Menino, menina ou apenas criança?

Tenho uma teoria: as pessoas (não os amigos, os parentes, mas aquele ser genérico composto por desconhecidos que se arvoram do direito de opinar sobre sua vida) nunca estão satisfeitas com o que vêem na vida da gente! Exemplo: você começa a namorar, falam de casar, você não trabalha, querem que trabalhe, começa a fazer horas demais, precisa descansar, se só estuda reclamam, se estagia, pode atrapalhar os estudos, se tem um filho, perguntam quando vem o segundo…

Enfim, o julgamento exterior é cruel. Lembram as inúmeras críticas que comentamos que faziam à filha de Tom Cruise e Katie Holmes porque ela é muito vaidosa, usa saltos e tem tudo de peruinha? Pois agora outra princesinha de Hollywood tem sido criticada pelo comportamento oposto. A filha de Angelina Jolie e Brad Pitt, Shiloh, de 3 anos, agora é criticada por não se arrumar como menina! Segundo vi, as revistas de celebridades americanas perguntam: “por que Angelina está transformando a filha em um menino?” Isso porque Shiloh usa cabelo curto e roupinhas pouco femininas, mas, convenhamos, práticas para a estação (eles estão saindo do inverno) e para a idade que tem!

A menina não é a única da família a ser criticada. A imprensa já pegou no pé de Angelina por conta dos cabelos da filha adotiva Zahara (africana e que usava um black power natural, que, tenho que dizer, eu acho que fica lindo nela!). Qual foi a crítica? A mamãe Angie deixar a menina sair assim – sem chapinha ou trancinhas – o fazia porque não ligava para a garota, sinalizando maus cuidados. Sim, a velha discussão de etnias, tão característico da sociedade estadunidense, volta à tona (lembra até aquela época difícil do politicamente correto, tão bem demonstrada em filmes como Loosing Isaiah).

O que surpreende é notar o quanto esta perseguição por uma demonstração de gênero nas crianças pequenas pode chegar: a revista Life & Style fez matéria sobre o tema e ouviu psicólogos para conferir se há indícios de que Angelina esteja premeditadamente subvertendo o gênero da filha (antes de casar com Brad, Angelina assumiu relacionamentos bissexuais). Um dos entrevistados diz que a família Jolie-Pitt precisa de “ajuda e orientação” e que é importante para as crianças saber desde cedo a distinguir os gêneros.

Na minha infância eu e minha irmã Sheron usávamos muitas roupinhas de cor azul marinho, a favorita de nossa mãe. E como a gente morava em cidade muito fria, era  comum estarmos vestidas com roupas de lã não muito diferentes da que Shiloh usa na imagem que ilustra o post, com camisa por baixo (até hoje eu adoro usar camisas), calça de corte reto e pulover por cima. Nos pés estavam sempre as indefectíves botinhas ortopédicas, tão comuns na minha geração e tão sem gênero! Nem por isso eu fui menos menina! E meus meninos não usam só roupas de super herois truculentos ou cores azul ou verde para garantir que eles cresçam com a masculinidade à toda prova!

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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