Museu a céu aberto

Nunca fui fã de cemitério. Minha mãe me levava muito quando criança pequena para visitar o túmulo de meu avô – coisa que atualmente ela se repreende por ter feito, pois considera o local péssimo para crianças – e por um hábito arraigado eu achava que devia mesmo visitar periodicamente os túmulos dos antepassados. Mudei, claro, nunca levei meus filhos nos túmulos dos bisavós, mas ainda dou aquela olhadinha para as estátuas de alguns.

O que mais chama a minha atenção, o da Consolação, faz 150 anos hoje. Soube pelo , que mora na região, e indicou uma matéria da Folha Online. A história lembra um pouco a da vida privada no Brasil e da evolução dos hábitos em nossa sociedade.

O cemitério era o único da cidade há 150 anos. Antes de sua inauguração, as pessoas eram enterradas em áreas consideradas “sagradas” – como o interior de igrejas -, o que passou a ser condenado por sanitaristas, que viram neste costume a causa de doenças e de mau cheiro. Após sua construção, todos os mortos passaram a ser enterrados lá. “Pessoas de todas as condições sociais, sejam ricos, pobres ou escravos”, afirma o historiador Luis Soares de Camargo, do Arquivo Histórico Municipal de São Paulo.

O especialista conta que a elitização do cemitério aconteceu após o final do século 19, quando foram criados outras necrópoles –como a do Brás, em 1893. “A partir do momento que outros cemitérios com quadras gratuitas começaram a surgir, as quadras do Consolação passaram a ser vendidas.”

O professor Rezende, conhecido como “Doutor Cemitério”, acrescenta que neste período famílias ricas passaram a construir túmulos luxuosos, com esculturas caras. “Pessoas ricas como o industrial Francisco Matarazzo começaram a mandar construir túmulos suntuosos, com obras de arte de artistas famosos”, diz.
(…)

Localizado em um terreno de mais de 76 mil metros quadrados na região central de São Paulo e com 8.500 jazigos, o cemitério abriga obras de artistas consagrados como Victor Brecheret, Luigi Brizzolara e Amadeo Zani. Por isso e por seu valor histórico, a necrópole foi tombada pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico).

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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