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Quer saber o que está rolando no seminário #menos30? O bate papo com o Prof. Juarez Dayrell (Observatório da Juventude da UFMG), Tallis Gomes (Easy Taxi), Caio Dib (Caindo no Brasil), Eduardo Lyra (Gerando Falcões), com mediação de Tiago Leifert, segue em parte o resultado do caderno Menos 30.

Oi. Eu sou o Kaluan. Tenho 22 anos, nasci em 1992. Até hoje acho surreal pensar que vivi em duas décadas, séculos e milênios (!) diferentes.

Não sou um “nativo digital”, só fui ter meu primeiro computador com 12 anos. É engraçado pensar que ele era muito pior que o smartphone mais barato de hoje. Eu esperava os sábados depois das 14h, os domingos ou a meia-noite de cada dia de semana para poder usar a internet discada e gastar só um pulso da linha telefônica. Inclusive, acho que foi essa condição que fez tantos de nós sermos notívagos, nos obrigando a deixar as melhores conversas de MSN (não tive ICQ nem MIRC) e jogatina de MMORPGs para as madrugadas.

Apesar de não ser um nativo digital, já há um tempo que sou enquadrado e empacotado em um grupo chamado millenials ou geração Y. Normalmente nos descrevem como sonhadores, criativos, contestadores, hiperativos, fragmentados, com dificuldades em focar, etc. Talvez seja tudo verdade.

Paradoxo de Belchior

O problema é que fico imaginando se, apesar de tudo isso, ainda “não somos os mesmos e vivemos como nossos pais”. Fico incomodado quando vejo que “Terra de Gigantes”, do Engenheiros do Hawaii, lançada em 1986, soa tão atual:

As revistas, as revoltas, as conquistas
Da juventude são heranças
São motivos pras mudanças de atitude
Os discos, as danças, os riscos
Da juventude
A cara limpa, a roupa suja
Esperando que o tempo mude

Será que todo esse otimismo, fragmentação e contestação, imersos em um panorama de redes sociais digitais, primavera árabe, jornadas de junho, memes, economia criativa, etc… são só adaptações da juventude de nossos pais?

Eu acho que não. Há motivos de sobra para acreditar que, de fato, há algo de novo e incrível aí. Afinal, estamos falando de uma geração em que 72% das pessoas acreditam em dias melhores!*

É verdade e é importante lembrar que há características de juventude e de conflitos geracionais que são tradicionais, cristalizados e mudam muito pouco de uma geração para outra. É importante destacar também que não é necessário ter corpo jovem para ter atitude jovem, hackear sistemas (digitais, políticos, econômicos) e mudar o mundo. Basta querer. E vejo gente de todas as gerações fazendo isso.

Vendendo para exceções

Por ter me formado jornalista com 21, estar fazendo mestrado com 22, e sempre ter trabalhado falando de inovação e tecnologia com pessoas mais velhas, eu me sentia uma exceção. O problema é que dizem por aí que, entre millenials, se sentir ou realmente ser exceção é a regra.

Segundo a pesquisa Menos30, da Globo, há 50 milhões de jovens brasileiros entre 15 e 29. Cada um, uma exceção.

Para o mercado é ruim haver tantas exceções e tanta complexidade. Para lançar novos produtos, fazer o capital circular, vender estilos de vida, e ter um ROI garantido, é necessário identificar grupos, estabelecer targets e sair taggeando as pessoas. Tarefa ingrata no século XXI.

O fato é que essa fragmentação não é característica exclusiva da juventude. Toda a sociedade capitalista pós-moderna está passando por esse período que Zygmunt Baumman chamaria de “liquidez”, onde as relações e vínculos são muito mais fluídos – e, consequentemente, “difíceis de pegar”.

A boa notícia é que os estudos de mídia, comunicação e as pesquisas evoluíram muito. Para entender esse mundo, é necessário ver o que grandes empresas estão estudando. E nas últimas semanas, pudemos ver 2 importantes estudos sobre as características dessa geração.

Telefónica Millenials e Globo Menos30

Graças à Otagai, no último mês tive o privilégio de ver o lançamento de ambas as pesquisas e as discussões feitas ao redor delas.

Apresentada no último dia 13, na Futurecom, a pesquisa da Telefónica trouxe um interessante debate com pessoas como Gabriella Bighetti, diretora da Fundação Telefonica, Alec Ross, um dos maiores autores e pesquisadores sobre inovação do mundo, Carla Mayumi, da Agência Box 1824.

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Lembro de Alec Ross começando o debate defendendo que nenhuma geração é tão mal compreendida do que a millenial. Ele também destacou como era importante a pesquisa da Telefónica não só para entender “futuros consumidores”, mas sim seus clientes de hoje.

No debate do Menos30, da Globo, na Pinacoteca, em São Paulo, o tom foi um pouco diferente. A discussão, mediada por Tiago Leifert, contou com Eduardo Lyra, do Gerando Falcões, Tallis Gomes, fundador da Easy Taxi, Caio Dib, do Caindo no Brasil, o professor Juarez Dayrell, Fundador do Observatório da Juventude da UFMG.

A frequência de vezes que a discussão pendia mais para a política, economia e outros aspectos além da educação foi notável. Mas era legal mesmo ver como Eduardo dava exemplos de superação em condições adversas, lembrando a frase de sua mãe “não importa de onde você veio, importa para onde você vai”; de Tallis, que exemplificava todas as oportunidades empreendedoras que existem dentro do ecossistema de startups no Brasil; de Caio, que sempre queria olhar para o lado bom das coisas; e de Juarez, que já era bem mais velho, mas conseguia articular todos os pensamentos jovens com experiência e conhecimento.

Exatamente por estar com pessoas dessa geração abaixo de 30 anos, e que tinham visões relativamente diferentes, o debate mostrou como todos nós – em cima de um palco ou não – temos ideias mais fragmentadas e complexas do que nunca.

Se em um momento duas pessoas divergiam em um ponto, logo elas convergiam em outro. E é assim a minha geração também. Nós somos multifacetados, não conseguimos ser enquadrados em poucos grupos, mas estamos sempre insatisfeitos tentando mudar as coisas.

A conclusão dos debates foi a mesma: nós temos insatisfações e não podemos esperar ajuda externa para resolvê-la, temos que ir lá e fazer. E aprender.

Ambos debates e pesquisas trazem números impressionantes, mas a conclusão é sempre igual: nossa geração só se prova incrível e diferente quando ela vai lá e faz. Do contrário, fazemos jus ao ingrato título de “geração mimimi”. Não adianta falar que somos criativos, inovadores e empreendedores se não conseguirmos realmente utilizar tudo isso para mudar o mundo para algo muito melhor. Felizmente, acredito que já tem muita gente boa conseguindo — vamos acompanhá-los.

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Jornalista e pesquisador falando aleatoriedades. Umas tags: #games #tech #música #sustentabilidade.

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