Microesferas esfoliantes e as armadilhas ambientais dos cosméticos

Nesta semana alguns dados sobre os danos ambientais causados pelos plásticos assustou muita gente. Segundo a análise “Valuing Plastic”, o custo total do uso do plástico sobre a natureza é de US$ 75 bilhões ao ano, considerando-se apenas a indústria de produtos para consumo pessoal.

Realizada com apoio do Programa das Nações Unidas para Meio Ambiente (Pnuma), por duas organizações independentes, o Plastic Disclosure Project (PDP) e Trucost, a análise levou em conta de impactos como emissões de gases-estufa (desde a extração do combustível fóssil) à poluição provocada pela incineração de resíduos, além da perda de biodiversidade marinha, prejuízos ao turismo e ao transporte marítimo. O maior impacto, segundo os pesquisadores, acontece no mar.

“Embora este valor seja impressionante, US$ 13 bilhões ao ano, consideramos que está subestimado. Não estamos pregando um mundo sem plástico. Mas perdemos a noção de seu impacto no ambiente. Usamos, sem preocupação, quantidades enormes e desnecessárias“, afirmaram dirigentes do Pnuma.

Uma coisa puxa a outra. Lembrei que há alguns anos os pesquisadores do Conselho Superior de Pesquisa da Espanha alertaram que filtros solares podem ter consequências nocivas para o ecossistema marinho, resultado da contaminação dos mares por conta dos produtos químicos presentes na fórmula dos filtros e que são liberadas nas águas, poluindo as regiões turísticas.

Há também um alerta sobre as microesferas esfoliantes presentes nos cremes, xampus e sabonetes que usamos podem esconder várias armadilhas para quem busca uma vida sustentável.

São aquelas bolinhas minúsculas que viraram moda e por um tempo estavam em todo tipo de sabonete ou creme, lembram-se?

Pois graças a um estudo feito em 2013 pela ONG 5 Gyres Institute sobre a poluição intensa em uma região dos EUA, o mundo foi alertado para o perigo do uso das “aparentemente inofensivas” microesferas de plástico.

Avaliando os rios e lagos das cidades americanas, a ONG encontrou cerca de 500 mil microesferas de plástico em apenas um quilômetro quadrado.

O problema em números e dados:

  • uma única embalagem de esfoliante facial tem 330 mil microesferas de plástico
  • muito além do creme: elas estão também em cremes dentais e sabonetes líquidos
  • são tão pequenas que medem cerca de 0,355 milímetros
  • por terem afinidade molecular, as microesferas são muito boas em absorver outros poluentes tóxicos na água (coisas como pesticidas e óleo de motor)
  • por serem bioacumulativas, tais toxinas se concentram na cadeia alimentar
  • o tamanho faz com que seja um desafio para as estações de tratamento de esgoto

Se pensarmos bem, tem lógica, pois biólogos marinhos têm alertado há um tempo que o despejo de pequenos pedaços de plástico de polietileno no ralo gera prejuízos para o oceano. É que a gente nem sempre lê o rótulo ou se apercebe de que na verdade tem plástico no meio da fórmula!

Claro que os grandes fabricantes – como a Unilever, L’Oréal, e Johnson & Johnson – já fizeram vários compromissos voluntários para eliminar progressivamente as microesferas de polietileno. Mas o consumidor continua comprando, por isso precisamos alertar e dar alternativas.

Eu uso, desde adolescente, uma fórmula caseira simples para as mãos e pés: óleo vegetal (tipo de amêndoas) com um pouco de açúcar. Simples, barato e eficiente!

E você, tem uma boa receita para mudarmos nosso consumismo que está afetando o meio ambiente? Conte aí!

Por falar em cosméticos e animais…

Em resposta ao movimento de 2013 em defesa dos cães usados em testes, o Governo de São Paulo sancionou a Lei 777/2013, que proíbe o uso de animais no desenvolvimento de cosméticos, perfumes e produtos de higiene pessoal. A regulamentação é resultado de um estudo sobre o tema que incluiu a legislação internacional, conversas com entidades defensoras dos animais, indústrias e pesquisadores da Fapesp, além de cientistas como veterinários, médicos e biólogos.

Segundo disseram, o fator decisivo foi proteger os animais como deve proteger o meio ambiente, os mais indefesos, evitando crueldade contra os animais.

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Leia (em inglês) a pesquisa “Valuing plastic: the business case for measuring, managing and disclosing plastic use in the consumer goods industry” abaixo:

 

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.