Uma Monte Verde menos romântica e mais família

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Sumi do blog. Passei os dias tão envolvida com os passeios que, embora tenha pensado em mil coisas para contar aqui, não voltei para escrever – o que, vamos combinar, é maravilhoso quando a gente está em férias e vive de escrever. Quer dizer que descansei? Sim e não!

Como contei, estamos em Monte Verde, uma região “sui generis” que fica praticamente na divisa dos estados de São Paulo e Minas Gerais, no alto da Serra da Maniqueira, com vegetação que faz parte dos últimos 7,5% restantes da Mata Atlântica. Nos encantamos com tudo pois a flora é riquíssima: líquens, musgos e bromélias, entre outras plantas, são emoldurados pelas centenas de araucárias que marcam a região – várias são centenárias e há registros de árvores com mais de 300 anos!

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No primeiro dia caminhamos, conhecendo bem de perto parte da mata nativa que sobrevive em meio à extensa área de reflorestamento, formada por pinheiros e eucaliptos. Eis que nesta terça, quando estávamos seguindo para o hotel que oferece Arvorismo e Tirolesa, recebi um telefonema que mudou nossos planos. Uma conhecida de Twitter, sabendo que estávamos na cidade, indicou à Companhia 4X4 nosso perfil e fomos convidados para fazer um passeio de jipe pelas montanhas. Quase disse não, afinal, o arvorismo era um desejo dos meninos e uma prova que eu queria levar de que a famosa “vila do romance”, como ficou conhecida Monte Verde, podia também ser um roteiro animado para fazer com a família. Além disso, sugerir atividades juvenis (para a faixa etária dos meus meninos, que estão “between ages”, nem tão crianças, mas ainda não adolescentes) é um desafio que estou assumindo como compromisso pessoal.

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Enfim, aceitamos o convite e foi uma surpresa muito agradável. Mesmo a montanha que já tinhamos desbravado a pé ganhou novo jeito vista com o apoio do guia (um senhor muito simpático, que mora na região há 22 anos) e com a interação com o grupo. A empresa oferece pacotes personalizados que podem ser com carros 4X4 fechados (nós fomos numa Land Rover fechada, dirigida pelo guia) ou abertos, com a opção de aluguel do veículo, o que torna o passeio uma nova aventura, a de dirigir um off-road e se arriscar. Mas, para que todos tenham segurança, os grupos saem em caravana, o que permite a aproximação a cada parada. Em pouco tempo meus filhos já tinham puxado conversas – em especial sobre os programas favoritos da TV, de Surviror Man e À prova de tudo passando por Casal Selvagem e Desafio em dose dupla – com quase todos do grupo, quebrando o gelo e criando um ambiente colaborativo, “fazendo” cajados e outros apetrechos para ajudar os novos amigos nas caminhadas curtas das paradas para observarmos a flora e a fauna.

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E eis que aqui entra o capítulo dos animais, que eu esqueci de comentar ontem. Pássaros aos montes, inclusive alguns bem amigos dos seres humanos, que comem na sua mão ou não fogem ao sentir sua presença – e nada de pombos que são mesmo “pragas urbanas”. Na nossa pousada (El Brujo Montanhês) esquilinhos vinham comer amendoins nas casinhas que ficam à sua disposição e nos permitiram momentos muito alegres, tanto quanto os que os meninos viveram com os inúmeros cães (de rua, mas bem tratados, gordinhos e amáveis) que estão por toda cidade. E, caminhando pelas trilhas, o turista também pode ser surpreendido por famílias de esquilos, veados, tucanos e beija-flores, entre outros animais silvestres e domésticos que encantam adultos e crianças. Os meninos daqui adoraram ver e fotografar coelhos, gansos, pavões, cavalos e as trutas que são parte da “decoração” de vários hoteis e restaurantes.

O guía da Companhia 4X4 sabe bem disso e pacientemente programa as paradas, sem pressa, respeitando o ritmo de cada grupo, de modo que todos possamos aproveitar e vivenciar a relação com a natureza, seja ela uma novidade ou uma experiência nostálgica. No nosso grupo, que tinha casais de namorados (três, de diferentes faixas etárias, na casa dos 20, dos 40 e dos 70 anos!) e uma família com dois adolescentes, todos se renderam aos animais da floresta e tiraram muitas fotos em todas as paradas.

E quanto aos passeios, eles são cheios de solavancos sim (um carro “normal” não vai muito longe), mas não são muito exigentes. Com ajuda dos jipes podemos ver as florestas que rodeiam Monte Verde e abrigam cinco picos principais – Pedra Redonda, Pedra Partida, Chapéu do Bispo, pico do Selado e Platô (o que fizemos a pé) – e chegamos com facilidade ao pé da trilha mais popular, a de Pedra Redonda, com 926 metros de extensão ou uma hora e meia de caminhada, de nível de dificuldade intermediário. Numa próxima visita espero fazer a subida e chegar cume da pedra, que é quase um terraço natural, de onde se tem uma vista de 360º da região.

Lá no alto é mais fresco, então vale a pena levar um casaco (de preferência impermeável) e lembrar de ir com um calçado adequado (tênis, se possível de couro ou emborrachado) ajudam muito. O filtro solar, boné e óculos de sol são menos importantes porque, de fato, a gente fica no meio do mato e não sofre tanto com o sol pesado.

Antes de terminar, dicas de alimentação: gostamos muito da cozinha do Café Platô, que fica no pé da trilha do Platô que fizemos ontem. Comida fresca, balanceada e preço honesto. No centro da cidade gostamos muito da Choperia Fritz, que tem comida alemã de qualidade e com porções generosas. Os detalhes das comidas a gente vai contar lá no Conversas de Cozinha, passe no blog depois, tá?

O recado é de que a cidade, que tem fácil acesso pela Fernão Dias (e fica a pouco mais de 100km de São Paulo), é uma excelente opção para famílias também, com vários tipos de roteiro, que vão do descanso e calmaria da terceira idade (vimos pequenos grupos aproveitando o centrinho da cidade, vendo o artesanato e deliciando-se nas casas de foundue, strudel e chocolate caseiro) e casais até pequenas famílias com bebês (que eu não recomendaria que fossem fora do verão, porque a queda de temperatura pode “judiar” dos menores) e com crianças aventureiras como os nossos. Há acomodações de todo preço e, no geral, todos os locais me pareceram bastante atentos à qualidade dos serviços prestados e você pode fazer como nos que, a partir de uma revista-guia que vimos na praia, fizemos contato por e-mail diretamente com as pousadas e hotéis que nos interessavam e pedimos pacotes personalizados para o nosso modelo (casal com 2 crianças). Os estabelecimentos estão listados no site da cidade: monteverde.com.br.

Depois não deixe de me contar como foi, tá?

😉

P.S. E vai ficar para a próxima vinda (Monte Verde é daqueles lugares que a gente coloca no circuito anual, se possível trimestral) os percursos de arborismo em plataformas suspensas para caminhar na copa das árvores, de tirolesa e, quem sabe, o feito com cavalos.

[O contato da Companhia 4×4, que prefere não indicar valores antes de saber das necessidades de cada grupo, atendendo a passeios de 2 a 4 horas, inclusive com expedições para Campos do Jordão e Gonçalves: (35) 3438-1933 e (35) 8876-8893.]

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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