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Uma notícia me agradou:

Uma breve cerimônia marcou o ingresso de Seika Utsunomiya como maquinista, profissão dominada por homens no Japão, pais que figura entre as nações com o maior índice de desigualdade de gênero. 

De acordo com o ‘The Asahi Shimbun, é a primeira vez em 11 anos que uma mulher trabalha como condutora de trem para a companhia. Contudo, a jovem é a segunda maquinista mulher na Sanriku, uma companhia relativamente nova para o setor, fundada em 1981.

Afinal, cada vez que uma mulher assume um novo papel no mundo, nós todos temos que comemorar!

Sabem por que?

Mesmo atualmente há no mundo muitos países que ainda formam crianças incutindo, indireta ou diretamente, a ideia de que homem trabalha fora e mulher cuida da casa.

Em 2016, a Unesco divulgou um alerta sobre as atitudes sexistas comuns que livros didáticos que frequentemente sabotam a educação das garotas e limitam suas carreiras e expectativa de vida, representando um “obstáculo escondido” no caminho da igualdade de gênero.

Seja a medida em linhas de texto, proporção de personagens nomeados, menções em títulos, citações em índexes ou outros critérios, as pesquisas mostram que as mulheres são muito subrepresentadas em livros e no currículo em geral.

O alerta é do pesquisador Aaron Benavot, da Universidade de Albany, no Canadá, e ex-diretor do relatório Global Education Monitorin (GEM) de 2016 da Unesco.

  • O aspecto mais evidente seria o uso de um linguajar enviesado, já que, normalmente, palavras no masculino são usadas como sinônimo de humanidade.
  • Em seguida, há o problema da invisibilidade, já que as mulheres costumam estar ausentes dos textos, e seus papeis na história e na vida cotidiana são subordinados aos personagens masculinos.

O problema está longe de ser novo. Livros didáticos estão sob escrutínio desde os anos 1980, depois de uma pressão do movimento feminista por reformas na educação, principalmente em países desenvolvidos.

Um estudo de 2011, considerado a maior pesquisa de larga escala já conduzida neste campo – que analisou mais de 5.600 livros infantis publicados durante o século 20 – estimou que homens são representados quase duas vezes mais em títulos e 1,6 vezes mais como personagens centrais.

Desde que o problema foi identificado, dizem os pesquisadores, houve progresso na redução do sexismo, mas ele é “muito lento”.

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Estima-se que um aluno ou aluna leia mais de 32 mil páginas de livros didáticos desde o ensino fundamental até o médio. Cerca de 75% dos trabalhos em classe e 90% das tarefas de casa é feita a partir deles, assim como uma alta proporção do planejamento dos professores.

Mesmo que o acesso à internet e a outros recursos digitais aumentem o acesso a ferramentas de aprendizagem, os livros didáticos continuam centrais especialmente em países mais pobres.

O impacto que esses livros podem ter na visão de mundo das crianças já foi mapeada pela pesquisa acadêmica.

Um estudo israelense com crianças do 1º ano fundamental, por exemplo, mostrou que aquelas que eram expostas a retratos de homens e mulheres como iguais tendem a pensar que a maior parte das carreiras eram apropriadas tanto para meninas quanto para meninos.

Já os que aprendiam com livros didáticos que mostravam viés de gênero acreditavam que os estereótipos eram aceitáveis.

Em muitas partes do mundo, as pesquisas também sugerem uma ligação entre a representação de cientistas mulheres em livros e os números menores de meninas que acabam segundo disciplinas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática – as chamadas disciplinas STEM, na sigla em inglês.

Qual o mundo ideal?

Mostrar mulheres e homens realizando tarefas sem sexismo, como nestes livros mais recentes de Bangladesh e da Índia que mostram mulheres jogando futebol e homens também lavando pratos.

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E também mostrar mulheres e homens sendo profissionais nas áreas diversas, Engenharia, Medicina, Direito, no que quiserem. 
(Lego Mulheres da NASA)

(Lego Mulheres da NASA)

E nesta linha, eu comemoro que a LEGO® está lançando o set “Mulheres da NASA”. A ideia foi inscrita por Maia Weinstock no portal da marca, o LEGO Ideas, um espaço criado principalmente para incentivar a criatividade e o compartilhamento entre os fãs. Após alcançar 10 mil votos, passou pelos critérios de avaliação de um board de designers e representantes de marketing, chamado LEGO Review, e finalmente entrou em produção para ser comercializado ao redor do mundo.

