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Imaginem a situação: sua família tem uma opção por alimentação estritamente vegetariana e você cria seu bebê até os três anos com estes hábitos. Daí, ao entrar na escola, a criança é proibida de manter a alimentação vegetariana. O que parece uma história é a realidade enfrentada por uma família espanhola.

O Departamento de Educação do Governo Vasco (Espanha) nega a uma menina de três anos de idade a possibilidade de comer de forma vegetariana no refeitório de sua escola. A ação contraria medidas determinadas pela família da criança, com o apoio de pediatras.

O assunto traz à tona o debate acerca do direito de escolha dos pais e da obrigação do Estado de garantir seu bem-estar, tema discutido internacionalmente sobre as vacinas obrigatórias e a presença das crianças na escolas (homeschooling e unschoooling).

O pai da criança espanhola alega que a criança e obrigada a comer carne e peixe, apesar dos pedidos que a família fez em diversas instâncias governamentais para que ela seja liberada para uma alimentação diferenciada. Os pais da menina afirmam que “a opção e o direito de comer de forma vegetariana não é um modismo, e tampouco por ser minoria deve ser marginalizada“. Além disso, afirmam que eles foram obrigados a mostrar um atestado médico, “como se o vegetarianismo fosse uma doença.” O Departamento de Educação respondeu a este pedido com uma negação geral que diz que “a composição do menu é o mesmo para todos os alunos exceto nos casos de intolerâncias, alergias e doenças”…

Independente de discutir quem está com a razão (nem me atrevo a entrar no mérito), deixo para todos a pergunta: onde acaba nosso direito como pais e começa o direito à melhor condição de vida dos filhos? E onde mora o dever do Estado de prover as melhores condições e usar sua força para que a criança tenha tudo atendido a contento, segundo suas normas e o status quo?

Não sei ainda, mas gostaria muito de ler a opinião que vocês, queridos leitores, têm sobre o tema!

E, para quem pensa que o vegetarianismo nas escolas está longe da nossa realidade, uma dica: no dia 16/04/2012 a Câmara Municipal de São Paulo recebe, no Auditório Prestes Maia (Plenarinho), o Seminário Merenda Escolar Vegetariana. O encontro objetiva debater a alimentação vegetariana como opção saudável, sustentável e ética para alunos de todas as faixas etárias em todos os níveis (creches, ensino fundamental e médio, universidades etc.) com fundamentação, experiências e estudos de caso sobre o tema. Estarão persentes Alexandre Schneider (Secretário de Educação de São Paulo), Roberto Trípoli (Vereador na Capital), Eduardo Jorge Sobrinho (Secretário do Verde e do Meio Ambiente), Beatriz Tenuto (Mestre em Nutrição Humana pelo PRONUTRI/USP) e Eric Slywitch (Diretor do Departamento de Medicina e Nutrição da SVB).

P.S. E, me antecipando às críticas, eu não sou vegetariana. Mas fui, durante toda minha adolescência e desde criança tenho uma alimentação pouco dependente de carne e leite, e aprendi com esta vivência que há grandes ganhos na mudança alimentar, mas ela tem que ser feita com acompanhamento de um nutricionista especializado (se possível um nutrólogo) e os ambientes nos quais a pessoa está devem ser ajustados ou sua alimentação cotidiana frequentemente complementada. Vegetarianismo não é crugivismo nem macrobiótica, tampouco uma preferência por saladas, envolve uma rotina alimentar específica e equilibrada e devemos nos educar para fazer esta escolha que é (sem dúvida) saudável, mas muito exigente!
Da experiência que tive (fui vegetariana dos 12 aos 19 por influência/imposição materna, fruto de uma escolha religiosa passageira dela), eu me coloco contra este pátrio poder sem limites. Me custou imenso desgaste físico e intelectual a opção sem orientação e devo minha “sobrevivência” ao meu pediatra, pois estive na casa dele uma vez (para “brincar” com a filha, eu já tinha uns 15/16) e ele que me recomendou buscar ajuda nutricional. Na ocasião meus pais eram divorciados e eu já morava com meu pai, mas ele não conseguia me demover da ideia do vegetarianismo, tampouco sabia me orientar sobre a reposição nutricional.

[update] Quero me desculpar porque em comentário hoje neste post me pareceu que eu me expressei mal sobre os nutricionistas e nutrólogos. Quando adotei a dieta vegetariana quem me atendeu (e muito bem) foi uma nutricionista, recomendação do meu pediatra. Recentemente, participando do projeto Operação Biquíni, foi também uma nutricionista, Maria Fernanda Elias, quem nos atendeu imensamente bem, apoiando-nos nos esforços de cuidar da saúde começando por um reajuste dos hábitos alimentares.
É que depois dois dois anos atuando no Mãe com filhos (blog quer foi descontinuado, mas era um projeto que incluía nutrição infantil) com o Dr. Carlos Nogueira, pediatra e nutrólogo, acabo pensando neles como apoio para os pais sobre a alimentação dos filhos.
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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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