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Hoje pela manhã minha família ficou atenta a uma nova cirurgia que meu pai, aos 74, fez para “consertar” uma traquinagem dele na última angioplastia. Traquinagem mesmo: ele levantou um garrafão de 20 litros de água três dias depois de fazer uma cirurgia séria de reparação de um vaso sanguíneo estreitado em decorrência de décadas como fumante.

Dizem que o cigarro faz mal ao coração. E faz mesmo!

Meu pai fez diversas angioplastias por conta do cigarro.

Trata-se de um procedimento cirúrgico pouco invasivo, empregado mais frequentemente para combater a obstrução de artérias que conduzem o fluxo sanguíneo até o coração. Em geral, é indicada para portadores de angina, que apresentam essa obstrução por conta do acúmulo de placas de gordura. No caso do meu pai, não foi o colesterol, foi o cigarro que afetou os vasos, estreitando-os e deixando com sequelas sérias que poderiam ter lhe rendido um infarto fulminante.

Nossa sorte foi que temos uma cardiologista na família e ela estava de olho na saúde do nosso velhinho.

Os cuidados com a saúde do coração devem fazer parte da rotina de todos.

Mas sabem, as mulheres devem redobrar a atenção quando o assunto é prevenção cardiológica.

Dados recentes da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelam que 1/3 de todas as mortes de mulheres no mundo acontecem em decorrência de doenças coronarianas. Só no Brasil elas representam 30% das mortes do sexo feminino.

Por que as mulheres são mais suscetíveis a problemas cardiológicos?

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A cardiologista do Hospital Cardiológico Costantini, Carmen Weigert, explica que, geralmente, a incidência de eventos coronarianos é maior durante a menopausa, fase em que a mulher sofre mais com alterações hormonais.

“Os hormônios agem como protetores do sistema cardiovascular e, com a chegada da menopausa, têm essa função comprometida, deixando o coração da mulher mais vulnerável a ocorrências cardiológicas graves, como o infarto.”

Além dos fatores hormonais, a especialista destaca outros fatores de risco cada vez mais presentes na rotina das brasileiras, como ansiedade e o estresse.

Segundo ela, nos últimos anos, com a maior inserção das mulheres no mercado de trabalho, houve um acúmulo de responsabilidades, pois elas ainda precisam conciliar as tarefas domésticas e a função maternal-familiar.

“Pessoas estressadas têm um crescimento considerável de adrenalina e cortisol, hormônios que favorecem o aumento de gordura nos vasos, elevando a incidência de infartos.”

E como no caso do meu pai, o tabagismo é outro ponto que deve ser observado, já que a dependência da nicotina provoca efeitos deletérios no organismo feminino, pois diminui a circulação do estrogênio e torna o coração mais suscetível ao entupimento das artérias, assim como o cérebro mais propenso a lesões isquêmicas (derrames cerebrais).

Por isso, nesse cenário, a prevenção torna-se ainda mais importante para as mulheres.

Segundo a cardiologista, há a necessidade de adoção de hábitos de vida mais saudáveis como a realização de exercícios físicos regulares sob orientação multiprofissional, a manutenção de uma dieta equilibrada, rica em frutas, vegetais, grãos integrais, peixes e fibras e a realização periódica de check-ups cardiológicos.

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Com pais e avós com problemas cardíacos, eu estou no grupo de risco, claro. Fui descobrir quais são os cuidados que devo ter.

A partir de quantos anos devemos realizar um check-up cardíaco?

Geralmente, este tipo de check-up está indicado para os homens a partir dos 45 anos e em mulheres na fase após a menopausa, pois são os períodos em que o risco de problemas cardiovasculares é maior.

Porém, a ida ao cardiologista deve ser antecipada quando existe:

  • Histórico de familiares que tiveram infarte ou morte súbita;
  • Hipertensão arterial constante superior a 139/89 mmHg;
  • Obesidade;
  • Diabetes;
  • Colesterol e triglicerídeos elevados;
  • Fumantes;
  • Doença cardíaca na infância;
  • Iniciar a prática de um esporte.

Quais exames são pedidos em um Check-Up?

