A maioria das profissionais brasileiras não retorna ao trabalho após a licença-maternidade

Vamos combinar que a maioria de nós não precisava de pesquisa para saber que cada vez mais brasileiras não retornam ao trabalho depois da licença-maternidade. Mas se tem pesquisa, a gente pode conversar sobre o assunto em outros termos, com uma convicção diferente e com uma visão menos empírica desta tendência que promete fazer o mercado mudar.

Por que falo em mercado?

Acredito que esta mudança, assim como foi o ingresso da mulher no mercado de trabalho lá atrás, no tempo das nossas mães e avós, forçará as empresas a repensarem a forma como estão tratando das novas mães. Ter filhos é cada dia mais um projeto de vida, uma decisão pensada e muito bem planejada. Exige capacitação e uma visão estratégica. Por estas e outras competências, a mulher que está bem na sua área profissional e decide dar este passo costuma fazer muita falta no seu espaço de trabalho, o que faz com que, cada dia mais, os empregadores e clientes pensem muito antes de refutar uma profissional competente “só porque ela tem filhos”.

É verdade, ainda tem gente na idade das cavernas, que não percebe quantas novas competências uma mulher que se torna mãe passa a ter – viramos sim, supermulheres, é um fato! – e o quanto o nosso comprometimento com tudo melhora. São estes os que não flexibilizam horário, não favorecem o trabalho remoto e perdem suas boas colaboradoras para estatísticas como a que citei no início.

Os dados são da pesquisa global realizada pela Robert Half com 1.775 diretores de Recursos Humanos de 13 países, sendo 100 brasileiros. No Brasil, 85% das empresas responderam que menos da metade de suas funcionárias retorna à vida profissional após o nascimento de seus filhos. A taxa é bem mais alta que a média global – 52% das companhias ouvidas em todo o mundo relataram o mesmo problema. Em relação às mulheres que ocupam cargos de gestão, a taxa de retorno ao trabalho é mais alta. Apenas 37% das companhias brasileiras responderam que a volta ao trabalho fica abaixo de 50%, enquanto 63% relataram que o índice é superior a 50%.

maioria das brasileiras interrompe a carreira ao ter filhos

“É um movimento comum o afastamento das mulheres pelo período de um ano após darem à luz para se dedicar integralmente ao bebê e assumir da forma mais plena o papel de ser mãe. Após esse período, elas acabam retornando ao mercado”, afirma Daniela Ribeiro, gerente sênior das Divisões de Engenharia e Marketing e Vendas da Robert Half.

A diferença entre os percentuais de retorno entre a média das profissionais e as mulheres em cargos gerenciais se dá pelo fato de que aquelas que ocupam posições mais altas possuem um perfil mais dinâmico e não conseguem se imaginar fora do mercado. Para a mulher é mais difícil alcançar um cargo de liderança e quando o alcançam não querem desistir dessa conquista. A questão financeira também é um fator importante, pois essas profissionais possuem uma remuneração mais alta e relevante para o orçamento familiar.

Estamos caminhando 🙂

Quando questionadas sobre as políticas de retenção de suas funcionárias, os diretores de recursos humanos brasileiros mencionaram os planos de saúde e dentários (41%), o trabalho remoto (39%) e os horários flexíveis (29%) como os mais populares.

Mais ou menos…

Na prática, porém, as iniciativas de trabalho em tempo parcial ou com flexibilidade de horário ainda não são tão frequentes nas empresas: 31% dos diretores brasileiros responderam que essas ações são comuns ou muito comuns. Essa taxa está bem abaixo da média global, que ficou em 68%. Esse percentual reflete entraves da legislação brasileira. Ao mesmo tempo, as companhias ainda são conservadoras quando se trata de jornada e horário de trabalho.

E aí, no seu trabalho, como é a reação às mulheres que retornam da licença-maternidade? Há apoio para facilitar a adaptação da profissional à nova realidade ou espera-se que seja tudo como antes?

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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