Maternidade X Carreira: o relato da @anaaragao: “em casa, somos sempre muito juntos, fazemos as coisas em familia”

“Meu prêmio foi um texto que meu mais velho fez sobre a própria vida para um trabalho da escola. Mais ou menos: “em casa, somos sempre muito juntos, fazemos as coisas em familia”.”
@anaaragao num texto que me mandou ontem em resposta ao post O velho debate: Maternidade versus Carreira voltou

Ontem eu publiquei aqui minha opinião sobre a volta do debate Maternidade X Carreira que se criou na blogosfera materna nesta semana, com grande destaque no Grupo Mães (e pais) com filhos no Facebook. Foram dias de conversas e reflexões coletivas – algumas um pouco exaltadas, admito – que renovaram a minha fé no valor da internet como espaço de fortalecimento da cidadania. Cidadania é sabermos quais são nossos direitos e, de posse deste conhecimento, permitir-nos uma vida melhor, para nós e para todos no nosso entorno. Estas mães – e pais! – que abriram seus corações ao tratar deste assunto tão íntimo, relatando passagens de sua vida familiar e cotidiana, permitiram-nos conhecer melhor a realidade das novas famílias e pensar colaborativamente para onde estamos indo como sociedade. Agradeço profundamente a generosidade dos comentaristas do post (vejam lá!) e hoje em especial à Ana Aragão que me mandou o texto abaixo por e-mail.

Minha amizade com a Ana é daquelas boas histórias de internet. Creio que passamos a nos seguir por conta de amigos jornalistas em comum do universo pernambucano (eu sou parananense, de alma paulistana, mas tenho um lugar especial para Pernambuco no coração, uma coisa inexplicável). Além do jornalismo e dos filhos (e da vida cotidiana, de até reclamar da ajudante de casa) descobrimos que gostávamos de ver o seriado House às quintas-feiras. Por muitos meses tivemos encontros virtuais comentando o seriado enquanto asssistíamos e finalmente quando eu fui a Recife para o #blogcampPE a gente se encontrou. E, claro, foi como um encontro de amigas de infância, como podem ver na foto.

@samegui @anaaragao

Adorei a oportunidade que Sam me ofereceu para falar sobre como lido com o desafio diário de ser mãe de meus filhos, executiva de minha empresa, mulher de meu marido e dona da minha casa. Talvez tenha gostado tanto porque, enfim, consigo organizar meus pensamentos sobre essa lida hercúlea.

E o que escrevo de agora por diante é a minha experiência, que não sei se está certa ou errada. Muito menos tenho a louca ambição de transplantá-la para a vida de outras pessoas. Serve para mim e, como mãe corujíssima que sou, acho que está dando certo.
Como lido com tudo isso? sem culpa.
Uma amiga me disse uma vez que, na natureza, são as fêmeas que saem para buscar o alimento dos seus filhotes. E é verdade. Elas que ensinam a se comportar. Ensinam a caçar, a lutar, a se defender e a amar. Não é lindo?
Por que, para ensinar isso para meus filhos, eu teria que me consumir em culpa ou achar que estou roubando alguma coisa deles?
Na minha receitinha de ser mãe e criar os filhos, vou todos os dias para a selva buscar o alimento, mas procuro também estar presente. Eles sabem que eu vou mas que estou de volta em breve e que podem contar comigo para tratar de todos os assuntos das vidas deles.
Minha luta é equilibrar o prazer imenso que tenho com o planejar e executar uma tarefa, resolver um assunto, dar solução a um desafio, construir coisas com o prazer imenso que também sinto em sentar com meus filhos no chão e brincar.
Todos os dias, desde que nasceram, eu os acordo de manhã. Faço com que comam, escovem os dentes, se arrumem. Com eles estudando de tarde, tive um ganho enorme de conseguir levar e pegar na escola, sempre que o trabalho deixa. Mas, mesmo que não deixe, olho as tarefas, vejo se fizeram ou não e quais as dificuldades que sentem. Pergunto pelos amigos, pelas brincadeiras, deixo-os ver que me interesso e que curto saber sobre eles.
Na medida do possivel, conto também sobre o meu dia, o que fiz e o que me deixou alegre ou triste.
Tento, com eu exemplo, mostrar para eles como caçar, como lutar, como se defender.
Ouço as músicas, as histórias, vejo os programas de TV, os videos no Youtube, as coisinhas que eles gostam.
Mostro também meus preferidos.
O papel da minha empregada em casa não é o de ser uma espécie de mãe postiça deles. A minha empregada, conosco há seis anos, não tem a obrigação de cortar as unhas dos meus filhos. Eu é que tenho. No fim de semana, somos só nós quatro em casa. Bricamos, saimos, improvisamos um almoço ou fazemos um banquete, dividimos as tarefas do lar.
Todos os dias, coloco meus filhos na cama. Dou um último denguinho do dia, dou cheirinhos e beijinhos de boa noite. Se chego em casa e eles já estão dormindo, passo lá nos quartos deles, pra ajeitar um travesseiro, ver se está tudo bem.
Não tenho medo de repreender. Se for preciso – graças a Deus, não são dos mais trelosos e impossíveis- dou bronca, proibo, coloco de castigo. Boto limites sem medo de ouvir aquele “você é a pior mãe do mundo!”. Sou a “pior” mas estou aqui tomando conta de você, filho/filha.
Acho que assim eu os ensino também a amar.
Meu prêmio foi um texto que meu mais velho fez sobre a própria vida para um trabalho da escola. Mais ou menos: “em casa, somos sempre muito juntos, fazemos as coisas em familia”.
O importante disso tudo: sem deixar de ser eu. Eu sou Ana. Não sou a mãe de Bruno e de Helena, não sou a mulher de Renan. Sou Ana.
Ana é uma pessoa que adora trabalhar e adora ser mãe. E detesta ser dona de casa.

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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