– Eletrocardiograma (“ECG”)
É o exame mais simples e de fácil e rápida execução . A maioria dos cardiologistas possuem em seus consultórios. Detecta o ritmo do coração e pode indicar problemas cardíacos já nesta fase. No entanto o eletrocardiograma normal não detecta todos os probleas cardíacos, principalmente nos casos de miocardiopatia isquêmica (coração com coronárias entupidas ou obstruídas). Este e um dos motivos pelos quais pessoas que estão infartando podem apresentar o exame completamente normal.

– Radiografia de tórax (“Raio-X de tórax”)
Exame já consagrado, auxilia na detecção de anomalias de aorta e consegue avaliar tamanho cardíaco, mas não tem precisão quando é necessário avaliar a imagem pulmonar. De acordo com a necessidade de maior definição, há necessidade de se recorrer a Tomografia Computadorizada de Tórax.

– Ecocardiograma Bidimensional com Doppler
É uma espécie de “Ultrassom do coração”. Indolor e não invasivo, o médico passa sobre o tórax do paciente um aparelho que detecta as imagens cardíacas estáticas e dinâmicas. Este exame é importante para avaliar o tamanho do coração, se há defeitos genéticos, doenças valvares e estimar o seu grau de comprometimento. Serve também para acompanhar a recuperação do coração após um infarto e cirurgias cardíacas.

– Teste de Esforço (“Teste Ergométrico”)
É o famoso teste da esteira. É importante para avaliar pessoas que tenham fatores de risco para o infarto, mostrando o comportamento do eletrocardiograma no ato de esforço. Ele avalia o comportamento da pressão arterial durante exercício e presença de arritmias complexas, além de mostrar indícios de obstrução em coronárias através da alteração do traçado eletrocardiográfico. Pode ser feito em diversos dispositivos, desde esteiras até bicicletas ergométricas, de acordo com as necessidades e dificuldades de adaptação de cada paciente a cada um desses aparelhos.

– Cintilografia do miocárdio (“MIBI”): induzida por esforço físico ou por fármacos
Trata-se de um exame mais avançado quando comparado ao teste ergométrico. As imagens são construídas pela ajuda da tomografia através da administração de um radioisótopo (substância radioativa , porém em uma concentração pequena). Pode avaliar se há deficiência de irrigação sangüínea nas paredes do coração. O médico pode escolher que ele seja realizado através de esforço físico ou através de estímulo por fármacos, de acordo com as características e peculiaridades de cada paciente.

– Tomografia de coronárias
Este exame tem tido indicações cada vez mais crescentes. Pode ser realizado sem contraste iodado, apenas para mensurar o escore de cálcio em coronárias ou com contraste, para avaliação da anatomia das artérias coronarianas. Não substitui a cineangiocoronariografia, já que não há como fazer tratamento imediato pelo exame, mas auxilia na indicação de cateterismo cardíaco e intervenções mais invasivas. Auxilia médicos e pacientes na redução do colesterol, introdução de acido acetilsalicílico para prevenção de infarto e orientações quanto a modificação de estilo de vida, de acordo com seu resultado. Pacientes com coronárias já comprometidas por placas de colesterol, mesmo que assintomáticos (sem sintomas), deverão ser monitorados. É um dos métodos diagnósticos para anomalia de coronárias, uma das causa de morte súbita em atletas;

– Ressonância Magnética Cardíaca
Este exame tem tido indicações cada vez mais crescentes. É realizado sem contraste iodado, e é muito bom para avaliação de doenças no músculo cardíaco e seu envoltório, como por exemplo miocardites. Muitas de suas atribuições, como avaliação cardíaca funcional, estão sendo cada vez mais indicadas, e sua praticidade, eficácica e riqueza de imagens e informações fazem com que este exame seja cada vez mais freqüente nos pedidos dos cardiologistas.

– Aconselhamento Genético
É indicado para indivíduos com histórico familiar de morte súbita, arritmia, doença coronária, aumento do colesterol, e para familiares de pacientes com diagnósticos de Síndromes raras como Síndrome do QT longo, Miocardiopatia Hipertrófica Assimétrica, Miocardiopatia dilatada idiopática entre outras. O diagnóstico e tratamento precoce destas alterações poderão levar a um ganho na qualidade de vida destes indivíduos.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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