relacionamentos

“A mentira acontece quando se induz alguém em erro para tirar proveito próprio ou camuflar a verdade que mais cedo ou mais tarde, trará consequencias nefastas. Ninguém mente sem qualquer intenção. Há sempre um dolo na mentira, diferente da fantasia no qual o objetivo maior é promover um clima de alegria e satisfação.”
Cybele Meyer

Num domingo desses saímos atrasados para um compromisso pela manhã e, em meio à conversa com os meninos sobre o cuidado com os horários e o respeito aos compromissos assumidos, notei que meu filho mais novo, de sete anos, estava bem distraído. Perguntei: “Você ouviu o que a mamãe falou filho?” E ele, com toda sinceridade do mundo, respondeu: “Na verdade não, Mamãe, eu estava distraído olhando pela janela!“.

Imediatamente lembrei da polêmica das mentiras infantis. Não as mentiras premeditadas – sobre as quais falamos em Vilania ou vontade de ser atendido? – nem dos possíveis elogios exagerados que fazemos, tratados por Cybele Meyer neste post sobre os elogios queridos que fazemos com sinceridade de coração – mas sim das pequenas metiras do cotidiano. Outro dia elas foram tema de um dos meus seriados favoritos, Lie to Me, justamente com uma turma de crianças do ensino fundamental debatendo a gravidade das pequenas mentiras (as “white lies”) que contamos no cotidiano: aumentar um pouquinho a idade, rir das piadas sem graça do tio, fingir que está dormindo quando não está, fingir dor de cabeça para fugir da aula, dizer para avô que gostou do presente sem graça.

E será que devemos incentivar as crianças a nunca mentir (como faz o meu filhote, que me desmonta com sua sinceridade) ou as “mentiras brancas” das crianças podem não ser tão graves para formação de sua personalidade?

Uma pesquisa divulgada por Kang Lee, diretor do Instituto de Estudos da Criança da Universidade de Toronto (Canadá) propõe que pode existir um lado “bom” da mentira – e que talvez a habilidade de a criança contar uma história e convencer alguém possa ser um ponto positivo em sua personalidade. Segundo o pesquisador, se a criança é capaz de contar pequenas mentiras já desenvolveu a “função executiva“, ou seja, a habilidade de inventar uma mentira convincente, mantendo a verdade no fundo de sua mente.

Segundo o pesquisador, a habilidade indica que o cérebro da criança consegue integrar informações e manipular dados. O estudo, que não aponta nenhuma relação entre as pequenas mentiras contadas na infância e qualquer tendência para uma trapaça ou fraude maior no futuro, analisou o comportamento de 1,2 mil crianças entre 2 e 17 anos, concluindo que:

  • até os dois anos de idade 20% das crianças mentem
  • com três anos, o número sobre para 50%
  • com quatro anos, 90%
  • com 12 anos, quase todas as crianças contam mentiras

Mas, a despeito do aspecto científico postivo (o desenvolvimento cognitivo), não quer dizer que a mentira deve ser incentivada como algo educativo ou produtivo. O que não nos impede, vejam bem, de incentivar a fantasia infantil, com brincadeiras (e até tradições, como lembrou Cybele Meyer ao falar do Coelhinho da Páscoa) e atividades que possam lhes proporcionar momentos deliciosos. E é a educadora que garante que “conforme a criança vai crescendo, ela mesma vai testando suas hipóteses e naturalmente vai descobrir que é fantasia e, por incrível que pareça, irá incentivar a fantasia junto às crianças menores da família numa atitude de amadurecimento e triunfo por se sentir crescida.”

😉

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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