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Sua casa drena toda sua energia? Às vezes você queria morar num lar menor?

O que consome os dias geralmente pode ser resumido em:

(1) desorganização nas tarefas que leva a acumular coisas e

(2) excesso de coisas, geralmente sem uso, em casa 

Na semana passada, destinei os últimos 3 metros cúbicos de objetos sem uso que tirei da reorganização do lar.

Estou me sentindo muito mais leve, feliz, em harmonia – e até mais “magra” (risos).

Tenho passado por um processo interior para me desapegar de coisas que achei que estava “segurando” na minha vida não porque eu gostava, mas porque parceria que era o certo ter. 

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Neste caminho, desde o controverso (e raso) documentário  “Minimalism: A Documentary About the Important Things, até os livros de Marie Kondo tiveram seu papel. No filme, disponível na Netflix, Joshua Millburn e Ryan Nicodemus são Os Minimalistas, jovens típicos da Geração Y que cresceram perseguindo um Sonho Americano meio Yuppie, que envolve o que vemos nos filmes: dinheiro, uma posição social e muitos objetos. Se você tem interesse nesta filosofia de vida e gosta de documentários, indico que veja o filme.

De lá, tirei uma síntese que aprecio:

“Imagine uma vida com menos: menos coisas, menos desordem, menos estresse e descontentamento… Agora imagine uma vida com mais: mais tempo, mais relações significativas, mais crescimento, contribuição e contentamento”.

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Além de TEdsX e filmes, alguns livros foram inspirações que me ajudaram muito.

Um deles eu indico aqui hoje: o livro Menos é mais – Um guia minimalista para organizar e simplificar sua vida, um livro leve e até divertido que fala de uma vida com menos consumo e mais plenitude.

Na primeira parte do livro, Francine Jay discute os benefícios de viver com menos. E aqui mora o segredo deste livro, que no título em inglês (Joy of less, algo como “a alegria de ter menos”) me lembrou Marie Kondo e o seu livro Isso me traz alegria.

Uma das coisas que mais temo ter herdado geneticamente é a mania de acumular. E fui aprendendo a abrir mão das coisas, em parte por ter me casado e ido morar no exterior no ano seguinte, em parte porque a vida foi gentilmente me mostrando que as pessoas e o tempo junto vale mais do que os objetivos comprados e os espetáculos que consumimos.

Acumulativo = Coleciona-Dor. Será tudo parte do mesmo processo?

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Daí que me identifiquei mesmo com o livro, em especial com o começo, que trata da Filosofia, e o final, sobre o Estilo de vida minimalista.

Como o livro é dividido em 4 partes, Os Dez Passos e Cômodo por Cômodo completam a obra, sendo o recheio deste convite para uma vida com mais significado, mais leve e menos dentro do padrão social que raramente é uma escolha nossa, no geral é mais uma condição da sociedade (doente?) que vamos aceitando por falta de tempo para parar e questionar.

Viver com menos – quando o pouco é suficiente

Ao contrário do livro A Mágica da Arrumação – A Arte Japonesa de Colocar Ordem na Sua Casa e na Sua Vida, o best seller japonês, obra que li e que me ajudou no meu processo, Francine Jay trata de uma mudança de vida, não de uma forma diferente para guardar o que já tem. É um desapego mesmo e isso me agradou.

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Um resumo é esse:

Arrumar a casa e ter uma vida menos desordenada pode ser um desafio para a maioria das pessoas.
A solução? Não se engane achando que precisa de mais coisas, como dezenas de caixas organizadoras.
Pelo contrário: o caminho é perceber que precisamos de muito menos objetos do que somos levados a acreditar.

O livro traz também dez passos que reunem o método principal de organização da autora, ajudando a por a mão na massa e organizar a vida. Listo-os aqui para deixar o leitor curioso, mas não vou comentar porque, honestamente, cada um daria um livro para pensarmos sobre o que temos, porque guardamos certas coisas, porque nos empenhamos em comprar coisas caras, porque não nos desfazemos de bobagens e mil outras conjecturas.

