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Acredito que tem um Machado para cada um de nós e, nesta conta, mil é pouco. Nem que seja porque você leu forçado para a escola ou na lista de livros do vestibular, mas o fato é que em algum momento de sua vida já leu um livro do Machado de Assis. Ele pode ter ficado marcado como a coisa mais chata do mundo, ficado com o gosto da professora mais desagradável (tenho isso com Guimarães Rosa por conta de uma professora) ou ter mudado sua vida. Bem, a minha vida mudou. Admiro Machado e eu e meus irmãos brigamos até hoje por três volumes em papel bíblia e capa de couro das obras completas, herança de meu avô Juca. (Mas eu não sou medida, tenho uma quedinha por romances que falam do comportamento de certa época, pela crítica velada ao que é artificial, tanto que li tudo do Eça de Queiroz.)

Duas propostas que visitei nesta semana nos convidam a revelar o leitor machadiano que mora em nós. Na exposição do Sesc Consolação o convite é para sentar num dos nichos, olhar-se no espelho e ouvir trechos (quiçá obras completas, não testei) do grande escritor brasileiro. Há também discussões, leituras poéticas e encontros imperdíveis. 2008 é o ano de Machado de Assis porque marca o centenário de sua morte e de uma mudança no paradigma das letras brasileiras. Ele foi consagrado em vida e é sinônimo da Academia Brasileira de Letras mesmo sendo mulato. Ovacionamos tanto Barack Obama, mas já tivemos nossos grandes homens que superaram a questão racial e foram maiores do que os preconceitos. Ler Machado é poder pensar um pouco nisto, na importância (relativamente pouca na minha opinião) que estas questões tiveram na sua obra, ainda que tenham tido na sua vida pessoal.

A outra homenagem a Machado é virtual e, por isso, mais democrática e inclusiva. O site Mil Casmurros (que a @palpi me indicou) traz o convite para gravarmos um trecho da obra que nos seja caro por algum motivo. O hotsite é um viral para divulgar a série da Rede Globo (veiculada de de 9 a 13 de dezembro) que focará, novamente, a personagem mais comentada da obra machadiana (não entendo, mas até reli Dom Casmurro há dois anos para tentar entender a fixação sobre ela). Como não gosto de gravar videos (mas muita gente já o fez), não sei se participarei ativamente, mas estou acompanhando o site. Segundo os organizadores, será

Não qualquer leitura coletiva, mas provavelmente a maior do Brasil (seria também do mundo?). Basta entrar, fazer o cadastro, gravar e pronto. Atores, intelectuais, atletas, “anônimos”, enfim, todos participam. E, por “todos”, são TODOS, mesmo: de Ferreira Gullar a Romário, de Tony Ramos a Moacyr Scliar, de Angélica a Cid Moreira. Participe da leitura coletiva, no site. E melhor: leia ou releia o livro.

[udapte em 22/06/2009] Hoje a ação Mil Casmurros, feita pela Livead para TV Globo ganhou Leao em Cannes.[update]
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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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