Mundos de Eufrásia #review

mundos de eufrasia claudia lage

Como já contei na entrevista com a autora, Claudia Lage, comecei minhas leituras do Book Crossing que promovemos na rede de blogs femininos que coordeno para Bites por Mundos de Eufrásia, de Claudia Lage, que conta a trajetoria de uma mulher incrível para seu tempo: Eufrásia Teixeira Leite, que na divulgação do livro é noticiada como enamorada de Joaquim Nabuco (aquele mesmo, famoso da História do Brasil por suas posições políticas liberais no Segundo Império e no início da República).

A Eufrásia que se descobre na leitura desta obra é uma mulher incrível, que recebeu uma educação especial (seu pai resolveu desafiar os conceitos da época, que criam que o cérebro da mulher era bem inferior ao do homem e não aprendia coisas avançadas), foi uma financista quando mulheres não geriam o próprio dinheiro e se tornou uma das investidoras mais respeitadas do mundo (foi a primeira mulher a entrar na Bolsa de Valores de Paris).

Passei boa parte da leitura desta obra biográfica pensando nos motivos que faziam esta mulher não aceitar sua condição de mulher. Sei que é estranho, mas como casei jovem, tive filhos antes dos 30 (na minha geração isso é cedo) e encontrei a felicidade em minha familia, achava dificil entendê-la, pois em boa parte da obra Eufrásia parece realmente desejar uma vida “comme il fault”.

Ledo engano. Ela queria tudo, como eu queria “inteiro, não pela metade” e este inteiro era muito para quem nasceu mais de um século antes de mim. Se hoje eu tenho tudo, é graças a mulheres que foram corajosas e souberam se valorizar como ela. Os sacrifícios foram grandes, talvez. Mas ela não teria sido menos infeliz (e com certeza não mais realizada) se tivesse aberto mão de seu livre-arbitrio para se casar com um homem de sua época.

Nabuco era o homem de sua época, bom de discurso, mas fraco na prática. Mesmo seu abolicionismo não foi vivido com a mesma intensidade e verdade que o de Eufrasia, que teve em Cecilia uma verdadeira irmã, que compreendia sua alma como a irmã de sangue, Francisca, não conseguiu jamais.

Uma história de solidão, de amor, de vitoria e de derrota, que me encantou, mesmo sendo narrada com um ritmo que não é meu favorito – o começo com as formigas é de matar, assim como duas passagens que mesclam poesia e pensamentos em saraus.

É daqueles livros que marcarão uma época em minha vida. E mais gente leu e deu sua opinião, como a @srtabia e o @mr_biglia.

🙂

Você também leu o livro e quer debater? Abrimos dois tópicos sobre ele em redes sociais:

Você pode gostar também de ler:
The following two tabs change content below.
Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

Comentários no Facebook