cidadania / educação

“As eleições se aproximam, e duas candidatas disputam a presidência. Pela primeira vez uma mulher tem chances reais de ocupar o cargo máximo da República. Engana-se, porém, quem pensa que “nunca antes” as brasileiras se interessaram pela vida pública. A luta de nossas avós por representação política vem de longa data. Foi um difícil processo, e muitas de suas reivindicações, hoje centenárias, ainda não foram atendidas.”
Mary del Priore, autora de História da família no Brasil colonial (Moderna), História do amor no Brasil (Contexto) e duas vezes ganhadora do prêmio Casa Grande & Senzala.

Dica de leitura, claro, da feminista da minha timeline, Bianca Cardoso (@srtabia): a historiadora Mary del Priore relembra que ter figuras públicas femininas importantes não é novidade…

Nísia Floresta (fonte:Biblioteca Nacional)

Nísia Floresta, pioneira do feminismo no Brasil, provavelmente a primeira mulher a romper os limites entre os espaços público e privado publicando textos em jornais, na época em que a imprensa nacional ainda engatinhava. Ela também dirigiu um colégio para moças no Rio de Janeiro e escreveu livros em defesa dos direitos das mulheres, dos índios e dos escravos.

Mas vamos ao texto da historiadora, que tomo a liberdade de republicar abaixo por considerar importante para refletirmos sobre a nossa “arma”, a escrita (sem pena, com teclas, mas a mesma arma!).

A história começa no século XIX. O período, repleto de importantes transformações no cotidiano da população, também foi marcado por intensas tentativas de participação das mulheres nas discussões em favor de melhorias na sociedade. Sua arma? A pena, a escrita. No momento em que emergiam movimentos sociais como o socialismo e o sufragismo (campanha pela universalização do direito de voto), elas não usaram apenas a voz, mas, sobretudo, as palavras como instrumento de luta.

Uma das pioneiras foi Nísia Floresta. Nascida na pequena localidade de Papari, no Rio Grande do Norte, casada contra a vontade aos 13 anos, logo abandonou o marido e, em 1832, já sustentava mãe e filhos com o salário de professora. Em 1832, publicou #Direitos das mulheres e injustiças dos homens#, artigo em que enfrentava os preconceitos da sociedade patriarcal, exigindo igualdade e educação para todas.

Segundo Nísia, a situação de ignorância em que eram mantidas era responsável pelas dificuldades que as mulheres enfrentavam. Submetidas a um círculo vicioso, não tinham instrução e não podiam participar da vida pública. Não participando da vida pública, continuavam sem instrução. Alguns anos depois, já instalada no Rio de Janeiro, Nísia passou a realizar conferências defendendo a emancipação dos escravos, a liberdade de culto e a federação das províncias sob um sistema de governo republicano.

Passadas tantas décadas, Nísia continua com a razão. E sua tese de que “a situação de ignorância é a responsável pelas dificuldades que o povo (não só as mulheres) enfrenta” me lembrou demais a nova campanha do Todos Pela Educação que nos exorta a dizer (e fazer):

Objetivando colocar a educação de qualidade em destaque na pauta das eleições estaduais e federais, o movimento, que conta com apoio de personalidades como Dira Paes, Heródoto Barbeiro e Paulo Goulart, incentiva que a população cobre dos candidatos propostas concretas para a área. Outra intenção é que a sociedade continue acompanhando os compromissos assumidos pelos governantes eleitos.

Você já viu quais são as propostas do seu candidato à presidência, ao governo e ao parlamento no que concerne à educação? Elas são possíveis? Atendem à necessidade real da população?

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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