Mas não se esqueçam da rosa, da rosa…

A rosa de Hiroxima

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroxima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.

Este post é um convite para lerem a reflexão do blog Desbancando Balzac sobre a energia atômica no Japão. Intitulado “Aquelas crianças mudas, telepáticas, esqueceram?“, ele nos faz pensar como um “país que viveu na pele a tragédia nuclear, repetir o drama, agora não por um ataque do inimigo, mas pelo movimento natural de um planeta que já não consegue mais suprir a demanda humana”, num encadeamento de ideias que creio que pode ter passado pela sua cabeça também.

“A energia atômica é responsável pelo abastecimento de 25% do que o Japão consome. Um quarto do que gasta a terceira maior economia do mundo em PIB nominal, e a terceira maior em poder de compra – o quarto maior exportador do mundo – vem da mesma fonte que dizimou 140 mil pessoas em Hiroshima e 80 mil em Nagasaki, sem contar as mortes posteriores em consequência da radiação.”

Passou pela minha cabeça, das autoras do blog e pela cabeça de Arnaldo Jabor, citado aqui. A ideia de um vazamento que chegaria à água potável e aos alimentos frescos me preocupou desde o primeiro dia do terremoto no Japão porque, como contei, eu vivi algo parecido (em proporções muito, muito menores) e na ocasião uma das recomendações foi também usar só água mineral. Mas se a água é um bem escasso, como viver de água mineral, né? É para pensarmos, nos colocarmos no lugar deles e para reavaliarmos mesmo a nossa postura globalizada como consumidores, cidadãos, pessoas. A gente pensa em ser sustentável, mas não chega ao ponto de pensar como é a energia que abastece a fábrica que produz aquela lente que queremos para a câmera fotográfica, não é mesmo? Compramos jeans lindos de marcas que gostamos pelo corte, mas não avaliamos se para produzir o tecido de cor diferenciada a indústria poluiu rios que abasteciam muitas cidades chinesas. Temos muito a pensar, além das crianças abaladas, sobre o que temos feito do nosso mundo hoje, a cada dia, a cada compra, a cada escolha.

Como lembraram Bia e Sofia

“Viramos o ano 2000, e o mundo não acabou. Viraremos 2012, 2013, e não, não acho que o mundo vá acabar. Mas, nesse ponto (porque às vezes ele é chaaaato), concordo com o Jabor: precisamos de uma ética política global. Mas qual? Quem vai dar as ordens? Quem vai botar as cartas na mesa?”

P.S. E falando em Japão, lembram que contei que o A Vida Como A Vida Quer é finalista do prêmio The Bobs? Pois em outra categoria, Best use of technology for social good (algo como melhor uso da tecnologia para bem estar social), está um brasileiro, blogueiro e “amigo virtual” do Twitter, o Alexandre Mauj (@mauj77), do Lost in Japan. Foi ele o primeiro a fazer um trabalho (incansável) de atualização no blog e Twitter dos acontecimentos no Japão. Ele merece o seu voto também!

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Quarentona assumida, me sinto uma representante legítima da minha geração e, por que não, um modelo para as mais jovens que desejam envelhecer sem deixar de lado os pequenos prazeres da vida, da comida, da diversão, dos cuidados com a saúde e a beleza, das relações pessoais que fazem tudo valer a pena. Um breve resumo: cristã, jornalista, netweaver na otagai.com.br, blogueira no @avidaquer @maecomfilhos @cosmethica.

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