Para pensar no que você tem para organizar:

  1. Recomece
  2. Tralha, Tesouro, Transferência
  3. Um motivo para cada objeto
  4. Cada coisa em seu lugar
  5. Todas as superfícies vazias
  6. Módulos
  7. Limites
  8. Entra um, sai outro
  9. Restrinja
  10. Manutenção Diária

Pensando nos itens do livro, foi o capítulo ” Tralha, Tesouro, Transferência” que me ajudou a decidir mesmo o destino de cada coisa. Tralha foi fácil, mas eu queria dar um destino digno até para elas! Levei algumas coisas em estado ruim para os ecopontos (aqueles locais que a prefeitura deixa nos bairros, geralmente debaixo de viadutos, e que recebem o lixo reciclável grande) e outras, que estavam em condições de uso imediato (capa de iPad, gaveteiro de aramado de encaixar, copos, banquinhos desmontáveis) fotografamos e divulgamos na comunidade Free Your Stuff São Paulo (já falei desta comunidade num post do blog sobre desapegar e vender ou doar).

Free Your Stuff

Os tesouros que eu não uso mais, mas não queria arriscar que ficassem sem uso digno, costumo vender na OLX Brasil ou Repassa. Vestidos meus, ternos dos meninos que usaram uma ou duas vezes quando crianças e outros itens assim foram para estes sites onde as pessoas dariam mais valor.

A verdade é que como a Rede Ibab Solidária atende muitas entidades criteriosas e sérias, tem um bazar super organizado que abençoa muitas pessoas, eu acostumei a não juntar tralhas demais (o item “Entra um, sai outro” é parte do meu armário desde criança, assim como o “Restrinja”, pois, apesar de ter um closet legal, eu não deixo entulhar) e como vou na ibab – igreja batista de água branca toda semana, assim que alguma doação sai do armário, vai para lá em poucos dias.

Encontre uma causa que você ame, doe, seja voluntário e seja criativo na sua participação ‪#‎GivingTuesday‬

 

Agora sobre a organização em si, foi um processo de limpeza de pensamento que dura minha vida adulta inteira trabalhar o “Cada coisa em seu lugar” (sou caótica por natureza e minha mesa é aquela típica imagem dos criativos, com tudo largado ao redor sem aparente motivo) e o que me salva é que gosto de “todas as superfícies vazias”, então não junto coisas por cima para facilitar a limpeza, física e mental.

Ter morado no exterior logo que casei me ajudou muito em alguns aspectos pois eu (1) aprendi a viver sem empregada, então tinha que deixar em ordem as coisas porque não teria uma hora ou dia em que magicamente alguém arrumaria para mim, (2) tive que aprender a escolher o mínimo de coisas para viver e abrir mão de algumas porque não dava para trazer tudo na volta (e esse é justamente um dos exercícios que o livro The joy of less propõe) e (3) o pais em que morei tinha terremotos constantes, por isso aprendi a não deixar coisas soltas, enfeites demais, quadros sobre a cama/sofá, várias coisas que são bonitas, mas inúteis porque podiam cair sobre mim e literalmente me matar no caso de um terremoto grave.

Mas considero que o item mais importante para ajudar a liberar espaço na vida da gente e viver uma vida organizada é ter “Um motivo para cada objeto“. Essa frase ajuda a decidir o que precisa ficar à mão (Você usa batedeira todo dia? Se não usa, ela pode ficar no armário e não tomando poeira e gordura no balcão da cozinha) e também faz a gente ver que algumas coisas são desnecessárias, não precisamos manter ou comprar.

🙂

Se você ficou curioso com o livro da Marie Kondo, o vídeo abaixo é legalzinho e aqui tem um texto que sintetiza o método:

E se você gosta de ver além, vale a pulga atrás da orelha que o artigo “Minimalism Is Just Another Boring Product Wealthy People Can Buy” deixa. Viviane Pontes, do Dcoração, traduziu parte deste desconforto (de Chelsea Fagan no The Guardian) que me levou a muitas pesquisas e continua em ebulição dentro de mim.

Além da questão do “minimalismo enquanto estética de consumo misógina e aporofóbica(Exagero? Verdade? Loucura?), o “minimalismo-como-luxo-bom” é um ponto para pensarmos mesmo! Por isso volto ao que falei sobre o livro Menos é mais: a filosofia de vida de desapego deve ser um alívio, não uma nova ditadura social.

Pra pensar! 😉

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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