bem estar / destaque

Era outubro de 2014. Eu já vinha há anos tentando me livrar de alguns problemas de saúde que permaneciam não resolvidos mesmo depois de dúzias de medicamentos e de tratamentos (dos mais variados tipos, desde alopatia, passando por homeopatia, psicoterapia e outras terapias alternativas). Dor de cabeça constante, gastrite, ansiedade. Eu já sabia que a causa primária destes problemas era emocional e eu queria tratá-los e resolvê-los desde a sua origem.

Naquele momento da minha vida, eu também comecei a me dar conta de que estava com a memória e a capacidade de concentração péssimas – coisas que sempre foram muito boas em mim, mas que estavam bem deterioradas devido à rotina atribulada de uma profissional autônoma e mãe de duas crianças.

Para trilhar novamente este caminho de autoconhecimento e da busca das respostas para tantas coisas que não estavam bem, eu poderia voltar à terapia. Mas eu senti que nesta fase da minha vida, esta era uma caminhada que eu agora queria fazer por mim mesma. Eu sabia que o lugar onde estavam guardadas as minhas respostas era logo ali, dentro de mim mesma. Eu não precisava ir longe. Eu não precisava de ninguém. Eu só precisava de mim mesma.

  
E foi com este pensamento que resolvi meditar – sem grandes ambições, sem muitas expectativas. Eu já sabia dos inúmeros benefícios da meditação – tenho contato com Yoga e leio muito sobre meditação já há um bom tempo – e resolvi que era hora de arranjar um tempo pra mim, naquela minha rotina tão cheia. Eu precisava parar, respirar, dar tempo para meu cérebro se organizar.

Falei com minha professora de Yoga Giselle Mello, uma pessoa muito querida e muito sensível. Ela meu deu as primeiras orientações, fizemos algumas práticas juntas, e depois fui seguindo meu caminho sozinha. Foi a Giselle também que me apresentou um livro muito interessante sobre meditação, principalmente para pessoas que, como eu, buscam a meditação sem uma ligação com religião: “Medicina e Meditação – um médico ensina a meditar“, do Dr. Roberto Cardoso.

medicina e meditação - um medico ensina a meditar

O livro tem uma linguagem muito simples, muito didática. Ele nos mostra porque é que nosso cérebro – que é como um super computador, que gerencia inúmeros processos e atividades – precisa dos seus momentos de desligamento e reorganização. Explica também, de forma bastante acessível, o que é meditação, o que não é meditação e nos dá um guia, um passo-a-passo para nos iniciarmos na prática. Ele também antecipa algumas das dificuldades que o iniciante pode encontrar e pensamentos que naturalmente surgem em que está iniciando a prática – aqueles do tipo “Ai, mas eu não vou conseguir ficar parado! Eu não vou conseguir não pensar em nada!”. Rsrsrs. Acho que, de 10 iniciantes na prática, 9,9 vão ter este tipo de pensamento antes de começar. Primeiro, meditar não necessariamente significa ficar parado. E também não é ficar sem pensar em nada: seus pensamentos vêm e vão – e o que se recomenda é que vc não se prenda a eles. Começando aos poucos, respeitando seus limites, você não só vai conseguir ficar parado como vai achar ótimo!

Ao final do livro, há um capítulo falando dos efeitos psicofísicos da meditação – mas já deixando claro que devemos meditar sem ficar esperando que estas coisas aconteçam. A meditação deve ser feita de maneira despretensiosa e despreocupada. Dessa forma, melhores resultados virão.

como o cerebro responde a meditaçao

O livro foi um excelente guia pra eu me orientar nas primeiras semanas de prática. Fui seguindo as técnicas sugeridas,comecei fazendo 15 minutos diários, que é o tempo sugerido pelo livro. Depois, conforme me sentia confortável para isso, fui aumentando meu tempo de prática, até que atingi uma hora diária de meditação. Eu faço uma única sessão de uma hora porque foi o que melhor se encaixou na minha rotina. Mas o importante é fazê-lo da forma que for mais adequada pra você.

Depois das minhas primeiras semanas de meditação, comecei a me interessar mais pela filosofia que está por trás da prática. Comecei a ler alguns livros de monges budistas, pra conhecer outras técnicas, outras teorias. Alguns dos livros que li, como por exemplo “A Alegria de Viver” de Mingyur Rinpoche, tratam exatamente da ligação entre a ciência e a prática da meditação. É bem interessante para pessoas que, como eu, gostam de ver a comprovação científica de tudo aquilo que estão experimentando na prática.

Uma coisa que gosto de ressaltar é que tenho permanentemente o cuidado de meditar sem ficar esperando resultados. Claro que, quando eu comecei, eu queria – e ainda quero – resolver os problemas de saúde. Mas quando busquei a meditação, fui fazê-lo pelo simples fato de querer cuidar de mim. Não se pode nem se deve esperar da meditação a solução de todos os seus problemas, nem de um dia para o outro, nem de um ano para o outro. A meditação é um caminhar e é importante que se esteja consciente e pleno pra apreciar esta jornada para dentro de si.

De toda forma, é muito interessante observar que, embora eu tenha feito minha meditação desde o início sem alimentar expectativas, eu hoje já vejo inúmeros resultados, todos muito positivos: eu estou mais tranquila – e é um sentimento muito bom, porque é uma serenidade que vem lá dentro e que não tem explicação ou motivação específica. Minha memória e concentração melhoram muito! Um “efeito colateral” bem interessante foi que eu passei a querer uma vida mais calma, menos atribulada. Por conta disso, tirei algumas atividades que estavam em excesso na nossa rotina e passei a buscar coisas que simplificassem nosso dia-a-dia ainda mais. Com isso, meu dia rende mais, é mais produtivo e me sinto mais descansada. Meu sono também melhorou bastante.

Embora eu sempre tenha sido uma mãe carinhosa com meus filhos, eu percebi que passei a ser ainda mais amorosa com eles e com meu marido. E, além de tudo isso, percebi também um aumento da minha compaixão, da minha tolerância e empatia com o próximo.

Por tudo isso, recomendo muito a meditação. Acho que o mundo moderno está levando nosso cérebro a uma sobrecarga em todos os sentidos. Para continuarmos vivendo bem e com saúde – não só física, como emocional – precisamos nos dar este tempo: parar, respirar, acalmar a mente. Fazer uma pausa para que nosso cérebro se reorganize. E o principal: conhecer a si mesmo. Só assim podemos encontrar aquela felicidade que é genuína e verdadeira, que não precisa de razões, de motivações, nem de explicações. É simplesmente ser feliz por SER.

 

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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