Nem o MST… e a Operação Amazon?

Outro dia li uma entrevista com o líder do MST João Pedro Stedile. Foi uma surpresa pois a lucidez da avaliação dele sobre alguns temas atuais me impressionou, a começar pela afirmação de que o movimento pelo qual lutam há 20 anos se esgotou e será preciso repensar. Segundo ele, o Brasil perdeu quatro oportunidades históricas para fazer esta reforma que Europa, EUA e Japão fizeram no pós-guerra: o fim da escravidão, revolução de 30, 1964 e no Governo Sarney. Faltou a construção de um mercado nacional no século XX e agora o mundo globalizado já não cabe mais em nações, creio eu.
Meu avô Juca Hoffmann, jornalista e político, nos deixou como herança poucas coisas, sendo a mais preciosa uma biblioteca interessante e rica. Ela formou meu imaginário e mais tarde meu intelecto, fazendo-me pensar sempre no quanto a geração dele (nascido em 1904, eleito parlamentar pelo PTB de Jango na década de 1950 e deposto em 1964) acreditava na possibilidade de nosso país se tornar uma Nação organizada para atender o mercado interno e o povo brasileiro. Neste projeto social dele hoje eu acrescentaria a preocupação com o meio ambiente no que concerne às técnicas agrícolas e a formação do cidadão camponês. Stedile falou disto e da formação de novos agrônomos que dominem técnicas de agroecologia. Meu irmão, engenheiro florestal e um eco-chato (que me perdoem ele e os amigos), sempre me falou desta falha que há na (de)formação profissional dos que pretendem trabalhar no campo no Brasil.
Mas o que de fato mais me chamou a atenção foi o comentário dele sobre o Bolsa-Família. Perguntado se o governo teria tirado militantes deles com o programa, ele disse que os 10 milhões de beneficiados são párias. “É um programa humanitário. Salva vidas, mas não distribui renda”, afirmou.
A realidade pode ser triste e como estamos longe de conhecê-la!
Para ilustrar o post, coloco uma imagem que vi hoje num álbum do orkut.

P.S. Hoje tem blogagem coletiva proposta pela Meire do Pensieri e Parole sobre o Operação Amazon que filtra aleatoriamente os brasileiros que entram na Europa. Comentei no Rumorejo que me impressionei com a notícia. No trabalho com viagens para o Japão nós presenciamos semanalmente preconceito com os brasileiros, mas infelizmente alguns, como no caso dos clandestinos que Poliane citou, justificam as atitudes das autoridades nas alfândegas e consulados.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.