Mulheres radicais: arte latino-americana de 1960-1985

Paralelamente à realização da exposição Mulheres radicais: arte latino-americana, 1960-1985, a Pinacoteca apresenta um curso de história da arte que aborda a produção de mulheres artistas no Brasil, com o objetivo de debater a inserção e ressonância da atuação feminina nas artes. Os encontros iniciam-se com a discussão da produção das primeiras artistas que conquistaram reconhecimento como profissionais no contexto da arte brasileira de fins do século 19 e início do século 20, para em seguida debater algumas personagens paradigmáticas da arte no Brasil, passando também pela discussão de trajetórias de artistas menos consagradas. O curso também abordará o papel das mulheres artistas no contexto atual, com a presença de duas artistas, Carmela Gross e Lenora de Barros, que farão um balanço da presença feminina no contexto de produção em que seus trabalhos se consolidam no panorama contemporâneo.

E sobre a exposição:

O curso tem um custo um pouco salgado (450 reais), mas os assuntos são interessantes e, como sempre quando indico assuntos aqui, servem como ponto de partida para pesquisas posteriores.  Vejam só:

Programação:

Pioneiras e profissionais: mulheres artistas no Brasil (1840-1920), com Ana Paula Cavalcanti Simioni
A história da arte brasileira consagra um lugar especial às modernistas Anita Malfatti e Tarsila do Amaral. Todavia, muito pouco se sabe sobre mulheres artistas que atuaram antes delas: o estudo das principais exposições realizadas no Rio de Janeiro entre 1844 e 1922 traz a cifra de mais de duas centenas de nomes femininos dentre os expositores. A aula pretende discutir as razões para o desconhecimento sobre tais produtoras, bem como lançar luzes sobre algumas trajetórias e obras exemplares dessas primeiras gerações de mulheres artistas. Denominadas como “pioneiras”, muitas delas desafiaram preconceitos de época e lograram fazer da arte uma profissão.
Dia 25/08 – das 15h às 17h.

De Anita Malfatti a Maria Martins: contribuições de mulheres artistas para o Modernismo no Brasil, com Regina Teixeira de Barros
Esta aula apresentará um panorama da trajetória de mulheres artistas atuantes no Brasil entre 1917, data da exposição de Anita Malfatti considerada o marco zero do Modernismo, até 1950, ano em que Maria Martins retorna definitivamente ao país. Além das duas artistas, serão enfocados trabalhos de Tarsila do Amaral, Regina Gomide Graz, Lucy City Ferreira e Noêmia Mourão.
Dia 25/09 – das 15h às 17h

Saltos radicais na arte brasileira: Lygia Pape, Lygia Clark e Mira Schendel, com Paula Braga
No início dos anos 1960, três mulheres desafiaram o formato do quadro de parede e da representação figurativa, protagonizando o salto da arte brasileira rumo à participação e à síntese entre racionalidade e corpo. As obras e escritos de Pape, Clark e Schendel conduzirão a discussão desta palestra.
Dia 29/09 – das 15h às 17h

Campos cruzados: arte, feminismo e ativismo, com Daria Jaremtchuk
No encontro, pretende-se discutir o fluxo de artistas brasileiras para Nova Iorque nas décadas de 1960 e 1970. Foi nesse momento que elas se viram envolvidas em novos debates estéticos e políticos, o que acabou provocando mudanças em suas trajetórias artísticas.
Dia 06/10 – das 15h às 17h

Carmela Gross: trajetória, com a própria artista
A artista Carmela Gross (1946) fala sobre sua trajetória iniciada nos anos 1960 sob influência da pop art. Nas décadas seguintes, seu trabalho passa a incorporar questões relativas à arquitetura e à paisagem, bem como preocupações sociais e políticas.
dia 10/11 – das 15h às 17h

Lenora de Barros: trajetória, com a própria artista
A artista Lenora de Barros (1953) fala sobre sua trajetória. Influenciada, de início, pela obra de seu pai Geraldo de Barros (1923-1998) e dos artistas concretos, a artista passa na década de 1970 a investigar as interseções entre poesia e artes visuais, interesse que se desdobra nas décadas seguintes em instalações, vídeos e performances.
Dia 20/10 – das 15h às 17h

Dos anos 1990 até a atualidade, com Julia Rebouças
A partir das obras de Rivane Neuenschwander, Rosana Paulino, Cinthia Marcelle e Barbara Wagner, o encontro percorre as últimas três décadas para discutir a atuação de artistas brasileiras à luz de questões como memória, corpo e linguagem. O panorama crítico e institucional que acompanha as trajetórias artísticas dessas artistas é colocado em perspectiva, diante de debates de gênero.
Dia 24/11 – das 15h às 17h

 

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.