingleses ricos em Downton Abbey e pobres em Call the midwife, duas séries sobre as quais estou devendo post no blog e que estão disponíveis na Netflix.

Enfim, nesta insanidade de saudades do século XX (título de outro livro que também li e gostei), confesso que as décadas de 1950 e 1960 são interessantes porque atraem as vivências do período: o pós-guerras, os primeiros passos de movimentos sociais, a democratização dos equipamentos tecnológicos (da geladeira à TV) e o começo da espetaculirização da vida privada em grande mídia de ícones como Jacqueline Kennedy, Maria Callas, Marilyn Monroe e Grace Kelly.

Mulheres no século XX

Daí o livro, que vi tanto em livrarias num final de ano (eu costumo dar livros no Natal e em aniversários, pois é um presente que adoro) que me rendi a esta versão da ascensão de homens que dariam origem a uma verdadeira mitologia envolvendo suas famílias: John e Robert Kennedy e Aristóteles Onassis.

O fato de Peter Evans ser um conhecido escritor e jornalista me fez pensar que a leitura transcorria bem. E foi até que os muitos detalhes de do triângulo amoroso entre Jackie O, Aristóteles Onassis e Bobby Kennedy (sim, você não leu errado, Bobby e não John!) começaram a me dar naúseas. Fazer o quê, tenho estômago fraco! Assisti com sofrimento e só continuei por curiosidade imensa as temporadas de The Americans, série que também tem na Netflix e que traz este universo nu e cru de espiões e terroristas numa Guerra Fria que merece este nome porque realmente não tinha sentimentos.

A tese mais explosiva do livro diz respeito ao papel determinante de Onassis no assassinato de Bobby, ocorrido em 1968. Àquela altura, a cólera entre eles só aumentava. O empresário acusava Kennedy de uma insistente perseguição, que havia começado quando ele trabalhava num órgão de fiscalização do governo federal e prosseguira durante sua gestão como procurador-geral dos Estados Unidos. Bobby, por sua vez, não suportava o namoro do armador com a ex-primeira-dama Jacqueline Bouvier Kennedy, viúva de  John – que, segundo Evans, se bandeou para a cama de Bobby após a morte de John. Faz parte ainda dessa encrenca lasciva a princesa Lee Radziwill, irmã de Jackie e com quem Onassis mantinha um relacionamento. Na origem do ódio estaria também o fato de Onassis saber um terrível segredo de alcova de Joseph Kennedy, o patriarca da família, e fazer disso uma arma. Daí não faltarem motivos para um desenlace violento para essa trama, como detalha o escritor.

A julgar pelos depoimentos de parentes, amigos e amantes dos Kennedy e de Onassis, sentimentos não tinham sentido algum no universo do “Grand Monde” e quem caia na rede de subornos, encontros sexuais, mentiras e traições não se perturbava tanto. 

A tese é de filme hollywoodiano e isso faz a história (verídica/verossímil ou não!) ser interessante:

“Entre o mundo solitário da política e as facilidades do dinheiro, Jacqueline optou pelas últimas, deixando Bobby devastado. Sem ter como demovê-la da decisão, ele pediu ao menos que ela oficializasse logo o casamento com Ari, para que sua posição de amante não afetasse a corrida eleitoral. Jackie resistiu, não estava convencida a abrir mão do cunhado. A questão foi tragicamente resolvida quando, em junho de 1968, um ativista palestino, Sirhan Bishara Sirhan, deu dois tiros em Bobby no Hotel Ambassador, em Los Angeles, onde o candidato comemorava com correligionários sua vitória nas primárias do Partido Democrata na Califórnia. Sem o inimigo no caminho, Onassis convenceu Jackie a desposá-lo quatro meses depois, na Ilha de Skorpios.”

(Fotomontagem: O casamento de Ari e Jacke na Grécia e no aniversário de 40 anos da mulher, por Bill Ray/the Life Picture Collection/getty Images, Cbs Photo Archive/getty Images, Arquivo/agência O Globo, National Archive/newsmakers, Getty Images, Thinkstock e Divulgação)

(Fotomontagem: O casamento de Ari e Jacke na Grécia e no aniversário de 40 anos da mulher, por Bill Ray/the Life Picture Collection/getty Images, Cbs Photo Archive/getty Images, Arquivo/agência O Globo, National Archive/newsmakers, Getty Images, Thinkstock e Divulgação)

Quando Fernando Meirelles começou a falar do possível filme sobre o livro, li uma reportagem de Sérgio Garcia que trazia um resumo bom sobre esta “alta roda”:

“O termo está em desuso, bem como o que representa: grand monde. Na verdade, era um mundinho que reunia uma elite social, econômica e política que torrava fortunas em busca de diversão. Onassis era o símbolo dessa confraria. Cultivava um amplo círculo de amigos, de que faziam parte o príncipe de Mônaco, Rainier, sir Winston Churchill e astros e magnatas de Hollywood. Inclusive, foi numa recepção dada por Pamela Churchill, nora do primeiro-ministro inglês, que Bobby e Ari se conheceram. Randolph, marido de Pamela e filho do político britânico, foi quem alertou Onassis sobre os planos de ingleses e franceses de ocupar o Canal de Suez. De posse dessa informação, Onassis mudou o posicionamento de seus petroleiros e pôde lucrar uma dinheirama quando a operação militar foi deflagrada.” 

O livro traz uma história nada correta e bastante obscena (não pelos detalhes, mas pelo contexto) que, não por acaso, me lembrou o Anjo Pornográfico (por isso eu citei antes a biografia de Nelson Rodrigues), com tantas histórias de casais confusos formados por cunhados, amigos e inimigos que chega a cansar.

Mas o pano de fundo é o que faz Nêmesis valer a pena: descobrir como as guerras, a informação sigilosa, o poder do dinheiro que circula internacionalmente e a manipulação de alguns podem definir os destinos de países nos ensina muito sobre as pequenas discussões que temos no cotidiano com pessoas e que não valem nem um segundo das nossas vidas, pois no fundo está tudo decidido no Grand Monde. 

😉

 

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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