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Nas férias, com as crianças em casa ou encontrando avós, tios e primos, como não pensar no valor da brincadeira e no quanto ela está se modificando nos últimos anos?

E o que fazemos quando viajamos para a casa dos avós e colocamos primos de cidades diferentes brincando sob a supervisão de um tio ou de uma avó? Nestes encontros informais nós expomos todos a uma troca maravilhosa de conhecimento e de prática. É exatamente esta a ideia do Memórias do Futuro – Olhares da Infância Brasileira.

A proposta pesquisa a Cultura da Infância do Brasil através de um processo de sensibilização do olhar investigativo e criativo de jovens, educadores e crianças, em ações que se propagam em redes virtuais e presenciais estimulando a aproximação de gerações e a troca de conhecimentos e fazeres práticas relacionados ao brincar.

“Vinte jovens de diferentes grupos culturais do Mato Grosso do Sul: indígenas, quilombolas, ribeirinhos e urbanos participaram de oficinas de sensibilização para a infância e de formação audiovisual, orientadas por pesquisadores e outros profissionais de diversas regiões do país, utilizaram celulares com câmeras para pesquisar, documentar, registrar e divulgar o universo das brincadeiras e hábitos de crianças em suas comunidades, produzindo filmes, fotos e textos que reúnem desde a memória da infância dos mais velhos até as formas atuais de brincar. Os registros dessas manifestações, com tecnologias móveis, estimularam a experimentação da linguagem audiovisual e o compartilhamento da produção nas redes sociais.”

O resultado está em cerca de 70 vídeos que podem ser vistos no site memoriasdofuturo.com.br, com conteúdos que iniciam a base de dados do Eduque Brincando compartilhado em imagens, artigos e práticas presenciais na itinerância da exposição multimídia Caravana Tecnobrincante, servindo como referência para educadores de diferentes áreas.

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Se você é educador ou pesquisador pode fazer experiências ligadas ao projeto e enviar em vídeo para eles no site. Se, como eu, é apenas um adulto que quer fazer mais pelas crianças da sua família (ou vizinhança, comunidade, etc), pode usar algumas das ideias expostas no site e começar a reviver brincadeiras e reforçar o valor da experiência lúdica no aprendizado informal.

O que observar:

– Uma dica essencial para quem não é criança e deseja se (re)aproximar da infância vivida é buscar a sua origem, a sua memória. Você pode começar com algumas perguntas simples como: do que você brincava quando criança? Quais as regras e formas de cada brincadeira? As histórias mais marcantes, seus melhores amigos? Quais as cantigas que seus pais e avós cantavam? Você lembra dos lugares, das sensações, das aventuras? Quais eram suas comidas prediletas? Seus medos, seus sonhos? E as suas invenções?

– Procure escrever um pouco sobre isso, perguntar para seus familiares, ver fotografias, objetos, procurar amigos antigos e relembrar. Assim você já começa um reencontro com você mesmo! E então sua pesquisa, seu olhar e principalmente seu coração já se abrem para o universo mágico da criança.

– Após reencontrar a sua infância, é interessante observar as crianças que estão ao seu redor, na sua casa, seu bairro, na escola. Procure ouvir com atenção suas ideias e como se organizam durante as brincadeiras. Procure nos os momentos mais espontâneos de convívio, quando estão em grupo ou sozinhas. Qualquer coisa pode assumir o papel de brinquedo na imaginação de uma criança, principalmente se estão em contato com a natureza, livres e longe de brinquedos estruturados/fabricados.

– Quando se aproximar das crianças é importante ser discreto, deixá-las livres para que não se inibam ou queiram aparecer demais. É importante que as crianças entendam o que você está querendo fazer, por isso, antes de filmar tente brincar um pouco com elas, entrar no jogo e explicar suas ideias.

– Você também pode perguntar sobre as brincadeiras, tentar entender as regras e imaginar como isso pode ser compreendido em um pequeno filme, um texto ou mesmo através de uma foto.

– As histórias de infância dos mais velhos são muito importantes para aprender e ensinar formas de brincar que já estão sendo esquecidas em muitos lugares. Procure encontrar estas pessoas e puxe o fio da memória aos poucos. Informalmente pergunte como eram os lugares, a família, do que brincavam e como faziam seus brinquedos. As cantigas, as histórias, as tradições podem servir como inspiração para muitas práticas educativas e culturais de hoje.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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