mil e nocententos… A de amor, B de baixinho no ipod!

Estou aqui arrumando as musicas infantis no I-pod shuffle do meu filhote. Quem diria, seis anos e o Enzo já tem um, de tanto pedir, torcer para ganhar em toda promoção de que ouvia falar, o pai dele comprou um apple para ele no dutty free. Nada como um feriado pescando no Paraguai (sem a família) para estimular a generosidade masculina. Giorgio ganhou um bat-car da década de 1940 (é, na falta de outras coleções, agora começamos a dos carros de super-heróis, haja prateleira!) e eu um perfume Versace. Nada mal.
Consegui baixar musicas da minha infância para os meninos, foi muito divertido escutá-las e notar a reação deles com minhas cantorias. É, a gente não canta para eles depois que crescem, já percebi. Outro dia numa semana de “resgate das tradições” -leia-se das coisas antigas- na escola Giorgio aprendeu duas músicas da Xuxa: Ilairiê e A de amor, B de baixinho… quando ele contou na hora do almoço e eu contei as duas músicas inteiras, nossa, ele ficou pasmo! Como que eu podia saber? Vá explicar que é tão velho assim!
Aliás, descobri que o Enzo e a classe dele chamam de velho quem nasceu em mil e novecentos. Tipo assim: “nossa, a Sarah é de mil e novecentos (detalhe, de 1999), háháháhá!”. Eles fazem piada dos coitados. Que coisa! Imaginem a cara dele quando eu contei que sou de mil novecentos e setenta e três!
Passei o feriado na companhia da minha mãe, a segunda visita dela sozinha desde que mudei para Sampa. Foi muito gostoso, até diferente e terminou com ela dizendo (vejam que minha mãe é super formal, fala assim com a própria filha): “Obrigado por me obsequiar com tantos passeios“. Acho que só a minha mãe ainda usa esta palavra, mas se não for, deve ser a única pessoa que fala para a filha. (risos)
Tivemos a coragem imensa de levar as crianças, Enzo, Giorgio e minha sobrinha postiça Himawari ao Museu da Língua Portuguesa. Uma loucura mesmo, minha segunda e última tentativa com o Giorgio lá por uns dois anos, no mínimo. E vejam que para evitar o trânsito deixei o carro no estacionamento e fomos de metrô! Isto é que é aventura. Na volta, para relaxar, fomos no Bar da Mooca tomar o novo chope preto da Brahma. Acho o serviço deles maravilhoso: a gente mal senta à mesa com as crianças e o garçon traz revistinhas de atividades infantis e giz de cera para a molecada! Só assim para relaxar, não?
História do bar naquela noite. Levo o Giorgio no toillete (ele está naquela fase de provar a água e o banheiro de todo lugar onde vai) e ele me pergunta: “Mamãe porque garçon chama garçon?”. “Ah, porque garçon quer dizer menino em francês, acho que eles chamavam ‘garçon’ que nem a gente fala ‘moço’ e ficou assim. Sabia que em inglês se fala ‘waiter’, acho que porque o cara fica esperando o pedido, quer dizer ‘esperador’… respondi. Mal tinha falado e uma moça, que estava no cubículo ao lado, solta esta: “mãe também é cultura, esta eu aprendi agora!”. E ela ficou esperando o Giorgio terminar e sair para ver a carinha do menino com voz infantil e que falava tão bem! Pode?E um comentário que não posso deixar passar e que tb li no blog da Manu, do Desabafo. O retrato das novas mães, chamadas de mães sinceras, na Época desta semana. Achei interessante, ainda mais nesta minha fase profissional. Quero ler o livro indicado, The Mask of Motherhood.

Para quem ficou curioso: músicas da minha infância são os musicais da década de 1980: Saltimbancos, Plunct Plact Zum, Casa de Brinquedos, Arca de Noé. E não, as músicas da Xuxa eu não inclui no i-pod do Enzo, preferi deixar espaço para o Palavra Cantada.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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