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O Pequeno Príncipe, de Antoine de Saint-Exupéry, é um dos livros mais lidos da história. Foi publicado pela primeira vez em 1943 e, desde então, foi traduzido para cerca de 180 idiomas, tendo vendido mais de 80 milhões de exemplares no mundo. Mais que uma fábula infantil, trata-se de uma profunda reflexão sobre a vida e a natureza humanas.

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Eu tinha quatro anos quando minha mãe me levou ao cinema para assistir ao filme Pequeno Príncipe. Não tinha ainda meu irmão e imaginava que a perfeição em forma de menininho seria aquele doce serzinho que não admitia ser tratado como criança e conversava como adulto. Quem me conhece sabe, sou contra a adultização das crianças, mas enfim eu gravei aquele conceito no subconsciente – muito embora meus pais se refiram a mim na infância como uma adulta pequena – e meu filho Giorgio diria que eu ainda sou uma adulta pequena! risos. 

Duas décadas depois casei e começamos a sonhar com um herdeirinho. Sempre quisemos ter filhos, mas sem pressa pois há um tempo para tudo. E o tempo chegou quando morávamos em Tokyo, deixando todos os avós e tios radiantes. Enzo chegou e além de nos unir como famílias, nos permitiu aprender a ser. A ser mãe, pai, avó, tio, a ser capaz de amar sem reservas, sem cobranças, sem limites. Quando nos apaixonamos nós amamos, mas só nos tornamos efetivamente responsáveis por aquele que amamos quando ele nos cativa. Só entendi o significado daquela frase de Exupéry (que trancrevi tantas vezes na infância e adolescência) quando me tornei mãe do Enzo, porque pude compreender com o coração o que signica ser amorosamente cativo de alguém.

Nestes anos juntos meu Pequeno mostrou-se um verdadeiro Príncipe, empertigadinho como se vestido com casaca longa e espada, pronto para defender baobás e rosas, perfeccionista e imaginativo o suficiente para acreditar em carneiros guardados em caixas, capaz de conversar com os pilotos escritores sem se apertar em nenhum momento. Aos nove anos ele fala de si e de seus interesses como um catedrático – como o fez hoje cedo ao postar em seu blog sobre os Anos,dias e meses estudando dinossauros – mas nunca perde a doçura e a generosidade. Mãe coruja, acho-o lindo, inteligente, iluminado, mas considero que sua nobreza vem da capacidade de sentir e de ser humano nos seus sentimentos. E este é um presente que, mesmo no dia de seu aniversário, quem ganha somos nós. 

 
Felicidades meu precioso, querido, amado, e que Deus o conserve sempre assim, este menino de olhar sincero e curioso que carrega em si a vontade incontida de assimilar todo conhecimento do mundo.

P.S. O Pequeno Príncipe voltou à nossa vida recentemente, com o livro que a vovó Ita deu para o Giorgio no Natal e uma adaptação da obra de Antoine de Saint-Exupéry (de Joann Sfar, da Agir, que tem hotsite aqui) que conta, em formato de quadrinhos mas numa bela edição de luxo, a história que encanta gerações. Creio que nem preciso dizer com que voracidade Enzo devorou o livro quando ele chegou para nós pelo correio, né? Recomendadíssimo por ele (e por mim) para quem tem filhos – ou não tem – para resgatar a doçura e os valores que realmente contam na vida. 🙂 

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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