O projeto de Maia foi uma maneira de celebrar e homenagear as mulheres que se profissionalizam por meio dos estudos em STEM – sigla em inglês para Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática -, por se interessar em histórias relativas a essas áreas.

Maia Weinstock, deputy editor of MIT News, designed the "Women of NASA" set featuring astronauts and scientists. (LEGO Ideas)

(Maia Weinstock, da MIT News, que idealizou o set “Women of NASA”)

(Falamos disso em outro post, lembram-se?)

“Historicamente, nos campos da Ciência, Engenharia e Tecnologia, as mulheres pioneiras foram subestimadas por inovar em seus trabalhos. Porém, quando meninas e mulheres recebem mais incentivos nos campos STEM, se tornam mais propensas a buscar carreiras nessas áreas. Este projeto foi criado para destacar um fantástico grupo delas que fizeram contribuições fundamentais para a história da NASA. O meu sonho é saber que o primeiro humano em Marte – ou um engenheiro ou cientista de computação que o ajudou a chegar lá – teve contato com o set quando criança e foi inspirado a prosseguir uma carreira de STEM.”

E como estamos aqui?

Das escolas de educação básica, 25,2% possuem laboratórios de Ciências.

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Segundo Paulo Blikstein, professor doutor da Escola de Educação e da Escola de Engenharia da Universidade de Stanford, nossa principal diferença para países como os Estados Unidos e a Coreia do Sul, referências em Educação, é que não incentivamos e investimos em conhecimento e inovação desde cedo.

“A escola precisa tornar a ciência atraente, despertar paixão, e isso envolve uma mudança no modelo engessado que temos hoje. Isso porque ela ensina conteúdos, mas não ensina o aluno a pensar de forma inovadora”.

Mas tem jeito!

Estive no evento UFABC para todos e uma das alegrias do meu dia lá foi ver que o stand de Neurociências era visitado prioritariamente por meninas!

(Aluna de Neurociências na UFABC - foto de Sam Shiraishi)

(Aluna de Neurociências na UFABC – foto de Sam Shiraishi)

O evento tem como objetivo principal abrir as portas da Instituição para a comunidade, em especial aos alunos do 3º ano do Ensino Médio, de forma que todos possam conhecer um pouco mais sobre a Universidade.

Você nem sabia que tinha universidade federal com este nome e no ABC Paulista?

A UFABC – Universidade Federal do ABC é a única universidade federal brasileira com 100% de professores doutores e a segunda universidade brasileira (federal ou não) nesse quesito (precedida pela UENF). Durante os anos 2010 e 2011, foi a única universidade brasileira com fator de impacto médio em publicações científicas acima da média mundial segundo a SCImago Institutions Rankings.

Conheci o Campus Santo André da UFABC, localizado na Avenida dos Estados, 5001, Bairro Santa Terezinha, Santo André (ao lado do Carrefour Oratório).

A UFABC tem como objetivo a integração de vários campi na região do Grande ABC.

Os campi atuais estão sediados nos municípios de Santo André (sede) e em São Bernardo do Campo. Foi na sede que estive e gostei do que vi e ouvi! 🙂

E por falar em Mulheres na Ciência, olhem este evento que acontece lá nesta semana:

Por iniciativa do Colégio de Pró-Reitores de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação das Instituições Federais de Ensino e do Fórum de Pró-Reitores de Pesquisa e Pós-Graduação (FOPROP) o Dia C da Ciência é uma mobilização nacional que envolve as instituições de ensino superior e pesquisa.

O objetivo é realizar um dia de atividades em escolas, museus, espaços públicos, espaços institucionais próprios e externos, para mostrar à comunidade a importância das pesquisas e como influenciam o cotidiano de todo cidadão. Espera-se que essa atividade passe a ser realizada anualmente, sempre no período da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, criando então a cultura do Dia C.

Vamos estimular as meninas e os meninos em carreiras de STEM, a sigla em inglês para Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática?

Vem, gente! 

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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