Já que falei em ciclovia… que tal um passeio pela França na garupa do meu tio

Meu tio e Na garupa do Meu tio são dois livros da CosacNaify que estamos namorando em casa. Os dois são homenagens a Jacques Tati (1907-82), um dos mais importantes cineastas franceses e criador do simpático tio Hulot. Meu tio, é um romance escrito por Jean-Claude Carrière, Na garupa do Meu tio, é um livro-imagem do ilustrador David Merveille.

[O trailer abaixo, de Les Vacances de M. Hulot, é um convite para uma época tão distante que nos é estranha, mas capaz de divertir como se fosse atual. Meu filho caçula adora este tipo de filme!]

O escritor e roteirista Jean-Claude Carrière (que trabalhou com grandes gênios como Jacques Tati, Luís Buñuel, ou Peter Brook) é considerado na França um dos maiores mestres do roteiro de todo o século de história do cinema, e ele partiu de um filme homônimo de Tati para contar, em primeira pessoa, a história de um garoto de oito anos dividido entre as regras impostas por pais seduzidos pelas facilidades da vida moderna e a liberdade oferecida por um tio, o senhor Hulot, cuja falta de adaptação a esse mundo novo preserva as relações afetivas entre as pessoas e a cidade. A obra, lançada no Brasil agora pela CosacNaify, é especialíssima por ter ilustrações de Pierre Étaix (assistente no filme Meu tio como criador de cenários, se tornaram marca registrada da estética do universo criativo de Jacques Tati), tem texto impresso na cor azul e quarta capa assinada pelo cineasta Cao Hamburger. A tradução para o português foi feita por Paulo Werneck, que já publicou, também pela Cosac Naify, a tradução de Zazie no metrô (2009) , de Raymond Queneau.

Na garupa do meu tio, do ilustrador David Merveille, é divulgado pela editora como “uma sequência de cenas convida o leitor a apreciar uma nova aventura do senhor Hulot pela cidade de Paris”. Não vi o livro ainda, mas contam que como num livro cinematográfico, cada dupla tem um folder que abre revelando uma surpresa, numa alusão clara a vários elementos dos filmes de Tati que se mostram espalhados pelas ilustrações de Merveille (a casa de Hulot e a fonte em forma de peixe de Meu tio ou a rotatória em Play time). A partir de ilustrações, Na garupa do meu tio relembra a incrível capacidade do personagem criado por Tati de transformar o cotidiano em algo fantástico, romântico e muito divertido. Para completar a edição, o ilustrador húngaro Istvan Banyai, colaborador da revista The New Yorker e autor do também livro-imagem O outro lado (Cosac Naify, 2007), assina um simpático poema na quarta capa.

P.S. Achei na net uma entrevista com Jean-Claude Carrière, por sorte em português!

Você pode gostar também de ler:
The following two tabs change content below.
Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

Comentários no Facebook