cultura web / empreendedorismo

Até gostaria de prometer que é meu último post sobre a Campus Party 2011, mas quem eu enganaria? Nem a você, muito menos a mim mesma! O evento geek, sobre o qual todo mundo viu algo na TV, leu nos jornais ou nas revistas, sempre muda um pouco… do mercado. Apesar de ser apresentada apenas como uma festa geek, a verdade que já descobrimos desde a segunda edição do evento, em 2009, é que a Campus Party é um celeiro de boas ideias e de bons idealizadores e executores destas inovações (das quais o mercado precisa tanto e sempre!).

Logo no primeiro dia do evento respondi a uma pergunta de Tiago Cordeiro (@tcordeiro), jornalista que cobriu a Campus Party para a TV1, sobre o que como eu acho que a #cpbr repercute no crescimento do mercado de redes sociais no Brasil. Minha resposta foi direta:

Considero que repercute inexoravelmente, mas não como os blogueiros esperam ou imaginam. Ouvi alguns dizerem “fechei negócios”, “apresentei meu media kit X vezes”, mas o valor da Campus Party para o mercado passa longe disso. É a chance de, olho no olho, cartão de visitas na mão e conversas sussurradas (forçadas pelo barulho do evento), podermos fazer contatos com hubs sociais de diversas áreas deste mercado novo que ainda estão distantes entre si, é a oportunidade de criar uma liga e concretizar um amálgama sobre o qual estamos construindo o universo profissional das novas mídias. Desta troca de conhecimento tão humana e tão antiga, saem as premissas e se concretizam as possibilidades inovadoras e criativas que se antevê ao se falar em novas mídias.

Eis que ao longo da semana este tema foi a tônica de conversas com muitos outros players (não só stakeholders, os formadores de opinião, mas de empresários e profissionais que atuam nos negócios das novas mídias) e a conclusão era sempre positiva, animadora, estimulante para nós que apostamos neste mercado novo quando pouca gente se atrevia a entrar nele.

Ao ver uma reportagem sobre os negócios bem sucedidos na web, com Marco Gomes (@marcogomes do @booboxbr) em reportagem da IstoÉ Dinheiro parece fácil e natural decidir” entrar neste mercado em  ascenção. Mas quando nós optamos por este salto, foi um “leap of faith”, um salto no escuro e uma condição que exigia muito da nossa fé no que antevíamos nos nossos pares (os early adopters de social media como nós) e que acreditávamos seria replicável em termos de interesse (e paixão) quando alcançasse o grande público.

E foi! Prova disso é uma empresa que nasceu do projeto instantâneo de um encurtador de urls para Twitter na Campus Party 2009 (por @jonnyken, que preferiu empreender sozinho no Migre.Me com ele) se tornar hoje uma empresa com muitos produtos para social media, inclusive o “mensurador” de menções que tanto encanta as marcas. A história da Boo-Box, que já está na grande mídia há tempos, aponta o mesmo caminho de outros empreendedores da nova web: com investimentos externos encontra-se força para começar e caminhar. Em 2010 a Intel Capital injetou um valor não revelado na Boo-Box, empresa que nasceu de uma ferramenta que permitisse veicular publicidade em blogs.

Mas será que ter um investidor-anjo é a única alternativa para quem quer empreender na web? Acredito sinceramente que não, mas entendo o mercado como um espaço no qual, mais até do que em outros, há necessidade de colaboração coletiva. Nas novas mídias, por sua característica 2.0 (em que a “conversa vai-e-volta”), se faz imprescindível ser capaz de compartilhar, valorizar colaboradores e parceiros e agir com generosidade e correção. Tendo ou não aportes financeiros externos, quem não se adequar a esta nova regra que deixa para trás o famoso jeitinho brasileiro e a “lei de Gerson” não terá muita chance e será esquecido no mercado. E esta mudança de pararadigma, mais do que a possibilidade de injeção de dinheiro estrangeiro nos novos negócios, me parece ser o maior ganho que todos temos com os negócios decorrentes da Campus Party.

E você, como vê este mercado? Conte aí, este papo é daqueles que só começou – e não tem a menor graça sem que você participe. 😉

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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